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Perspectiva sobre Good Omens




imagem: Wikipédia
Good Omens traz uma sucessão de eventos que precedem ao fim dos tempos no apocalipse cristão. Na forma de comédia, passeia pela história bíblica de maneira irreverente e ácida, longe da série mais adulta e séria que o Neil Gaiman (autor de Good Omens), emprega em American Gods.

As atuações centrais de Michael Sheen (o anjo Azirafel/Aziraphale) e John Tennant (o demônio Crowley) em uma de suas melhores atuações e uma fotografia primorosa dão os toques principais para esse enredo que não peca por suas piadas sobre temas da igreja. Apenas suspiro que essas piadas não se estendam tanto sobre os Judeus ou Muçulmanos, uma vez que essa mesma “mitologia bíblica” também mapeia a crença dessas duas religiões. Mas, ainda tenho fé.

Trocadilhos à parte, é uma obra que não cabe para mentes cabíveis ou possíveis. É a sétima arte em sua mais pura essência: ironizar e criticar a vida real, de maneira metafórica e fantástica. A série trás sim mistérios e conspirações, uma improvável amizade, sátiras sobre Deus e o Diabo, anjos e demônios.

Mas sem faltar com respeito, e acho que esse é o x da obra: Para quem é a crítica?

Sabemos que Neil Gaiman, criador da série, gosta de flertar com temas religiosos. Quando soube que ele produzia um roteiro com base na religião ocidental, esperava um texto pesado, como American Gods, há margem para o tema. Mas sou tentado a dizer que sua visão cômica caiu muito bem.

Mesmo diante de alfinetadas diretas sobre a história da Bíblia (de Adão e Eva em diante, até o momento), a série tece um viés com as escolhas dos homens, que são interpretados de maneira mais caricata e infantil (como bebês chorões), sem questionamentos realmente relevantes e sua necessidade de acreditar em algo tão infundado até os dias de hoje. E não me refiro na crença em Deus ou em uma Consciência Superior, mas sim em dogmas que beiram à contos de fadas.

Veja bem, sou grande apreciador dos escritos bíblicos e acho que existe toda uma simbologia e peso histórico. Ela não faz menção ao ser Deus, mas, sim, à religião imaculada. Que produz boa parte do mal da raça humana (ainda que eu considere necessária).

De maneira leve e criativa a série nos mostra nossas mazelas religiosas, fazendo rir da nossa própria ignorância sobre fé e religião, que são duas coisas muito distintas. Vale a atenção!

Textos que utilizam as obras religiosas, como as de Neil Gaiman, dão pano para a interpretação e abertura para discussão. Quem tiver indicações de textos, filmes, HQ's ou séries com a mesma temática, nos deixe um comentário, por favor.