Qual será o seu legado?

 


Por: Vagner Melo

Viver o momento é importante para aproveitarmos melhor cada situação que acontece no dia a dia. Planejar o futuro é importante para termos um objetivo e buscar conquistá-lo para ter um sentido na vida.

Mas e o depois? Por acaso você já pensou, em algum momento da sua vida, qual será a marca que você deixará? Como marcará seu nome? Qual será o legado que você irá deixar para o futuro?

Ao observarmos a história da civilização humana ouvimos sobre nomes que em algum momento deixaram sua contribuição para o mundo através dos seus ensinamentos, sua arte, sua trajetória de vida ou contribuições na sua área de estudo.

A literatura também possui personagens que deixam seus ensinamentos e nomes por alguma atividade que fizeram dentro do seu contexto narrativo. Muitas histórias, principalmente as de guerra, apresentam personagens que vão para batalha e que visam marcar o seu nome na história.

Na famosa guerra de Troia, Aquiles foi um dos personagens que desejavam tornar seu nome conhecido e foi isso que o motivou a lutar ao lado dos gregos, mesmo sendo desafeto do rei Agamenon.

Nós costumamos observar os nossos pais, ídolos do esporte e artistas que nos inspiram e deixam alguma mensagem após muitos anos de sua partida. Na nossa música, como exemplo, o cantor Renato Russo se tornou ícone de uma geração e é lembrado até hoje pelas suas letras.

Mas e nós, meros mortais, o que faremos?

Boa parte das pessoas é tão focada em si mesma, ainda mais agora em que vivemos uma aparente individualização social, que não pensa no que pode contribuir para o próximo, para o planeta, para as próximas gerações.

Talvez uma grande invenção seja difícil, mas podemos observar como algumas pessoas ficam marcadas na nossa vida. Todos temos um professor, que em algum momento, nos ensinou algo além das matérias escolares.

Existe a frase que um homem só é completo quando tem um filho, escreve um livro e planta uma árvore. Mas de que adiantará cada uma dessas atividades se o homem não se preocupar em ensinar o seu filho a importância da leitura e respeitar o meio ambiente?

Bons modos provavelmente é um dos pilares. A educação como um todo é de vital importância para um meio social tão carente quanto o nosso.

Cada pessoa possui uma habilidade diferente e não adianta nos basearmos no que outros fazem. O sucesso do outro é única e exclusivamente dele, você precisa se encontrar sem se pautar pelos outros. 

Vamos nos moldando de acordo com o tempo. As prioridades e alguns sonhos mudam conforme envelhecemos e aprendemos mais sobre a vida e sobre nós mesmos. 

Encontrar um sentido no que se faz, pensar em como podemos contribuir para um mundo melhor pode dar um sentido a nossa existência. 

E é esse sentido que fará a diferença para o mundo e para aqueles que estão a nossa volta.

Temos o poder de influenciar as pessoas que estão próximas, mas essa influencia precisa ser pautada em bons exemplos, hábitos e modo de ver o mundo. 

Por isso, reflita sobre os seus planos e o que poderá fazer para tornar o mundo um lugar melhor. 

E pense: qual será o seu legado?

Reflexões da idade



Por: Vagner Melo


Algumas datas nos colocam a refletir sobre nós mesmos, sobre o mundo, nossa vida e principalmente sobre as nossas escolhas.

Aniversários ou viradas de ano, que costumam ser considerados como o início de “novos ciclos” dão uma percepção de autoconsciência que nem sempre percebemos.

Nos questionamos sobre onde estamos e onde queremos chegar. Voltamos ao passado, pensamos no que já fizemos, lembramos das pessoas que passaram, imaginamos como elas estão. Nos caminhos que cada uma seguiu e no que ainda está por vir.

Refletimos sobre nossas escolhas, sejam elas profissionais ou de vida. Questionamos se estamos fazendo as escolhas certas, pois cada escolha é uma nova oportunidade, porém é também uma porta fechada que nunca saberemos onde daria.  

Talvez essas reflexões surjam devido ao tempo que temos e o que fazemos com ele. Será que estamos realmente aproveitando a vida?

Muitas pessoas aproveitam o tempo que tem para estudar, para ler, para fazer atividades físicas, para sair, curtir ou simplesmente para dormir.

O tempo torna tudo mais real. Pensamos no que fizemos e no que ainda queremos fazer. Sonhos e objetivos estão em um futuro que muitas vezes parecem mais distantes. Opacos e não cristalino como gostaríamos.

O filme “Sociedade dos poetas mortos” traz um conceito interessante sobre as escolhas que fazemos, sobre o futuro que queremos ter e sobre o momento no qual estamos. Carpe diem! Ou simplesmente “Aproveite o momento”.

Os conceitos utilizados no filme visam a necessidade de refletir, pensar por si mesmo. Não deixar que os outros ou mesmo a sociedade nos imponham suas escolhas. Devemos, nós mesmos, aproveitar e escolher a forma como queremos viver.

A vida é uma oportunidade única. É o momento que temos de nos fazer melhor. É o aqui e o agora. São as pequenas coisas que fazemos no dia a dia. São as mudanças constantes, mas é também algo que não conseguimos definir em sua totalidade.

Alguns acreditam que a vida seja uma benção. Outros um karma. É possível que o sentido da vida seja o maior segredo que exista e se por acaso a humanidade um dia descobrir qual é a resposta Deus abrirá os véus do céu e fazer como os apresentadores do Big Brother, quando dizem: “Acabou!! Venham para cá, infelizmente o jogo acabou para vocês”.

Por isso, antes que o jogo acabe procure se descobrir, se conheça e encontre um sentido no que faz. Tenha a sabedoria e a paciência para entender que as coisas não mudam de uma hora para outra.

É o trabalho diário que trará as respostas que você procura. É o contato diário com novos conhecimentos que o tornarão os possíveis problemas em situações mais fáceis de lidar.

Escolhas são sempre difíceis. Encontrar um objetivo, definir um caminho será sempre complicado pois o medo de falhar, de não sermos quem queremos ser, é muitas vezes o que impede de darmos o passo seguinte.

Por isso arrisque-se! Carpe diem; aproveite o momento!!


Pois vamos todos numa linda passarela, de uma aquarela que um dia enfim....

 

 

Liberdade Limitada

Photo Mix por Pixabay


O documentário da Netflix “o dilema das redes” teve uma grande repercussão nas últimas semanas por abordar como as redes sociais fazem uso das informações pessoais que dispõem dos seus usuários.

Essas informações seriam vendidas à grandes empresas para que elas criassem formas de atrair novos e potenciais clientes, buscando através de análises de dados como conquistar esses clientes e estimulá-los a continuar comprando.

Entretanto, se metade dos filmes que tratam de espionagem forem verdade, não devemos duvidar totalmente, afinal, ainda que seja tudo ficção, sabemos que algumas coisas realmente ocorrem, “o dilema das redes” não passa de mais uma maneira que as grandes corporações usariam para nos monitorar.

Teorias da conspiração à parte, muito já foi discutido sobre as formas de se monitorar as pessoas. E não apenas documentários, mas cinema, quadrinhos e livros já trabalharam com essa temática.

A sequência dos filmes de Jason Bourne, com o ator Matt Damon, mostram como as agências de espionagem, principalmente a CIA (Central Intelligence Agency), trabalham com informações e muitas vezes monitoram pessoas ao redor do mundo.

Esse monitoramento muitas vezes está atrelado a observação através de câmeras de vigilância, localização via celular ou mesmo seguir os passos de uma pessoa.

O livro “1984” de George Orwell aborda a vigilância constante do Estado sobre as pessoas, impedindo que elas pensem ou tenham opiniões contrárias ao que é estabelecido. O quadrinho V de Vingança de Allan Moore e David Lloyd David também possui os mesmos conceitos de vigilância total. 

Mas voltando ao cinema, o último filme lançado da série Bourne esses aspectos são mais uma vez abordados, mostrando ainda como o interesse de poucos se sobressaem ao de muitos. Normalmente utilizando o discurso de que aquelas atitudes são para um bem maior ou para proteger os americanos.

Como pano de fundo, além da CIA e do personagem central da história, existe uma nova rede social que será lançada e irá otimizar todas as informações das pessoas que utilizam outras redes em apenas uma única plataforma.

Logicamente que o discurso sobre a nova plataforma aborda a liberdade das pessoas, segurança e sua total e completa privacidade.

Entretanto, um dos diretores da CIA, já conhecendo as possibilidades que isso traz, faz um acordo para conseguir essas informações e com isso poder implantar um novo programa que visaria eliminar pessoas que pudessem causar algum mal aos Estados Unidos.

Em um dos momentos do filme, há uma conversa entre o diretor da CIA, interpretado pelo ator Tommy Lee Jones, e o criador da nova rede social. O dialogo gira em torno da Liberdade. “Privacidade é liberdade” é uma das frases ditas.

Porém, existe um paradoxo nessa questão.

De fato, ninguém gosta de ser observado ou de ter seus dados divulgados. Mas ainda que nos sentimos desconfortáveis na presença de uma câmera, de certo modo ela nos traz segurança.

Hoje é muito comum pessoas escolherem morar em condomínios e quanto mais fechado e “seguro” melhor. Todavia, esse mais seguro possui muros altos, arames farpados, seguranças armados, câmeras que monitoram os espaços de utilização dos condôminos.

Seria essa a liberdade que procuramos? Sermos vigiados o tempo inteiro?

Zigmunt Bauman, sociólogo e filosofo polonês, aponta essas contradições que permeiam o nosso cotidiano e as novas relações sociais. Buscar segurança e liberdade, através da vigilância constante em um eteno big brother.

Entendemos que a violência, o medo, os problemas sociais estão atreladas as escolhas de moradia. Isso não é um julgamento de certo ou errado. 

Entretanto reclamamos dessa constante vigilância, mas compartilhamos nossos passeios, o dia a dia, a casa ou qualquer outra atividade que fazemos.

Podemos não ter de fato um Grande Irmão nos controlando, mas também não estamos longe de ter um.


O problema não são as redes, ao menos não totalmente


 

redes sociais

Há algumas semanas a Netflix lançou o documentário “O dilema das redes”, que aponta como as redes sociais influenciam de forma negativa a vida das pessoas.

Entrevistando alguns profissionais que já atuaram no desenvolvimento de muitas dessas redes, o documentário levanta questões sobre como elas são responsáveis por muitos problemas existentes na nossa sociedade atualmente.

Ainda que muitas das coisas apresentadas sejam interessantes e que devem ser levadas em consideração, o documentário é um tanto quanto “tendencioso”.

A impressão que ele aparentemente tenta passar é a de que as redes sociais são as causadoras dos problemas que temos atualmente, quando isso de fato não ocorre.

A verdade é que as redes potencializam os problemas.

E o termo “potencializam”, em destaque, porque com a quantidade de informações disponíveis, o mundo inteiro praticamente conectado, problemas que sempre existiram hoje se tornam mais mundiais.

O avanço tecnológico sempre possibilitou que nossas vidas fossem facilitadas. Isso acontece desde a invenção da primeira ferramenta criada pelo homem para poder caçar e se alimentar até os dias atuais com as inteligências artificiais.

No entanto, se levarmos em consideração tudo o que foi inventado até hoje, teremos o lado bom e o lado ruim em tudo.

Os meios de comunicação de massa que deviam ser utilizados para informar, educar e entreter já fizeram um pouco do trabalho que as redes fazem hoje, entretanto antes da internet surgir o caminho seguia apenas em uma direção.

Com a disponibilidade da internet e a facilidade em se usar smartphones ou câmeras, qualquer pessoa pode trabalhar com informações, sendo produtor de conteúdo, disponibilizar na rede e até criar teorias ou desenvolver raciocínios sem nenhum fundamento.

 

Mais do mesmo, mas diferente

 

Um dos pontos que “O dilema das redes” aponta é que os algoritmos para manter essas redes, analisam e reconhecem cada hábito que possuímos, sabendo exatamente o que indicar para que continuemos conectados pelo maior tempo possível.

Mas de certa forma isso é justamente o que toda empresa quer. Por isso, os altos investimentos em propaganda, publicidade e marketing.

O desenvolvimento dessas três áreas são todos baseados em estudos psicológicos que buscam entender os comportamentos humano, para que assim sejam lançados produtos que atendam um determinado desejo.

Assim como uma rede social, uma empresa tradicional quer que você continue consumindo.

Se somos “produtos” para as redes socias, não passamos também de outdoors ambulantes para grandes marcas. E o pior, ainda pagamos por isso. E ainda que você diga que muitas delas possam trazer conforto, como um par de tênis por exemplo, o valor alto é referente a marca e não ao produto em si.

E não esqueçamos também que quando fazemos uma compra, ao utilizar o cartão de crédito ou debito, estamos informando ao banco onde gastamos nosso dinheiro. E informamos também o governo, ao pedir o CPF na nota fiscal.

Já os grupos de comunicação querem que você continue “ligado”. E por falar em grupos de comunicação.

Os meios de comunicação foram no passado o que as redes são hoje, e se olharmos alguns momentos do século XX vemos que causaram o mesmo mal. Ou cosas bem piores.

Na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, os discursos de Adolf Hitler eram transmitidos para milhões de pessoas através do rádio e do cinema. Os americanos também faziam suas propagandas de guerra através dos meios de comunicação.

A polarização política de hoje, já vem de muitos anos, mas agora ela foi ampliada. Racismo e teorias de conspiração agora encontram ecos.

A luta contra o racismo nos Estados Unidos acontece há décadas, mas ainda assim parece ser um problema que demorará a ser resolvido.

As redes aproximam pessoas, mas aproximam também os preconceituosos.

Com relação as fake news, tão em alta nos assuntos de hoje, e que afetam principalmente o mundo da política, grandes empresas de comunicação já manipularam o seu público pensando apenas nos seus interesses.

Basta lembrar do que ocorreu no dia 25 de janeiro de 1984, onde um comício que defendia as eleições diretas para presidente foi noticiado como uma comemoração do aniversário da cidade de São Paulo.

 

O tempo de permanência

 

O Brasil é um dos países que passam mais tempos conectados.

Mas as redes sociais são apenas o novo entretenimento. As gerações passadas também eram criticadas por passar muito tempo na frente da televisão.

 A “geração MTV” era muito criticada por não querer saber de nada e só prestar atenção naquelas “músicas de doido”.

Mas infelizmente isso acontece de forma quase que natural, já que muitos pais colocavam os filhos na frente da TV para que eles fiquem quietos. Atualmente é a tela do celular que atrai a atenção dos pequenos, deixando os pais mais à vontade para outras atividades.

Esses hábitos inocentes de infância acabam por tornar adolescentes e adultos mais propensos a continuarem atraídos pelas telas a sua frente do que atentos para outras atividades. Existem, inclusive, pesquisas apontando que o tempo de atenção das pessoas, que até o ano 2000 era de 13 segundos, hoje baixou para apenas oitos segundos.

 

Sim é preciso rever as formas como utilizamos as redes sociais e como os grupos que as controlam fazem uso delas. 

Limitar, proibir ou sair das redes não parece ser uma solução, apenas uma fuga, afinal muitas das pessoas que passam por nossas vidas, acabamos por encontrar nas redes e ficamos felizes com isso.

“O dilema das redes” pode servir para que as pessoas pensem bem antes de compartilhar ou curtir algo, mas ainda devemos lembrar que o problema são as pessoas e como elas fazem uso da tecnologia, não há tecnologia ou a rede em si.