Eu vejo o futuro repetir o passado


Você já teve aquela música para chamar de sua?

Aquela que quando toca, não importa aonde você está, você para e quer ouvir e, de alguma forma, fica emocionado.

Músicas tem o poder de mexer com a emoção das pessoas das mais diversas formas. E independente do estilo musical de cada um, uma coisa é certa sempre vai existir uma em especial que irá marcá-lo.

Entretanto há outras que podem não marcar de forma sentimental, mas pelo que ela transmite ou como consegue refletir um pensamento ou ideia.

Na nossa música brasileira temos alguns bons exemplos de músicas escritas há muitos anos, mas que ainda conseguem ser atuais, principalmente quando vemos o atual momento do Brasil.

Estamos em uma época de polarização política, religiosa e de tantas outras coisas que nem sabemos ao certo como tudo começou.
capa do disco ao vivo "O tempo não para"


Mas como diria Cazuza em uma de suas músicas “O tempo não para”.

E O tempo não para!

Sim, o tempo não para “dias sim, dias não, eu vou sobrevivendo sem um arranhão da caridade de quem me detesta”. Não é exatamente assim que nos sentimos atualmente? Sobrevivendo?

Passamos por um momento de tantas indecisões, incertezas e cobranças que parece apenas que “sobrevivemos” dentro do mundo maluco e caótico que nos rodeia. Mas ainda assim seguimos a vida.

E porque “O Tempo não Para” ainda continua atual?

Ouça a música novamente e pensa na frase: “eu vejo o futuro repetir o passado”, pense no nosso atual momento político e na declaração do Deputado Federal Eduardo Bolsonaro sobre um possível novo AI-5.

Logicamente que devemos interpretar a frase do Debutado e salientar o “possível” e não entender que será exatamente isso que de fato irá acontecer.

E ainda que a frase dele tenha sido infeliz, pois rendeu muitas críticas, e posteriormente ele tenha pedido desculpas, devemos ficar atentos a esse tipo de situação.

Já vimos que existe um apoio por parte de algumas pessoas a volta dos militares ao poder, como se isso fosse resolver os problemas do país e acabar com a corrupção. Mas isso não é tão simples assim.

O tempo não para faz parte do álbum ao vivo de Cazuza que leva o mesmo nome da música. Lançado em 1988, pós termino do regime militar.

Ao pesquisar as análises da música, como estamos fazendo, não é difícil perceber que todos que escrevem sobre ela o fazem a partir de uma reflexão mais política.

Isso talvez ocorra pelo fato de o rock ser um estilo de música que, assim como o rap, tem uma pegada mais de protesto.

Muitas músicas de rock têm esse tom mais politizado, por isso durante muitos anos era visto como música para jovens rebeldes.

E não era isso que o Cazuza era um rebelde da sua época que buscava através da música expressar um sentimento de revolta com o que via no país e no mundo?

Repare como “O tempo não Para’ é cantado. Subindo o tom de revolta conforme a música avança. 
Em forma de um grito raivoso que busca mostrar a indignação com o que estava acontecendo. Assim como fazemos hoje.

A diferença é muitos querem fazer isso através de redes sociais e sem embasamento nenhum. E apenas repetindo o que se vê na tv.

Foi assim que acontece antes e assim está acontecendo agora.

A história se repete


Historiadores sabem o quanto a história funciona em ciclos. Acreditamos que, devido a era da informatização e conectividade, esses ciclos podem estar se repetindo, mas agora mais rápido.

Por que isso? Em 1962 a opinião pública em sua maioria, abraçou a ideia de “temor” comunista e passou a hostilizar, principalmente, o governo de João Goulart.

Muito se falava em comunismo e comunistas e, cá entre nós, vivíamos o apogeu comunista no mundo. A “ameaça” era real (não sei se ameaça ou eminência, não devemos tratar como bonzinhos e malvados).
imagem sobre o comunismo nos anos 60



Entretanto muitos parecem ter esquecido os velhos métodos e os velhos fantasmas e começamos a ver, espalhados com a velocidade vertiginosa das redes sociais, vídeos e campanhas (ao que tudo indica, particulares, sem vínculo com a situação governamental) de pessoas instigando ações como o “fechamento do congresso”, “ação militar” e “AI-5”.

E, se pararmos para observar o discurso de alguns, existe um novo “temor comunista”, principalmente quando observamos as situações de países vizinhos como Venezuela, Cuba e, atualmente, os protestos relacionados a crise no Chile.

Entretanto a diferença é que, agora, essas ações partem do governo que quer moldar a opinião pública, para se blindar, em um apoio massivo.

Em quase todo discurso do atual governo vemos algo relacionado ao comunismo e de que existe a intenção de transformar o Brasil em uma “nova” Cuba.

Infelizmente os problemas que surgiram nos últimos anos, são basicamente relacionados a corrupção que eclodiu no país durante um governo de esquerda, o que abriu a possibilidade para que discursos assim voltem à tona.

E, o principal canal de formação de opiniões, é oposição ao governo, como em raríssimas vezes aconteceu na história do nosso país: a Rede Globo.

Não estamos dizendo para que se condene o governo, a internet ou a Globo, pois ainda que este último seja um grupo de comunicação, e deveria trabalhar para isso, lembremos que é uma empresa que visa lucro e tem seus próprios interesses. 

Estamos aqui sugerindo que tentemos ser críticos com as notícias, com os vídeos e com a internet. 

Não confiar em ninguém deveria ser a palavra de ordem.
Sempre que uma grande crise aparece muitas pessoas são levadas ao extremo e apoiam coisas que não deveriam acontecer.

Não podemos esquecer que foi o discurso contra o comunismo que abriu o caminho para o regime militar que matou milhares de pessoas.

Analisem a situação de maneira cética e com os pés no chão. E lembrem-se: não se pode confiar em um governo de apenas um homem só.

E saiba que ainda estão rolando os dados!!



Nenhum comentário:

Postar um comentário