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| Photo Mix por Pixabay |
O documentário da Netflix “o
dilema das redes” teve uma grande repercussão nas últimas semanas por abordar
como as redes sociais fazem uso das informações pessoais que dispõem dos seus
usuários.
Essas informações seriam vendidas
à grandes empresas para que elas criassem formas de atrair novos e potenciais
clientes, buscando através de análises de dados como conquistar esses clientes
e estimulá-los a continuar comprando.
Entretanto, se metade dos filmes
que tratam de espionagem forem verdade, não devemos duvidar totalmente, afinal,
ainda que seja tudo ficção, sabemos que algumas coisas realmente ocorrem, “o
dilema das redes” não passa de mais uma maneira que as grandes corporações usariam
para nos monitorar.
Teorias da conspiração à parte,
muito já foi discutido sobre as formas de se monitorar as pessoas. E não apenas
documentários, mas cinema, quadrinhos e livros já trabalharam com essa
temática.
A sequência dos filmes de Jason
Bourne, com o ator Matt Damon, mostram como as agências de espionagem,
principalmente a CIA (Central Intelligence Agency), trabalham com informações e
muitas vezes monitoram pessoas ao redor do mundo.
Esse monitoramento muitas vezes
está atrelado a observação através de câmeras de vigilância, localização via
celular ou mesmo seguir os passos de uma pessoa.
O livro “1984” de George
Orwell aborda a vigilância constante do Estado sobre as pessoas, impedindo que
elas pensem ou tenham opiniões contrárias ao que é estabelecido. O quadrinho V
de Vingança de Allan Moore e David Lloyd David também possui os mesmos
conceitos de vigilância total.
Mas voltando ao cinema, o último
filme lançado da série Bourne esses aspectos são mais uma vez abordados,
mostrando ainda como o interesse de poucos se sobressaem ao de muitos.
Normalmente utilizando o discurso de que aquelas atitudes são para um bem maior
ou para proteger os americanos.
Como pano de fundo, além da CIA e
do personagem central da história, existe uma nova rede social que será lançada
e irá otimizar todas as informações das pessoas que utilizam outras redes em
apenas uma única plataforma.
Logicamente que o discurso sobre
a nova plataforma aborda a liberdade das pessoas, segurança e sua total e
completa privacidade.
Entretanto, um dos diretores da CIA,
já conhecendo as possibilidades que isso traz, faz um acordo para conseguir
essas informações e com isso poder implantar um novo programa que visaria
eliminar pessoas que pudessem causar algum mal aos Estados Unidos.
Em um dos momentos do filme, há
uma conversa entre o diretor da CIA, interpretado pelo ator Tommy Lee Jones, e
o criador da nova rede social. O dialogo gira em torno da Liberdade. “Privacidade
é liberdade” é uma das frases ditas.
Porém, existe um paradoxo nessa
questão.
De fato, ninguém gosta de ser
observado ou de ter seus dados divulgados. Mas ainda que nos sentimos
desconfortáveis na presença de uma câmera, de certo modo ela nos traz
segurança.
Hoje é muito comum pessoas escolherem
morar em condomínios e quanto mais fechado e “seguro” melhor. Todavia, esse
mais seguro possui muros altos, arames farpados, seguranças armados, câmeras
que monitoram os espaços de utilização dos condôminos.
Seria essa a liberdade que
procuramos? Sermos vigiados o tempo inteiro?
Zigmunt Bauman, sociólogo e
filosofo polonês, aponta essas contradições que permeiam o nosso cotidiano e as
novas relações sociais. Buscar segurança e liberdade, através da vigilância
constante em um eteno big brother.
Entendemos que a violência, o
medo, os problemas sociais estão atreladas as escolhas de moradia. Isso não é um
julgamento de certo ou errado.
Entretanto reclamamos dessa
constante vigilância, mas compartilhamos nossos passeios, o dia a dia, a casa
ou qualquer outra atividade que fazemos.
Podemos não ter de fato um Grande
Irmão nos controlando, mas também não estamos longe de ter um.

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