O ódio nosso de cada dia

 

ódio nosso de cada dia

por: Vagner Melo

Ódio pode ser considerada uma palavra forte quando nos referimos a não gostar de uma situação ou de alguém, mas basta dar uma passeada por aí e perceber que parece ser esse o sentimento que move as pessoas.

Veja as discussões no trânsito, brigas de torcida, violência doméstica, ofensas via internet, vizinhos e todo espaço onde pessoas convivem.

Redes sociais que deveriam servir para conectar e aproximar as pessoas se tornaram um terreno fértil para ofensas, muitas delas feitas através de avátares que não existem. 

O que hoje é considerada a geração Mi MI MI, é na verdade a geração que não tinha a oportunidade de espalhar sua frustração, seus pré-julgamentos e sua pobreza de ideias e visam atacar o que é diferente ou o que vai contra as suas ideias.

E olha que temos muitas pessoas que possuem níveis acadêmicos consideráveis e que dentro de um aspecto social coerente, deveriam, no mínimo, tentar ouvir o outro lado.

Se tornou comum transferir as responsabilidades para os outros, ao invés do diálogo para resolver as diferenças, observamos o baixo nível que parece tomar conta das pessoas ultimamente.

Reagimos mal ao que é diferente


A humanidade sempre possuiu um comportamento avesso ao que é diferente.

O professor e escritor israelense Yuval Noah Harary levanta uma questão interessante em seu primeiro livro, Sapiens – Uma breve história da humanidade.  Ao longo do desenvolvimento humano outras espécies de homens também andaram pela face da terra além do sapiens, e possivelmente ambos se encontraram em algum momento.

Entretanto, por algum motivo esses outros humanos não chegaram à atualidade, sendo extintos há muitos e muitos anos atrás. A julgar pela quantidade de animais que entraram em extinção pela mão humana, e vendo como hoje são tratados negros e gays, não é difícil imaginar o que pode ter acontecido.

Reagimos mal ao que é diferente. E basta que o diferente seja apenas uma simples opinião, crença, torcida ou lado político.

Lado politico que se tornou o foco de uns anos para cá. Com o auxilio da internet e das redes sociais surgiu um campo de discussões e ofensas. O que deveria ser um debate de ideias, é na verdade o desejo de opinar sobre tudo, através de achismos e negacionismo.

E isso dos dois lados. Da mesma forma que torcedores se matam em arredores de estádios por acreditar que o seu time é melhor, direita e esquerda se digladiam para defender seus “políticos de estimação”.

E é aqui que as discussões ficam pior. Ninguém debate ideias, apenas ofendem e desmerecem as possíveis ações que o outro lado poderia ter. Vencer o debate se tornou mais importante do que encontrar soluções viáveis para todos.

É basicamente igual com as discussões religiosas. Os religiosos mais fanáticos tendem a acreditar a sua crença é superior as demais. E isso não acontece apenas em país do oriente médio, no mundo ocidental sabemos o que aconteceu com grupos ou pessoas que não seguiam os preceitos da maioria.

Olhar para dentro


Temos enormes dificuldades em olhar para dentro e observar o nosso mal comportamento. Caso duvide, basta perceber como muitas pessoas costumam transferir responsabilidades.

A culpa é sempre do outro. Em relacionamentos, por exemplo, é comum colocarmos a culpa no outro. Quando algo não vai bem, um parceiro tende a culpar os problemas do casal na outra parte.

É sempre que o outro não entende. Que não sabe conversar. Quer uma prova? Você por acaso já viu alguém comentar “Ela terminou comigo porque eu sou muito chato e folgado”? Acho que não né.

No mundo corporativo é a mesma coisa. É comum acreditar que alguém que tenha sucesso em um cargo é por que tem sorte ou por que tem um contato forte. Não que isso de fato não aconteça, mas são poucos os que admitem que as vezes não tem preparo necessário.

Da mesma forma é sempre o governo o culpado pelos problemas sociais. Sim existe muita incompetência e corrupção no meio político, mas é comum a atuação do “jeitinho brasileiro”.

Jogar lixo na rua, pagar um policial para não levar multa, driblar a receita federal, fazer o chamado “gato” na TV paga, enfim para tudo haverá uma desculpa do qual eu não tenho culpa.

Perfeito não somos, mas cabe a nós olhar para dentro e observar como nossa vaidade afeta os demais e o mundo como um todo. 

Ver em que podemos melhorar e como chegar a um consenso para tentar diminuir o ódio que impera na nossa sociedade nos últimos anos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário