Penadinho: Vida e Lar, duas histórias para o momento atual

Penadinho: Vida / Penadinho: Lar

 Por: Vagner Melo 


A Turma da Mônica é um dos símbolos da cultura nacional e dificilmente encontramos alguém que não seja fã ou ao menos não tenha lido ao menos uma das histórias da turminha.

Crescemos acompanhado os personagens criados por Mauricio de Souza nas suas mais diversas historinhas. Porém, nós crescemos e deixamos um pouco de lado os personagens que, além de entreter, em muitos casos proporcionou o aprendizado da leitura.

Para trazer de volta “velhos” leitores e para homenagear o seu criador, Mauricio de Souza, o projeto Graphic MSP iniciado em 2012, tem trabalhado os personagens da Turma através dos traços e visões de artistas brasileiros convidados para dar uma nova roupagem aos personagens.

Grande parte das histórias publicadas envolvem temáticas como preconceito, assédio, amizade e outros tantos valores que cercam a nossa vida, além claro, de trabalhar as aventuras que acontecem com os personagens.

Mas um dos personagens que compõe o universo, se é que podemos chamar assim, da Turma da Mônica, precisa receber um cuidado especial dentro de qualquer história que possa ser criada, o Penadinho.

Penadinho é um personagem criado em 1963 por Mauricio de Souza. O fantasminha da turma e os seus amigos foram desenvolvidos para brincar com os gêneros de terror e que costumavam assustar crianças e até adultos. Junto a ele, um lobisomem, um vampiro, um monstro e uma múmia compõe o grupo, além da Cegonha e da Dona Morte.

Sabemos que muitas pessoas teme a morte e não gosta de falar sobre o assunto, por isso, trabalhar com personagens que tem uma ligação direta com ela é um grande desafio, ainda mais quando o personagem é voltado para o público infantil.

Mas nas mãos do casal Paulo Crumbim e Cristina Eiko, Penadinho ganhou duas belas histórias. VIDA de 2016 e LAR 2020 trazem o personagem e sua turma em duas situações que envolvem duas das nossas grandes preocupações: VIDA e LAR.

Os desenhos são belíssimos e de uma sensibilidade enorme, o que dá uma leveza fundamental para uma releitura mais “adulta” do personagem e do seu grupo como um todo. As cores escolhidas para ilustrar a história também são de fundamental importância para compor todo o cenário. Elas dão vida a história.

No quadrinho de 2012, VIDA, temos a eventualidade da perda. As muitas possibilidades que temos em nos declarar para alguém e não o fazemos por medo ou até relaxo.

LAR, de 2020, aborda um aspecto mais social e traz um pouco dos problemas que a cidade de São Paulo enfrenta, a busca de diversas pessoas por um lugar para morar.

Longe de ser apenas mais uma história para crianças, Penadinho Vida e Penadinho Lar são duas histórias diferentes, mas que se encaixam perfeitamente no nosso atual momento e são ótimas para refletir sobre nós mesmos.

O ano de 2020 se mostrou um ano de reflexões em todos os aspectos da nossa vida. Será um ano que certamente ficará marcado na história e difícil de esquecer.

É preciso repensar certos aspectos se quisermos mudar algo para o futuro.

Assim como Penadinho recebe o apoio da sua turma quando precisa, devemos buscar uma aproximação com os nossos grupos, ainda que seja em tempos de isolamento, poderá ser o apoio que necessitaremos para trabalhar um 2021 muito melhor. 

Escrita não é dom, é prática

por: Vagner Melo



A comunicação é parte fundamental para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Os processos comunicativos envolvem uma série de questões que vão da fala até a forma como nos vestimos.

Mas um dos pontos mais importantes na comunicação é a escrita. Grande parte das pessoas tem dificuldades em escrever e acreditam que existe uma fórmula mágica para isso. Ledo engano!

Escrita não é dom, é prática

Como tudo na vida, escrever demanda prática constante, assim como o hábito de correr ou ir na academia. Você pode até dizer que ter talento ou o chamado “dom” é importante. Talvez!

Ter a facilidade em uma atividade ajuda, porém não pense que quando desejar vai escrever um excelente texto que mudará o mundo. É preciso que a atividade seja constante. Escreva mesmo quando não tiver vontade ou acreditar que não tem boas ideias.

Fazer anotações pode ajudar no processo criativo, assim surgirão tópicos, novas ideias, facilidades na observação sobre o que quer e onde se quer chegar com o texto.

Sobre a parte gramatical, conhecer as regras ajuda sim, porém é o habito da leitura que facilitará toda a sua escrita. E quanto mais diversa a leitura melhor, pois assim ajudará a fazer ligações entre vários assuntos, ainda que a princípio eles não tenham relação.

Diversificar a leitura ajudará a compor os mais variados textos e temas. Isso é ainda mais importante para a produção de textos acadêmicos, que visam não apenas avaliar o aluno, mas analisar a sua capacidade de concisão, reflexão e conhecimento.  

Os grandes escritores ou pensadores que, ao longo do tempo, foram deixando suas marcas e hoje são renomados na literatura, costumavam ler muito. Assim como a escrita, a leitura também é um hábito, e esse, se possível, deve cultivado desde a infância.  

A escrita também é uma forma de você conseguir expressar as coisas que pensa ou sente, mas não encontra uma forma de falar ou não tem no momento alguém para conversar. Escrever em um papel é um modo de colocar para fora tudo o que gostaria, inclusive as ideias para projetos futuros.

O caminho cérebro, braço, mão, caneta e papel é ótimo para visualizar o que está pensando e ter um olhar de fora, que de outra forma não conseguiria enxergar. A Escrita possui um certo poder e é uma forma de ter uma perspectiva geral de tudo.

E como em toda boa comunicação é sempre importante saber que existe uma pessoa que está do outro lado. Não basta apenas escrever bonito, com vários jargões ou palavras difíceis. Textos bons costumam expressar o difícil de forma simples.

Tente imaginar como a outra pessoa irá ler e entender o seu texto, se as palavras escolhidas conseguem transmitir uma ideia clara. Peça para que alguém leia o que você escreveu, assim saberá onde pode melhorar, se é nos erros gramaticais, nos temas escolhidos ou até o tamanho do texto. É importante saber a opinião das pessoas nesses casos.

Veja por exemplo as grandes canções que ouvimos por aí. Músicas que mexem com o coração da gente ou nos fazem refletir. O fato de muitas músicas fazerem sucessos e serem cantadas por muitos anos é a prova de que aquela escrita foi, de fato, bem feita.

Muitas dessas canções parecem ser escritas especialmente para nós, e isso porque o compositor conseguiu expressar em palavras, os sentimentos que também fazem parte de nós.

Deseja escrever um livro, crônica, poesia, bons trabalhos acadêmicos ou um simples texto? Bom, escreva! Pratique. Escolha um tema no qual tem domínio e veja o que consegue fazer.

A internet está aí para tirar as dúvidas que possam surgir. E a prática irá tornar sua escrita mais fluida e mais atraente para outras pessoas.   


 

O Ócio Criativo

O ócio criativo - arquivo pessoal

 Por: Vagner Melo

Livros servem para informar, entreter e ao mesmo tempo nos fazer pensar. Quando você lê um livro escrito há muitos anos, e percebe que ele ainda é muito atual, com certeza este livro merece receber uma atenção especial.

O Ócio Criativo do sociólogo italiano Domenico de Masi é um desses livros que merecem uma atenção especial, ainda mais nesse momento conturbado do qual passamos com crise econômica, falta de emprego e pandemia.

Atualmente muitas pessoas estão desempregadas e desesperadas para voltar ao mercado de trabalho, isso porque o sentimento de exclusão, a sensação de incapacidade que a falta de um trabalho remunerado gera nos faz pensar que somos “fracassados”. Para quem tem filhos a sensação é ainda pior.

O trabalho remunerado traz uma percepção de segurança. Ficamos mais tranquilos, pois sabemos que as contas do final do mês serão pagas. Porém, focamos quase que nossa total atenção no trabalho. Dependendo do cargo exercido, parte dele é levado para casa após o final do expediente.

Com a revolução industrial e devido ao passar dos anos criou-se uma idolatria ao trabalho. Hoje a busca é pelo aperfeiçoamento constante, a necessidade de estudar, ler, ver vídeos, fazer minicursos, tudo para continuar aprendendo sempre.

No momento atual, as pessoas tendem a querer produzir o tempo inteiro. Muitos se sentem culpados e pensam que estão perdendo tempo, quando estão assistindo a um filme, vendo uma série ou lendo um livro para puro entretenimento.

E isso é um erro!

Em “O ócio criativo”, ainda que algumas previsões de Domenico de Masi não tenham se confirmado como a diminuição das horas de trabalho, por exemplo, muito do que ele aponta deveria ser levado em consideração por todos nós.  

Hoje as relações de trabalho mudaram, os destaques são as pessoas que atuam na criação, que utilizam o intelecto e não mais os braços.

Veja como cresceu nos últimos anos as Startups, o marketing digital, trabalhos de design, criação, produção de conteúdo, youtubers, gamers. Tudo é voltado para quem pensa, não para quem faz.

O Vale do Silício é talvez o melhor exemplo que podemos ter. As grandes empresas de tecnologia estão concentradas em um local onde as criações são feitas por pessoas em cadeiras confortáveis, que pensam em como melhorar um produto e gerar lucro.

Enquanto quem põe a mão na massa, quem faz o trabalho pesado está, muito provavelmente, dentro de uma fábrica em algum país do terceiro mundo e o pior, ganhando muito mal, trabalhando horas por dia e em condições bem precárias.  

Devemos a começar a reavaliar as nossas horas de trabalho e como aproveitar melhor as horas de ócio. Logicamente que ficar sentando no sofá o domingo inteiro, com a televisão ligada em programas de baixa qualidade não é o ideal.

Assistir um filme interessante, ler um livro, fazer um curso que agregue algo, ainda que não seja o foco da profissão da pessoa, mas que traga um novo conhecimento, como uma aula de música, jardinagem, culinária, etc. são bons modos de passar o tempo.

A pandemia mostrou que isso é possível. Muitas pessoas começaram a descobrir novas atividades a se fazer, como cozinhar. Atividades que nunca teriam sido feitas se não tivéssemos a necessidade de ter parado devido ao distanciamento social.

Diminuir as horas trabalhadas ainda demorará muito para acontecer, se acontecer algum dia, mas até lá podemos pensar em como diminuir a velocidade e nos dedicarmos a nós mesmos.

A pandemia mostrou que muitos trabalhos podem ser feitos em casa, sem a necessidade de deslocamento, diminuindo assim o tempo perdido no trânsito.

Caberá as pessoas e também as empresas em saber como moldar as novas formas de trabalho. Os trabalhos braçais, em alguns casos, dificilmente irão acabar, mas nas grandes multinacionais pessoas estão são constantemente substituídas por robôs.

Para as gerações futuras acredita-se que alguns trabalhos não foram criados ainda. Para os profissionais de agora é bom começar a pensar em como se adequar.

Entretanto, para que possamos ter uma vida bem vívida, será essencial equilibrar os dois momentos. Portanto, busque sempre alternativas que agregue algo a mais na sua vida. Aproveite o ócio criativo!!

Aprendendo com o documentário sobre o Michael Jordan


Por: Vagner Melo


Para quem gosta de aprender e busca por referências no esporte em como ser um profissional de sucesso, uma boa pedida é o documentário da Netflix em parceria com os canais ESPN “The Last Dance” (A última dança). Dividido em 10 episódios de 50 minutos cada, o documentário aborda a trajetória do jogador da NBA Michael Jordan.

Jordan é um dos ícones do esporte mundial, ídolo americano e tido como um dos maiores, se não o maior jogador de basquete da história. Como profissional iniciou a carreira de jogador em 1984, alcançando o ápice nos anos 90, se aposentando após a temporada 97/98. 

Para quem procura e deseja ser um exemplo de profissional o documentário é completo. Apresenta não apenas o talento, mas o trabalho diário para ser o melhor sempre, a importância do trabalho em equipe para o sucesso.

Além de entrevistas com Jordan, o diretor Jason Herir entrevistou diversas pessoas que em algum momento tiveram contato com o jogador, como adversários ou companheiros de time e jornalistas que cobriam a NBA durante o período em que Jordan era jogador.

O desenvolvimento profissional, como alguém que trabalha diariamente para alcançar um objetivo. As horas de treinamento, a busca por perfeição, o foco no objetivo final, tudo para alcançar a perfeição no que faz.

Muito dos elementos discutidos hoje para o sucesso na carreira profissional de uma pessoa, Jordan já fazia na sua época de jogador.

Mas obviamente que em alguns momentos não faltaram críticas ao documentário, por alterar alguns pontos da realidade. E como sempre, há um personagem que atua como o vilão da história.

No caso, o gerente geral do Chicago Bulls, Jerry Krause, que havia anunciado uma reformulação do time ao final da temporada, o que teria motivado Jordan a se aposentar e os demais jogadores a saírem do time do Chicago Bulls.

Mas ainda assim, observando pelo lado corporativo e na formação da equipe, Krause soube enxergar no mercado as pessoas certas para compor um trabalho de grande sucesso. Ainda que seja o vilão para alguns, sem ele o Chicago Bulls não teria conseguido vencer, por duas vezes, três campeonatos seguidos.

Para quem gosta de Marketing e estuda o assunto, a parceria entre o ídolo do esporte e uma marca de tênis, que até então não era tão grande, mas desejava ganhar mercado, se tornou uma parceria de sucesso para ambos os lados.

Outro fator também importante no marketing, esse mais de âmbito esportivo, foi a audiência e a capacidade de levar públicos aos ginásios que o talento de Michael Jordan proporcionou ao Chicago Bulls e a NBA como um todo, principalmente nos anos 90.

No quesito liderança, Jordan era quem puxava e estimulava o time. E aqui, para quem observar bem, ele não era exatamente o líder que muitos gostariam de ter. Talvez esse um dos pontos negativos do jogador.

Além de muito competitivo em tudo, ele extrapolava no tratamento com alguns companheiros. Muitos evitavam enfrentá-lo, devido ao medo que ele inspirava, mas ainda assim todos, inclusive outros grandes nomes famosos o respeitavam.

Michael Jordan além de ser um gigante do basquete americano, era também grande ídolo nacional. Erros e derrotas não faltaram e por ser um produto americano, em alguns momentos do documentário, a sensação que temos era a de que Jordan era quase um deus universal.

Porém, isso não tira o brilhantismo do atleta e da sua importância para o basquete e para o esporte como um todo.

Talvez para o nosso futebol, esporte mais praticado e divulgado por aqui, alguns times poderiam analisar o que fez o Chicago Bulls e a NBA durante o período que Jordan foi jogador, isso poderia trazer novamente o brilho que o nosso esporte precisa.