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| capa do filme/imagem google |
Por: Vagner Melo
Filmes de
animação costumam focar o público infantil, mas buscam agradar aos adultos para
que estes levem os filhos ou sobrinhos ao cinema e assim poder curtir um bom
entretenimento.
Entretanto, a
animação Soul da Disney/Pixar parece querer alterar esse modelo. Soul é mais do
que um filme para crianças, ele é na verdade uma animação para adultos.
Divertida
Mente (2015) já possuía
um pouco desse conceito de alcançar o público adulto, abordando os aspectos
mentais que direcionam e constituem o dia a dia das pessoas. Mas Soul (2020), trata das angustias e
medos de muitos adultos.
Através de
reflexões existencialistas o personagem central da história se depara com
conceitos discutidos por anos dentro da filosofia. O existir.
Para onde
vamos? O que fazemos? Qual o nosso propósito? Estou no trabalho certo? São
perguntas que todos fazemos e por não existir uma resposta exata, tendemos a
refletir sobre nossos caminhos e escolhas.
A palavra Soul
em inglês significa alma, porém pode se referir também ao estilo musical
surgido nos Estados Unidos no final dos anos 50 e começo dos anos 60.
A Soul music
combina elementos do R&B, do jazz e da música gospel, e se originou através
dos grupos afro-americanos, que buscavam maiores espaços na sociedade
americana.
Não à toa o
personagem principal do filme é um musico negro. Aliás o primeiro protagonista
negro dos filmes Pixar. Fator extremante importante no atual momento.
A
representatividade exercida no filme não fica apenas no personagem central,
quase todos os personagens apresentados são negros, dando um protagonismo pouco
visto em outras animações, sejam elas em séries ou filmes.
Isso mostra
como a Pixar está atenta ao que acontece na sociedade como um todo e se
preocupa em transmitir os bons valores ao público infantil, demonstrando que
não importa a cor da pele da pessoa e sim a sua capacidade.
O soul é uma
das contribuições culturais existentes originados através dos afro-americanos, inclusive
salientado no filme, e é a forma de expressão que os negros encontraram para mostrar
o seu orgulho e lutar contra o racismo, que era ainda mais forte no Estados
Unidos dos anos 60.
E ainda que seja o jazz o estilo musical mais citado no filme, a escolha do soul como título do filme provavelmente não foi à toa. Cantores como Ray Charles, James Brown, Aretha Franklin, Marvin Gaye e Nina Simone são grandes clássicos desse gênero musical.
Proposito e missão de vida
Mas falando
sobre o filme, o personagem central do filme é Joe Gardner. Joe é apaixonado
por música e acredita ser ela a sua missão de vida. O seu maior sonho é tocar
em uma banda de jazz.
Após um
acidente sofrido, justamente quando ele consegue o emprego dos seus sonhos, sua
alma se desprende do corpo e ele passa por uma viagem através dos reinos
cósmicos. Tudo trabalhado de forma bem elegante e com uma sensibilidade que as
animações Pixar costumam apresentar.
Joe se recusa a
creditar que pode estar morto e busca formas de voltar ao seu corpo. No plano
do pré vida, ele por acaso se torna o tutor da alma batizada de 22 e que
precisa encontrar seu propósito antes de poder descer para a terra e viver uma
vida humana.
Unindo esses
dois personagens temos a música como elemento que motiva Joe a viver a vida, é
e ela a motivação central do personagem e que leva o expectador a refletir
sobre temas como proposito e missão de vida.
Quantas pessoas
não se perguntam isso diariamente? O que motiva alguém a levantar da cama cedo
e enfrentar as dificuldades que a vida apresenta?
Muitos tem
sonhos, desejos e se encontram naquilo que fazem. Mas existem milhares de
outros que não sabem bem o que fazer, e ficam esperando que algo simplesmente
aconteça para que possam se sentir realizados.
As nossas
crises existenciais, que muitas vezes se fazem presentes em datas de aniversário
ou viradas de ano, e nos fazem questionar sobre a vida que estamos vivendo, se
apresenta de forma diferente para os dois personagens.
Enquanto a 22 busca um motivo que faça valer a pena viver na terra, Joe acredita que apenas quando conseguir tocar em uma banda estará de fato realizado.
Escolhas
Somos os responsáveis por escolher a forma como devemos levar a nossa vida. Na filosofia esses aspectos estão ligados ao filosofo dinamarquês Soren Kierkegaard, considerado o pai do existencialismo.
Dentro do
existencialismo cabe ao indivíduo escolher a forma como deseja viver sua vida.
Se é ficar esperando que algo aconteça, como uma oportunidade de tocar em uma
banda, ou aproveitar cada momento que temos de forma única.
Na maioria das
vezes são as coisas mais simples que fazem a vida valer a pena. Joe e 22 passam
por essas questões antes de se encontrarem como indivíduos e poder seguirem
suas vidas.
Não dá para
saber como as nossas escolhas irão se desdobrar no futuro, por isso a vida é
tão complexa e cheia de dúvidas. Mas vale a pena viver na expectativa de
esperar por algo que talvez nunca aconteça?
O importante de
fato é viver o momento, aproveitar o que conquistamos e não ficar se apegando
no que pode ou não acontecer.
A vida é apenas
uma. Aproveite!!
