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| Jürgen klopp: Google imagens |
Costumamos olhar para o passado ao relembrar de jogadores
que fizeram história ou marcaram sua passagem por um time de futebol.
Da mesma forma, alguns técnicos conseguiram entrar para
história por alguma inovação tática, maneira de jogar ou característica própria.
Como exemplo nacional temos Telê Santana ou “Mestre Telê”
como a torcida do São Paulo gosta de chamá-lo.
Mas Telê Santana não ficou apenas na memória da torcida
tricolor pelos títulos conquistados e por ter elevado o status do clube, mas
pelo trabalho que buscava desenvolver com seus times.
Referência maior é a famosa seleção brasileira de 1982 que, mesmo
não ganhado a Copa do Mundo, entrou para a história do futebol mundial como uma
das maiores seleções que existiu.
Há alguns anos atrás foi a vez do espanhol Pep Guardiola,
dirigindo o Barcelona, se tornar uma referência entre os técnicos e amantes de
futebol moderno e bem jogado.
Buscando sempre o gol e dando importância a posse de bola,
Guardiola dirigiu um dos grandes times da história do futebol e, de certa
forma, transformou o futebol atual, fugindo daquela coisa pragmática que pensa apenas
em resultado.
Se o Barcelona tem o status que tem atualmente, muito se
deve a Pep Guardiola.
Obviamente que o resultado é importante, mas no futebol
existem coisas a mais a se pensar.
Por isso a construção desse texto, pois há alguns anos um
outro treinador vem ganhando destaque no âmbito mundial, o alemão Jürgen Klopp.
Klopp foi zagueiro enquanto jogador, defendeu o Mainz 05 da
Alemanha. Mesmo não sendo brilhante, se destacava pela vontade, inteligência e
profissionalismo. Como jogador Klopp atuou 325 vezes e marcou 52 gols.
Em 2001, começou a carreira como treinador no próprio Mainz,
e conseguiu o feito de subir a equipe para a primeira divisão e chegar a uma
competição europeia pela primeira vez.
No ano de 2008 Klopp chegou ao Borussia Dortmund e conseguiu
rivalizar durantes os anos seguintes com o maior clube da Alemanha, o Bayern de
Munique.
Foi bicampeão da Bundesliga e venceu duas vezes a Copa da
Alemanha, além de chegar outras três vezes a final.
Só não foi capaz de vencer a Champions League temporada
2012/2013 contra o rival alemão. Perdendo a final em Wembley por 2 a 1.
Mas foi em 2015 que veio o maior desafio da carreira do
treinador até então, comandar o Liverpool e leva-lo ao protagonismo europeu
novamente.
De volta ao protagonismo
Mesmo sendo campeão da Champions League em 2005, o Liverpool
passou os últimos anos sem ser protagonista na Inglaterra.
Viu times de menores expressão como Chelsea e Manchester
City crescerem e o maior rival, o Manchester United, dominar o cenário nacional
se tonando o maior campeão do campeonato inglês.
De primeiro grande clube da Inglaterra, se tornou um
coadjuvante de luxo, grande em história, mas sem protagonismo.
Desde que o campeonato inglês mudou seu formato, hoje como a
Premier League, o time da terra dos Beatles não conseguiu vencer nenhuma vez,
se limitando apenas em vencer algumas copas.
Em 2010 o clube foi comprado por um grupo americano, dono
também de outras equipes esportivas, como o Boston Red Sox, time americano de
beisebol.
Com o tempo o time foi voltando a ser respeitado e temido,
batendo na trave na temporada 2013/2014 ficando em segundo lugar. O campeão foi
o Chelsea.
Entretanto, foi quando Klopp chegou que a equipe mudou de
patamar definitivamente. O alemão parece que entendeu melhor que os treinadores
anteriores como o clube deve ser.
Vemos hoje uma simbiose perfeita.
Torcida, time e treinador parecem ter o mesmo espirito
quando o Liverpool joga. Dentre as maiores viradas até o momento, o jogo de
volta das quartas de finais da UEFA Europa League, na temporada 2015/2016
contra o Borussia Dortmund.
Vitória por 4 a 3 em casa, após estar perdendo por 3 a 1.
E a goleada, na temporada passada contra o Barcelona, na
semifinal da Champions League. Derrota por 3 a 0 em Barcelona e vitória em Anfield
por 4 a 0, com uma atuação fantástica de toda a equipe, em um jogo que a grande
maioria dava a classificação do Barça como certa.
O título da Premier League ainda não veio, mas o da
Champions League finalmente aconteceu para o treinador alemão, que já começava
a ganhar fama de pé frio em jogos mata-mata.
Após duas derrotas nas finais da Champions, contra Bayern e
Madrid, a segunda já no comando do Liverpool, após um jogo desastroso do
goleiro Loris Kariius, finalmente aconteceu o título europeu.
Vitória contra o rival inglês Tottenham, em Madri, por 2 a 0.
Mas o que faz do treinador especial?
A simbiose perfeita
Primeiro passo foi entender que para conquistar os
resultados esperados é preciso tempo e muito trabalho.
Quando chegou ao clube, Klopp pediu um tempo para que os
resultados começassem de fato a acontecer. Disse que três anos seria o tempo
ideal para que algo mude de fato, e foi isso que aconteceu.
No ano seguinte veio a primeira final, pela UEFA Europa
League, infelizmente derrota.
Na temporada 2017/2018 final da Champions League e outra
derrota, mas o clube já apresentava sinais de crescimento e buscas por coisas
maiores.
E em 2018/2019 veio o tão aguardado título. O 6° do clube na Champions, se tornando o
terceiro maior vencedor do torneio, atrás apenas do Real Madrid, 13 títulos e
Milan com 7.
E para se chegar a duas finais de Champions seguidas e
conquistar o título foram necessárias pequenas mudanças na equipe principal.
Basta observar a diferença que aconteceu no sistema
defensivo da equipe após a chegada do zagueiro Virgin Van Dijik e do goleiro
Alison. Ambos deram mais segurança ao time e aos torcedores.
Carismático e sempre com sorriso no rosto, dificilmente
vemos o técnico mal-humorado. Logicamente que algumas derrotas o deixam
enfurecido, afinal ninguém gosta de perder.
Mas não dá para não olhar para a beira do campo e não prestar
atenção ao treinador, que passa o tempo todo se movimentando e gritando com a
equipe, mesmo quando o time está vencendo.
Klopp é um personagem a parte nos jogos dos reds. O tempo
todo inquieto, parece, às vezes, um torcedor olhando para o seu time do coração
jogar.
E dentro do campeonato inglês são poucos os clubes que
possuem uma torcida tão intensa quanto a do Liverpool. E mesmo na Europa é
difícil uma torcida que se iguale, apenas, talvez, dentro das grandes ligas, a
do Dortmund.
Muito se fala do clima dentro do estádio de Anfield. O hino e
lema do clube “You’ll never walk alone” (Você nunca caminhará sozinho), antes
dos jogos é quase que um ritual religioso.
Não apenas motiva a equipe quando ela entra em campo, como
também mostra ao adversário o que ele irá enfrentar.
E não é apenas a forma como o time joga que chama a atenção
dos torcedores e da imprensa do mundo todo.
Além do futebol apresentado, a entrega da equipe durante os
90 minutos e a intensidade com que propõe o jogo chamam a atenção. E isso é
tudo o que um torcedor apaixonado quer ver, dedicação ao seu clube de coração.
Tudo isso é reflexo da forma como o treinador enxerga o
futebol e como lida com os profissionais com que trabalha durante todos os dias,
e não estamos falando apenas dos jogadores, mas da comissão técnica e dos
funcionários do clube.
O treinador faz questão de apresentar os jogadores que
chegam aos funcionários do clube e mostrar como cada um faz parte de algo
maior.
Saindo um pouco do futebol, Jürgen Klopp é o líder moderno
com que muitos desejam trabalhar.
Sabe cobrar um colaborador e sabe, acima de
tudo, como motivá-lo, respeitá-lo e tirar o melhor de cada um.
Klopp prioriza o coletivo, enxerga o que falta e busca a
qualidade ao invés da quantidade. Mas isso não impede que as melhores
qualidades de cada um sejam apagadas.
O desejo de vencer sempre, a força de vontade para se
dedicar ao máximo e motivar todos de forma igual para que não ocorra um
relaxamento.
Elementos essências hoje para um líder, tanto no mundo
corporativo e logicamente no mundo esportivo, que se tornou tão competitivo nos
últimos anos.
Mesmo sendo o atual campeão da Europa, o Liverpool não
perdeu a fome de vencer. Na atual temporada da Premier League são 10 jogos, com
9 vitórias e 1 empate.
Hoje o grande desejo dos torcedores do Liverpool é a Premier
League. Vencer o título irá tirar um peso da consciência dos torcedores que
querem um título nacional de expressão.
Obviamente que o caminho é bem difícil, principalmente
quando se tem um Pep Guardiola dirigindo outra excelente equipe como o Manchester
City como adversário direto.
Entretanto, Klopp já faz parte da história do clube e com
certeza será um dos nomes citados quando, no futuro, os torcedores discutirem
quais foram os profissionais que fizeram o clube ser ainda maior.
Hoje o Liverpool voltou a ser o que não foi nos anos 90.
Grande e difícil de vencer.
Muitos treinadores passaram. Rafa Benitez deixou seu nome na
história do clube ao ser campeão da Champions em 2005, principalmente da forma
como a vitória ocorreu.
Mas atualmente vemos um cara que tem de fato a “cara” do
clube. E observado os treinadores que temos atualmente, dificilmente vemos
outro que possa dirigir o Liverpool.
Não sabemos o tempo que klopp ficará, mas já ficou claro que
ele e o Liverpool tem mais do que uma simples relação entre um treinador com um
time. Tem algo a mais.
Não é apenas futebol!!
