O chamado à aventura


O chamado à aventura

por: Vagner Melo

Você certamente já passou por alguns momentos na sua vida no qual não sabia como agir e tenha ficado com medo de não conseguir resolver os problemas pessoais que surgiram.

Algumas situações surgem quase que de forma inexplicável e você sente uma necessidade de mudar. Talvez você possa não saber exatamente o quê e nem como, mas sabe que deve alterar algo na sua vida.

Esse momento podemos considerá-lo como “o chamado à aventura”.

Para quem nunca ouviu falar sobre esse termo, saiba que ele foi criado pelo escritor, pesquisador e mitologista Joseph Campbell no seu livro “O Herói de Mil faces”, publicado em 1949.

Campbell, que era apaixonado por mitologia e religião, além dos estudos psicológicos e descobertas de Carl Jung e Freud, percebeu, através de seus estudos, que grande parte das histórias no qual muitos de nós cresceram ouvindo e lendo, seguiam quase que um padrão comum.

No livro, Campbell aponta que os “heróis” das histórias, sejam elas religiosas ou mitológicas, passam por 12 etapas como “o mundo comum”, “a recusa do chamado”, “a travessia do primeiro limiar”, além do chamado à aventura.

É por isso que histórias como Star Wars, Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Matrix, Jogos Vorazes e muitas outras acabam caindo no gosto popular. Todas elas apresentam o mesmo estilo narrativo, que hoje é defendido como uma boa maneira de se contar uma história de sucesso.

Essas histórias são aquelas que nos inspiram, que fornecem os mais diversos desafios aos seus personagens, onde eles vencem seus medos e limitações e retornam para casa, ao final da aventura, como um indivíduo melhor.

A jornada do herói

A jornada do herói é como uma representação arquetípica das nossas vidas, repleta de desafios, momentos alegres e tristes, vitórias e derrotas, mudanças e transformações.

O chamado à aventura é aquela necessidade que sentimos quando queremos mudar ou experimentar algo novo. É quando algo não vai bem, como a falta de um emprego ou um trabalho de que não gostamos e queremos muda.

Mas muitas vezes temos medo dessa mudança, pois não acreditamos no nosso potencial. E talvez a nossa primeira grande aventura seja a saída da casa dos pais, pois sim, isso se relaciona diretamente com o que Campbell percebeu.

Pode não parecer, mas “sair de casa” pela primeira vez é um grande passo para muitas pessoas que, assim como muitos heróis mitológicos, estão totalmente confortáveis no seu “mundo comum” e inicialmente se recusam ou hesitam em aceitar o chamado, pois não acreditam que serão capazes de conseguir sobreviver sozinhos.

E essa saída, a passagem pelo primeiro limiar, é quando acontecem as descobertas de um novo mundo, as vezes sozinho, mas que contará com novos “personagens”, alguns aliados e por que não, também com alguns inimigos.

Aqui é o momento de descobertas internas, o conhecimento das nossas forças e de perceber que possuímos uma capacidade antes desconhecida.

Histórias de ficção e fantasia podem parecer criações imaginativas que poucos tem capacidade de criar, mas elas são na verdade partes inconscientes de nós mesmos.

Pensamos que não conseguiremos realizar coisas gigantescas, mas pense em tudo o que você já fez ou realizou ao longo da sua vida. Certamente, em algum momento, alguém olhou para você e pensou que nunca conseguiria fazer as coisas que você faz.

Nos inspiramos em personagens fantásticos, mas por que não sermos nós a inspirar alguém?

As vezes o chamado está aí, basta colocar o pé para fora. A sua jornada está só começando. Não tenha medo!

Queremos ser heróis

 

Queremos ser Heróis


Por: Vagner Melo 

Heróis sempre acompanharam o imaginário popular. Conhecemos histórias de homens divinizados desde os primeiros registros escritos que conhecemos. Na Grécia antiga, além dos deuses, temos heróis como Ulisses, Hércules, Aquiles e tantos outros que possuíam capacidades sobre humanas.

Com o passar dos anos, novos heróis foram surgindo, alguns dentro do seu tempo histórico, mas participando de situações adversas que o tornaram especiais. Um bom exemplo são as lendas do rei Arthur. 

No século XX as histórias ganharam um novo grupo de pessoas com poderes incríveis: Os super heróis. No final dos anos 30 e começo dos anos 40, tivemos um boom de personagens com superpoderes e com capacidades extraordinárias que podem fazer coisas fantásticas.

Tivemos nesse período a modernização dos deuses, mas agora com capas, máscaras, poderes e habilidades que atraem milhares de pessoas, principalmente os meninos.

E não importa a idade, desde cedo é comum vermos crianças em brincadeiras lúdicas imaginado ou citando que são algum herói e que estão voando, que vão correr super rápido ou quebrar algo.

As Histórias em quadrinhos, principal responsável pela apresentação desses novos deuses se tornaram as principais companheiras de milhares de garotos, que se “perdem” em meio as histórias de seus heróis favoritos.

Personagens como o Super-Homem e Homem-Aranha caíram no gosto do público por se apresentarem como pessoas simples, mas que escodem sua real identidade, para proteger as pessoas próximas.

E se faltam poderes excepcionais, temos aqueles, como o Batman ou o Homem de Ferro, que são bilionários e utilizam equipamentos altamente tecnológicos para fazer coisas que pessoas comuns não conseguem. 

Representação do imaginário

Quem não gostaria de voar? Ser extremamente forte ou Invencível? Ser um gênio, playboy, bilionário e filantropo, com capacidade para construir armas e armaduras incríveis?

Não importa o tipo de poder, quando um garoto não se encontra em seu mundo, ele certamente irá sonhar ou imaginar como seria ter algum tipo de poder e assim conseguir enfrentar garotos mais fortes ou maiores do que ele.

Meninos na fase de transição da infância para a adolescência, momento onde ocorrem muitas mudanças pessoais, se identificam muito com histórias de super heróis, pois representam no seu imaginário situações onde poderiam utilizar os seus poderes e ajudar outras pessoas.

É esse um dos motivos de o Homem-Aranha/Peter Parker ser um dos heróis mais famosos. A sua proximidade com o público jovem, representado no pagamento de contas, tentativas de equilibrar a vida pessoal com as atividades de herói e os desdobramentos que isso traz o tornam quase que uma pessoa comum.

Clark Kent, o Super-Homem, também tem um pouco disso. Apesar de ser um alienígena quase indestrutível, ele possui um trabalho e consegue esconder sua real identidade muito bem, criando uma personalidade completamente diferente daquela do herói que as pessoas admiram.

Esse imaginário popular de deixar de ser, por um tempo, uma pessoa simples para fazer coisas admiráveis é o que mantem os heróis na cabeça das pessoas. E hoje isso está ainda mais em evidencia.

Atualmente temos uma avalanche de filmes baseados nesses personagens e que arrastam cada vez mais público aos cinemas. 

Curtir heróis deixou de ser uma coisa de garotos geeks e nerds para se tornam sinônimo de pessoas descoladas. Camisetas, bonecos e outros tantos objetos agora são relíquias de colecionadores das mais diversas idades.

Vestir uma camiseta de herói quando adulto é poder voltar ao passado, nos momentos solitários, acompanhados por uma história em quadrinhos, quando o herói salva o dia e volta para casa sabendo que fez a coisa certa.

Heróis foram e ainda serão por muito tempo guias morais e companheiros de garotos nas primeiras fases da adolescência. E por mais que a tecnologia avance, as histórias em quadrinhos irão ganhar novos adeptos e fãs que não deixaram de sonhar que podem ser como um Homem-Aranha ou Super-Homem.

Ainda queremos ser heróis!!