Sapiens: Deuses que não sabem o que fazem


por: Vagner Melo 

“Existe algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?”

Essa questão encerra o livro “Sapiens - Uma breve história da humanidade” do historiador e professor israelense Yuval Noah Harari.

O livro publicado em hebraico e lançado incialmente em Israel, ganhou várias traduções ao redor do mundo e se tornou um dos maiores best-sellers dos últimos anos

Longe de ficar apenas contando fatos, Yuval Harari propõe novos conceitos, trabalhando sobre três revoluções que alteraram a forma como a humanidade passou a agir com o passar dos tempos.

Atualmente são poucos os escritores que conseguem, de forma cativante, apontar novas visões sobre o mundo e instigar o leitor até o final do livro.

Por isso Harari vem ganhando muito destaque e se tornando um dos pensadores mais procurado para palestrar no momento.

E pensando na citação acima, de fato, aparentemente é isso o que nos tornamos ultimamente, “deuses” insatisfeitos que não sabem o que fazem.

 

O mundo em nossas mãos

 

Para melhorar a própria vida moldamos a natureza a nosso bel prazer, pensamos apenas em nós mesmos, no desenvolvimento e lucro, e sempre com o argumento de que isso diminuirá nossas próprias diferenças.

Além do meio ambiente alteramos também a biologia dos seres. Já fomos capazes de clonar um animal, lembre-se do caso da ovelha Dolly, e agora queremos mudar a biologia humana.

A ciência é a revolução do momento, e as discussões até aonde ela deve chegar ou quais limites que não podem ser ultrapassados são o foco.

Na maioria dos casos o discurso é o mesmo, fazemos isso ou aquilo no intuito de melhorar a vida das pessoas ao redor do mundo, mas será que melhoramos de verdade?

Hoje a “regra” é ser inovador o tempo inteiro. Existe uma necessidade de estar a todo momento criando, pensando ou desenvolvendo alguma atividade.

Queremos sempre mais, sendo esse, talvez, um dos grandes problemas da atual sociedade. A busca incessante pela felicidade é um dos motivos que possibilitaram o aumento no número de casos de pessoas com depressão ao redor do mundo.

Muitos se tornam obcecados por um objetivo, por resultados, entretanto se esquecem de parar e observar tudo aquilo que já conseguiram conquistar.

 

Sabemos realmente qual o nosso papel no planeta?

A humanidade dominou todas as áreas do planeta através da colaboração mútua. Trabalhar em sociedade, criando meios para sobreviver em conjunto foi o passo inicial para a expansão humana.

Essa união permitiu a proteção dos indivíduos e ainda ajudou a subjugar animais maiores e mais fortes, proporcionado um domínio territorial. Mas o que era apenas uma forma de encontrar alimento e autoproteção, se tornou, com o tempo, um domínio cada vez mais excludente.

Ninguém sabe exatamente como as outras espécies do gênero Homo desapareceram, como o Homem de Neandertal (Homo neanderthalensis), mas a julgar pela tendência para a violência do Sapiens, provavelmente tivemos alguma participação nesse processo.

Em vista disso, regras precisaram ser criadas para se manter a ordem nas sociedades que começaram a surgir. Motivadas principalmente com a concentração cada vez maior de pessoas em um mesmo espaço.

Religião, economia e política são os pilares que sustentam nossa sociedade. Entretanto, cada um desses três aspectos se alterou ao longo da história no controle sobre como as pessoas pensavam o mundo.

Somos a única espécie do planeta capaz de imaginar coisas inexistentes. Por isso acreditamos em certos tipos de salvação ou que elementos criados podem melhorar nossa vida.

Atualmente a economia é o que predomina nas escolhas humanas. Nunca produzimos tanto quanto agora na história humana.

Enquanto isso, as opiniões políticas se baseiam mais em achismos do que em reflexões profundas ou estudos, e nos matamos por motivos religiosos.

Por sermos mais “inteligentes”, acreditamos que podemos fazer de tudo e não encontramos limites para isso. 

Cada vez mais retiramos do meio ambiente, mas não repomos ou trabalhamos para diminuir os excessos que cometemos.

Nunca estamos satisfeitos e, ao invés de ver o presente, buscamos o futuro incessantemente, gerando ansiedade, o que torna boa parte das pessoas infelizes.

A história da humanidade mostra que temos uma enorme responsabilidade com o planeta no qual vivemos. E é preciso refletir sobre essa responsabilidade, pois muito já foi perdido.

Mudar o mundo não iremos, precisamos mudar a nós mesmos internamente e começar a refletir sobre atitudes, situações e o que faremos com o planeta daqui para a frente.

A natureza já está cobrando os juros pelos nossos erros.

Precisamos saber e entender os caminhos que cada escolha traz, do contrário continuaremos a viver como “deuses” que não sabem o que fazem.

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