Nós criamos nossos inimigos


Por: Vagner Melo

Sempre que há uma crise, buscamos formas simples para solucionar os nossos problemas. E como nosso cérebro se acostuma com coisas simples e busca não fazer muito esforço, procuramos as soluções mais rápidas.

Alguns dos nossos problemas costumam aparecer com o tempo e não nos damos conta e quando o vemos, fica mais difícil de resolver.

Quer um exemplo?

Queremos uma vida saudável, mais saúde, mas temos hábitos alimentares ruins e, principalmente, uma certa preguiça em atividades físicas.

E aí vem aquela resolução. Vou mudar!!

Imagine ter que começar tudo de novo. Do zero. Mudar hábitos que já duram anos, tudo para chegar ao ideal que você deseja.

Mas nesse momento você acredita que não conseguirá. Que é muito difícil, que as coisas poderiam ser mais simples. Nesse caso, você é, aqui, o seu inimigo. E você o criou. Ainda que de forma inconsciente.

Ah, mas eu sou feliz assim!! Ok. Ótimo, que bom.

Mas e nas outras coisas?

Costumamos procrastinar em um relatório no trabalho, nos textos que devemos escrever, nas atividades do dia a dia (Ah depois eu faço/Depois eu vejo/Vamos ver), e isso se torna um hábito ruim e, ainda por cima, acumula uma quantidade de coisas que nos deixam com crises de ansiedade.

Pois é nesse momento que seu cérebro fica remoendo as coisas que você precisa fazer. Isso sem contar os nossos medos, falta de autoestima, falta de disciplina e outras faltas que podemos ter.

E temos aqui o nosso inimigo. Nós mesmos.

Talvez o nosso maior desafio não são os desafios que a vida traz, mas vencer nossas acomodações, pensamentos, nossos hábitos.

E não pense você que isso se limita apenas ao seu mundo pessoal. Queremos mudar o mundo. Sim e quem não quer?

Mas sabe aquela história de “essa culpa eu não carrego”? Bom talvez não seja bem assim.

Pensemos no nosso atual momento. A crise que o país está passando não começou hoje. Sem contar a pandemia, as outras situações como desemprego, falta de segurança, economia, já vem de uma série de erros anteriores.

Você pode não apoiar o atual governo, o presidente, seus ministros e demais componentes dos governos atuais. Mas talvez apoie os que estavam antes, que, se não são tão ruins quanto estes, também não são tão melhores assim.

Hoje, o país vive um momento de crise que a atual geração não vai esquecer. Podemos dizer que estamos vivendo um momento importante na nossa história.

E a história está aí para nos ensinar que situações de crise geram problemas ainda maiores quando fechamos os olhos para certos sinais. A ascensão do Nazismo foi um exemplo. A partir de uma crise econômica, um grupo, liderados por uma pessoa, chegou ao poder com um certo apoio e criou um dos piores momentos da história mundial.

A chegada do atual presidente brasileiro ao poder se deu por um motivo: o governo passado gerou uma crise em vários níveis que possibilitou a abertura para que uma pessoa sem nenhum preparo chegasse ao poder.

E aqui não estou nem falando das barbaridades que o atual mandatário nacional fala, me refiro a sua total incompetência em estar onde está. Os sinais vinham aparecendo, mas quem permitiu de fato que ele chegasse lá, foram as pessoas que contribuíram para um dos maiores escândalos de corrupção que vimos.

E aí você soma, crises econômicas, escândalos de corrupção, país indo ladeira abaixo, isso contribui para aparecer aqueles “revolucionários”, “mitos”, ou qualquer outro ser messiânico que possa surgir. Os supostos heróis que darão um jeito em tudo, porque são diferentes. E são esses que encontram vozes similares e começam a fazer barulho.

Mas então vemos que tudo não passou de retórica. Na verdade, eles não são tão diferentes assim. Pode mudar o lado ou a cor, mas no final do dia, só se importam com seus pares, amigos, parentes. E o resto que se vire.

A esquerda criou o seu pior inimigo. Mas isso devido aos seus próprios erros.

Por que temos um governo atual assim? Porque os anteriores foram tão ruins quanto.

Por que sua vida não vai adiante da forma como você gostaria? Talvez porque em algum momento você relaxou, se acostumou e chegou em uma zona de conforto que agora não consegue sair.

Reflita sobre o seu momento e o que você quer mudar. Reflita sobre os atuais governantes, aqueles que estão no poder e aqueles que querem voltar a ele. Será que todos eles são o que você gostaria?

Se nada estiver como você gostaria, marque um ponto de virada.

Pense: “Vocês não me representam!!”.


Um comentário:

  1. Vou me expressar sem tentar parecer místico.
    Desde que li Hegel me pergunto sempre se essa escalada de evolução, essa constante roda da história, não possui seus passos demarcados.
    Segundo Hegel, na história sempre teremos a evolução de uma tese, seguida de uma antítese, finalizadas com uma síntese.
    Em outras palavras, uma posição sempre será combatida e(em geral) substituída por uma oposição. Ambas terão suas melhores (será?) partes unificadas em uma composição.
    Essa evolução das ideias, dos movimentos, das artes, marca também a evolução do homem. Não seria apenas o procrastinar uma melhoria ou decisão (corro o risco de parecer místico agora). Mas será que já estatia tudo pronto para próximo passo? Veja bem, não me refiro ao postergar um relatório da empresa. Me refiro mais às mudanças. Aquelas que são necessárias mas que parecem faltar um dedinho.
    Nós brasileiros precisamos ser mais políticos, no sentido grego do termo, participando e agindo diariamente no país como organismo. De que maneira iniciar isso se não em vãs discussões acaloradas no boteco?
    Acho que estamos evoluindo. Mas, sem bem me lembro dessa mesma roda de outras Nações, os próximos passos me preocupam.

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