Freddie Mercury por Jim Hutton

 

capa do Freddie Mercury por Jim Hutton

Por: Vagner Melo


A vida pessoal de artistas, como a do vocalista do Queen, Freddie Mercury, nunca me interessou tanto. Gosto de algumas biografias para conhecer a forma como as pessoas trabalham ou como desenvolvem as suas obras.

Contudo o livro Freddie Mercury por Jim Hutton, traduzido do livro “Mercury and Me”, traz mais um pouco da vida do vocalista do Queen e ajuda a entendê-lo como pessoa também como artista.

Passado nos últimos anos da vida do cantor, o livro é um relato pessoal de Jim Hutton, último companheiro de vida de Mercury e que esteve com ele após a sua descoberta ao saber que estava com o vírus do HIV.

Contudo, o livro não traz meia palavras e mostra de forma direta como Freddie era na sua vida pessoa. A forma como lidava com as pessoas, companheiros e a sua relação com a impressa que nuca foi das melhores.

Para quem é mais purista e gosta apenas do lado profissional e genialidade de Freddie Mercury em compor ou em cima dos palcos pode esquecer.

Aqui temos um relato da pessoa, que tinha os seus dias bons e ruins e, dentro do que atualmente conhecemos como relacionamentos “tóxicos”, era uma dessas pessoas que queria ter o controle sobre tudo e todos. Principalmente nos relacionamentos.

Sexo, intimidade, brigas e momentos felizes e curiosos, o livro foi para Jim uma forma de aliviar o seu luto após a morte do cantor, e também serviu para trazer ao mundo o que Freddie sempre quis guardar, a intimidade do casal.

Após conhecer Jim, Freddie se tornou uma pessoa mais reservada, caseira e família, ainda que mantivesse o mundo girando ao seu redor. Tanto que o livro basicamente se passa na mansão do cantor.

Um relato pessoal de Jim Hutton

Após conhecer Jim, Freddie se tornou uma pessoa mais reservada, caseira e família, ainda que mantivesse o mundo girando ao seu redor. Tanto que o livro basicamente se passa na mansão do cantor.

Nesse momento, até os outros membros da banda reconhecem uma mudança em Mercury, que sempre foi bem ativo na questão sexo, drogas e rock and roll.

Jim era avesso ao mundo da fama e do rock, tanto que ele mesmo confessa que nem sabia quem de fato era Freddie Mercury quando se conheceram, coisa rara nos anos 80, pois certamente Mercury deveria ser uma das pessoas mais famosas do mundo.

Contudo, inicialmente Jim Hutton seria apenas mais um ser usado e causar ciúmes no então namorado de Freddie a época. Por volta de 1985/1986 Mercury passava muito tempo na Alemanha, pois era um país mais tranquilo e Freddie poderia se sentir mais “livre”.

Porém, Jim, ao longo do tempo, se tornou seu companheiro fiel, pois demonstrou um lado que Freddie não conhecia. Ele se tornou uma extensão da família, a base de Freddie nos últimos anos de vida do cantor, após a sua descoberta em relação ao vírus da AIDS.   

Mais tarde Jim viria a saber que também era soro positivo, porém teve uma vida mais extensa, vindo a falecer em 2010 devido a um câncer no pulmão, devido ao habito de fumar.

Ao contrário do filme de 2018, Bohemian Rhapsody, que trouxe um pouco da biografia de Freddie e do Queen, ainda que alterando alguns momentos da banda e da vida de Freddie, a descoberta da doença não deixou Freddie mais “humilde”.

A mudança de fato ocorreu na forma de encarar o trabalho, onde ele buscou entregar o máximo possível antes do fim da vida, que na época sabia-se que seria inevitável pois não havia os tratamentos que temos hoje.

Muito por isso, Freddie também se tornou mais reservado, com passeios para lugares onde a imprensa não estivesse, ainda que as festas se mantivessem grandes e as compras para a casa exorbitantes.

Jim esteve com Freddie em seus últimos momentos, talvez tenha sido a pessoa que mais sofreu com a sua partida, afinal além do companheiro, ele também perdeu seu “espaço” em casa.

Jim cita também um pouco da sua relação com May Austin, namorada e grande amor da vida de Freddie Mercury. Ela, contudo, não demonstrou muita simpatia por Jim, fazendo com ele e os outros moradores da mansão de Freddie fossem obrigados a sair de lá, mais rápido possível e sem muita cerimonia.

E essa leve “antipatia” é mostrada já nos funerais de Mercury, quando Jim não pode acompanhar o cortejo no primeiro carro que acompanhava o caixão do cantor, isso por ordem de Mary.

Por fim, o livro em si é um relato pessoal, um diário de uma pessoa que teve a oportunidade de estra com uma das pessoas mais famosas do mundo do rock por 7 anos. Sem cerimonias, Jim mostra Freddie no seu dia a dia. Como qualquer outra pessoa e que pelo visto, esquecendo o lado extraordinário do cantor, era uma pessoa complicada de se lidar.

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