The Sandman

The Sandman - Arquivo Pessoal

 

Ver séries ou ler livros sem muita expectativa ajuda a trazer boas surpresas. E foi o que aconteceu com a série The Sandman.

Apesar de já conhecer o nome e ouvir algumas coisas sobre as HQs, nunca havia me aprofundado sobre a história.

Mas eis que saiu a série Sandman e achei realmente interessante conhecer mais sobre a obra criada por Neil Gaiman. Para quem não conhece, aqui vai uma pequena sinopse.

Sandman é uma HQ publicada pela primeira vez em 1988 pela Vertigo, um dos selos da DC Comics.

Sandman, personagem central, é um dos Sete Perpétuos, seres que são como uma “família” e existem desde o princípio dos tempos. Cada um personifica um dos aspectos que envolvem a existência humana: Desejo, Destruição. Delírio, Desespero, Destino, Sonho e Morte. 

Morpheus é o nome original do personagem, sendo Sandman uma das formas como ele é conhecido em algumas culturas. Assim como “Senhor dos sonhos”.

A história parte do momento em que um mago prende, por acaso, Sandman, que permanece preso por mais de um século. Com isso, o reino dos Sonhos entra em colapso e algumas pessoas, do reino desperto, no caso a Terra, passam a dormir por um longo período.

Desse momento em especifico, nos anos 20, após a Primeira Guerra Mundial, surgiu uma pandemia que ficou conhecida como "doença do sono" ou encefalite letárgica, que deixou mais de 4 milhões de pessoas em estado catatônico. processo que só foi revertido nos anos 70.

Todo o mundo passa a sofrer com o desaparecimento do Senhor dos Sonhos. Isso sem contar que alguns dos sonhos e pesadelos passam a viver entre os humanos, gerando certos desequilíbrios na sociedade.

Ao escapar Sandman parte em jornada pela busca dos seus pertences roubados: o elmo dos sonhos, uma bolsa de areia e um rubi. Objetos que importantes no andar da série, pois possuem o poder do seu dono e são necessários para reconstrução e equilíbrio do “Sonhar”, reino no qual ele domina e para onde vão as pessoas durante o período no qual estão dormindo. 

Personagens

Por fazer parte da DC Comics temos vários personagens famosos da editora e que se encontram com Sandman ao longo dos 10 episódios da série. Constantine, Lúcifer e Senhor Destino são alguns, porém com algumas alterações. Além dos personagens que compõem os Perpétuos e outros nomes conhecidos de outras histórias, como os irmãos Caim e Abel.  

Lúcifer e Constantine são mulheres na série. Assim como a assistente pessoal do Senhor dos Sonhos, Lucienne, que no original é um homem. O que dá um ganho ainda maior aos personagens. Constantine foi escalado como mulher devido aos direitos autorais, mas traz os elementos do sobrenatural que acompanham as histórias do personagem.

Não caso de Lúcifer Estrela da Manhã, fugimos do estereótipo de que ele seria representado por um homem. Como sabemos Lúcifer era um anjo, portanto um ser sem sexo definido. Aqui, o personagem ganha novas camadas com o peso e carisma da atriz Gwendoline Christie (a Lady Brienne em Game Of Thrones).

O confronto entre Lúcifer e Sandman, por um dos objetos do Senhor dos Sonhos, sem spoilers, é inteligente, sútil, fugindo muito do conceito de batalha com a qual estamos acostumados quando se fala de seres com essa envergadura. Ou seja, para quem esperar luta com espadas, esqueça. Aqui a briga é em outro nível.

Outro personagem importante dentro do enredo é a Morte, apesar da pequena aparição. Ela é a irmã mais próxima do Sonho. E, ao contrário do que estamos acostumados, quando o assunto se trata sobre o fim da vida, temos o tema tratado de forma suave.

A Morte não está para finalizar a vida, mas serve como um complemento a ela. Como um último sorriso amigo, ela busca pessoalmente as pessoas que irão fazer a passagem. E como explica a Sandman, Sonho e Morte estão para servir aos humanos e não o contrário.

Sandman

O que você esperaria de alguém vestido todo de preto. Com ar distante. Gótico. Como se nada, além dele, fosse de fato importante. É assim que temos o personagem principal. Visualmente Dark, ao melhor estilo Tim Burton.

Porém, como toda história, temos uma trajetória de aprendizado. Seja na forma de entender os inimigos, ou na hora de aprender ouvindo os amigos e aliados, ou que existem outros elementos que são importantes além dos sonhos, Sandman vai crescendo com o desenvolvimento dos episódios.

O Sonhar, reino ao qual ele domina, é um lugar de calmaria, onde as pessoas vão quando estão dormindo e por lá se encontram. Um lugar onde os desejos mais profundos podem se realizar e onde elas se encontram como seres viventes.

Sandman, ao contrário do que aparenta, é suave na sua forma de apresentar qual a sua real função. Porém sem perder a capacidade de demonstrar o seu real poder perante os inimigos.

Sonhos são formas sublimes de dar aos humanos esperanças de que o amanhã será melhor. E mesmo em relação aos pesadelos, que todos devemos ter para aprendermos a enfrentar os nossos medos, é demonstrado o quanto eles são necessários.

Sandman trabalha de forma afetuosa sobre o que seriam os sonhos. O que eles representam. O motivo de serem tão importantes durante a nossa trajetória. Você pode até mudá-los ao longo da vida, mas sem eles não há pelo que lutar.

Cada um dos Perpétuos, ainda que não tenham todos aparecidos, trabalham com temas profundos que estão diretamente ligados ao nosso dia a dia, por isso a HQ e Neil Gaiman se tornaram referências do gênero de ficção e fantasia. Agora é espera pela segunda temporada. 

Todos temos sonhos. Qual é o seu?

Canecas, conversas e café

 

canecas


A leitura da semana envolveu o livro da escritora e jornalista brasileira Ana Holanda “Como se encontrar na escrita”. Toda a obra se baseia em um conceito defendido pela escritora chamado de “escrita afetuosa”.

Dentro do livro existem algumas dicas de exercícios para quem gosta de escrever encontrar uma forma de escrever que vise descobrir de forma interna o que seria a escrita afetuosa. A ideia é usar coisas simples e tentar escrever algo que aproxime mais as pessoas. Então vamos tentar.

Canecas de café

Canecas de café se tornaram um item de extrema importância para quem curte um bom café. Virou objeto para colecionadores e também uma forma de presentear alguém que você goste. Se você fizer uma pesquisa rápida na internet vai encontrar vários modelos com os mais variados desenhos. Do simples aos mais elaborados.

Eu tenho duas. Ganhadas. Além de tomar café unicamente com elas, quando estou em casa, o que fica mesmo é o afeto pelo presente. Já comprei algumas para dar também e acho que gostaram.

As minhas envolvem um símbolo de Hogwarts, para quem é fã de Harry Potter vai saber do que estou falando e outra tem uma frase, dessas que quando lemos nos lembramos daquela pessoa especial. 

As que comprei de presente também envolviam esses elementos. Algo relacionado há algum gosto pessoal e outras com frases. Para essas compras não foi exatamente fácil. As escolhas para cada uma envolvem conhecer o outro. Ou ao menos tentar acertar no presente.

Porém, você quer fazer a escolha perfeita, demonstrar o quanto a outra pessoa é especial na sua vida. E isso demanda um certo tempo. Dar um presente é uma demonstração carinho, gostar e muitas vezes saber ouvir.

Esse talvez seja o maior desafio nos relacionamentos. Ouvir o outro. Tentar se colocar no lugar do outro e entender seus sonhos ou frustrações. Conversas servem para isso. E melhor ainda quando vem acompanhada com café.

Conversas

Conversas e café se complementam como detalhes importantes de momentos incríveis, nos quais as vezes não damos o devido valor.

Unir amigos para tomar um café é hoje quase um desafio. Trabalho, filhos, estudos, enfim a correria do dia nos impede, muitas vezes, de aproveitarmos melhor esses momentos.

Café com amigos envolve confiança, muito bate-papo e, principalmente, risadas. São esses pequenos detalhes que fortalecem os vínculos e tornam momentos simples em especiais.

Certamente você tem aquele amigo ou amiga, pode ser até mais de um, que quando conversam, não importa o tema, o assunto vai render. Pode ser sobre as coisas simples do dia a dia ou conversas mais profundas que envolvem a vida, o mundo, Deus ou problemas pessoais de momento. Não importa. O importante é estar juntos.

Tente se lembrar de alguns desses encontros e de como a conversa se encaminhou por caminhos no qual você nem imaginava e ao olhar para trás não lembrar de como chegou naquele assunto ou o porquê ele foi abordado.

É normal nos perdemos nessas conversas, pois amizade muitas vezes é assim, aproveitar a jornada juntos. Em conversas que comecem com coisas simples como filmes ou livros, por exemplo, e se torne algo maior, que reflete desejos, gostos, sentimentos e vira cumplicidade.

Como diria Renato Russo na letra de Um Dia Perfeito “são as pequenas coisas que valem mais”. E é verdade. Muitas vezes focamos em algo grande, no que está por vir, mas deixamos esses momentos mais simples de lado.

Por isso não perca esses momentos. Café e boas risadas nunca são demais.

Músicas e momentos

 

capa do disco - arquivo pessoal 

Não sou escritor. Basicamente escrevo porque gosto, mas não acho que tenha talento para escrever muito mais do que algumas palavras. Livros até poderiam ser uma boa, mas falta a criatividade de um Neil Gaiman, J.K Rowling ou Stephen King. Tolkien então nem se fala.

Estou lendo alguns livros sobre escrita, mas nada que irá me transformar em um autor de best-seller. Normalmente não uso nenhuma técnica, apenas escrevo o que vai se acumulando na cabeça, como é o caso desse texto. Quando junta muita coisa, aí é hora de colocar para fora. Tipo terapia. (😉)

Infelizmente, devido a correria do dia a dia, dificilmente encontro algum tema que ache interessante para escrever. Mas vezes vem algo para escrever que fica martelando e dá aquela sensação de ansiedade para colocar para fora.

Além da escrita, gosto muito de leitura e música que, aliás, foi o “start” para esse texto. Algumas músicas refletem o momento. Outras trazem lembranças. Por isso vamos lá.

Se existe magia no mundo, deve ser a música

Temos bons e maus momentos. Talvez os momentos ruins e difíceis sejam para nos ensinar e lembrar das coisas boas. Naqueles momentos de solidão ou para distrair, surgem certas músicas que nos fazem parar e ouvir atentamente o que o cantor está dizendo.  

É aí que geramos aquela ligação. As vezes com uma pessoa especifica, as vezes um lugar ou um momento. Algumas músicas parecem se encaixar perfeitamente com certas ocasiões.  

Por acaso, essa semana veio à vontade ouvir um determinado disco. O acústico MTV (Unplugged, no inglês) da Alanis Morissette. Para quem nunca ouviu recomendo, independente do gosto musical.

Sempre gostei de violão. Quer me conquistar é ter alguma música no formato “voz e violão”, desde que tenha alguns arranjos bacanas, é claro. Até bandas ou artistas que não curto tanto quando gravam algo nesse formato paro para ouvir.

Mas, sobre esse disco em especifico, é interessante notar como ele consegue ser intimista, profundo e, por acaso, atual. Apesar de ter sido lançado em 1999, cada letra trouxe algo de momento. Para refletir. Difícil não ouvir ele inteiro. É como uma viagem que você não quer que acabe.

You learn (Você aprende) canção que abre o disco é o princípio da coisa toda. Sim, você aprende! Seja em qualquer situação, das melhores as piores, certamente você vai aprender algo ao longo dos dias.

Nesses momentos de alta temática de autoajuda, “You learn” poderia ser o hit baseado nesse tema, mas escrita muito antes do termo entrar na moda e de forma bem-feita, não aquela coisa chata que vemos por aí.

As demais músicas passam por momentos que certamente você já passou seja em pensamentos ou por vivências pessoais. Não dá para descrever cada uma. Precisaria de um texto especial só para o disco.

Alanis Morissetti tem uma mão para músicas intimas, que fala com muitas pessoas. Por isso o disco fez sentido nesses dias. Não são todas as canções é claro, mas no geral, as músicas escolhidas para esse disco seguem uma trilha da nossa vida pessoal.    

Existem aquelas que não são para mim, mas para quem ouvir “You Oughta Know”, música de 1995, vai perceber que as atuais músicas de “sofrência”, tão ouvidas e famosas pelas cantoras sertanejas nacionais, já eram sucesso naquela época. Aliás essas músicas nunca saem de moda, o que muda é o formato e a qualidade do cantor.  

“King of pain” (Rei da dor), cover da banda The Police, é uma daquelas canções que recebem uma nova roupagem na voz de outro artista e ainda assim consegue ficar ótima, diria que até melhor que a versão original. E pelo nome nem é preciso falar muito sobre o que ela trata.

E para finalizar, a música que mais me chamou atenção há tantos anos: “Univinted” (Não convidado), os arranjos e harmonia, com introdução ao piano e todo o desenvolvimento da música, é uma mistura de suavidade e peso que só canções de rock conseguem trazer. E a letra em si, você pode percebê-la de duas formas.

De um lado como o tema da música propõe, quando alguém entra na sua vida, mas sem ser convidado e isso não por mal, mas por não ser o momento de se relacionar com aquela pessoa. Ou quando você não é o “convidado”. Se interessar e não ser exatamente o que há outra pessoa busca. Fica a seu critério como se enxergar.

Não sou de recomendar músicas, cada pessoa tem o seu gosto e é chato ficar dizendo “ouça isso ou aquilo”. Mas abra uma exceção para Alanis Morissette MTV Unplugged. Você pode ter uma grata surpresa.