
O ócio criativo - arquivo pessoal
Por: Vagner Melo
Livros servem para informar, entreter e ao mesmo tempo nos
fazer pensar. Quando você lê um livro escrito há muitos anos, e percebe que ele
ainda é muito atual, com certeza este livro merece receber uma atenção
especial.
O Ócio Criativo do sociólogo italiano Domenico de Masi
é um desses livros que merecem uma atenção especial, ainda mais nesse momento
conturbado do qual passamos com crise econômica, falta de emprego e pandemia.
Atualmente muitas pessoas estão desempregadas e desesperadas
para voltar ao mercado de trabalho, isso porque o sentimento de exclusão, a
sensação de incapacidade que a falta de um trabalho remunerado gera nos faz pensar
que somos “fracassados”. Para quem tem filhos a sensação é ainda pior.
O trabalho remunerado traz uma percepção de segurança. Ficamos
mais tranquilos, pois sabemos que as contas do final do mês serão pagas. Porém,
focamos quase que nossa total atenção no trabalho. Dependendo do cargo exercido,
parte dele é levado para casa após o final do expediente.
Com a revolução industrial e devido ao passar dos anos
criou-se uma idolatria ao trabalho. Hoje a busca é pelo aperfeiçoamento
constante, a necessidade de estudar, ler, ver vídeos, fazer minicursos, tudo
para continuar aprendendo sempre.
No momento atual, as pessoas tendem a querer produzir o
tempo inteiro. Muitos se sentem culpados e pensam que estão perdendo tempo, quando
estão assistindo a um filme, vendo uma série ou lendo um livro para puro
entretenimento.
E isso é um erro!
Em “O ócio criativo”, ainda que algumas previsões de
Domenico de Masi não tenham se confirmado como a diminuição das horas de
trabalho, por exemplo, muito do que ele aponta deveria ser levado em
consideração por todos nós.
Hoje as relações de trabalho mudaram, os destaques são as pessoas
que atuam na criação, que utilizam o intelecto e não mais os braços.
Veja como cresceu nos últimos anos as Startups, o marketing
digital, trabalhos de design, criação, produção de conteúdo, youtubers, gamers.
Tudo é voltado para quem pensa, não para quem faz.
O Vale do Silício é talvez o melhor exemplo que podemos ter.
As grandes empresas de tecnologia estão concentradas em um local onde as
criações são feitas por pessoas em cadeiras confortáveis, que pensam em como
melhorar um produto e gerar lucro.
Enquanto quem põe a mão na massa, quem faz o trabalho pesado
está, muito provavelmente, dentro de uma fábrica em algum país do terceiro
mundo e o pior, ganhando muito mal, trabalhando horas por dia e em condições
bem precárias.
Devemos a começar a reavaliar as nossas horas de trabalho e
como aproveitar melhor as horas de ócio. Logicamente que ficar sentando no sofá
o domingo inteiro, com a televisão ligada em programas de baixa qualidade não é
o ideal.
Assistir um filme interessante, ler um livro, fazer um curso
que agregue algo, ainda que não seja o foco da profissão da pessoa, mas que
traga um novo conhecimento, como uma aula de música, jardinagem, culinária,
etc. são bons modos de passar o tempo.
A pandemia mostrou que isso é possível. Muitas pessoas
começaram a descobrir novas atividades a se fazer, como cozinhar. Atividades
que nunca teriam sido feitas se não tivéssemos a necessidade de ter parado
devido ao distanciamento social.
Diminuir as horas trabalhadas ainda demorará muito para
acontecer, se acontecer algum dia, mas até lá podemos pensar em como diminuir a
velocidade e nos dedicarmos a nós mesmos.
A pandemia mostrou que muitos trabalhos podem ser feitos em
casa, sem a necessidade de deslocamento, diminuindo assim o tempo perdido no
trânsito.
Caberá as pessoas e também as empresas em saber como moldar
as novas formas de trabalho. Os trabalhos braçais, em alguns casos,
dificilmente irão acabar, mas nas grandes multinacionais pessoas estão são
constantemente substituídas por robôs.
Para as gerações futuras acredita-se que alguns trabalhos
não foram criados ainda. Para os profissionais de agora é bom começar a pensar
em como se adequar.
Entretanto, para que possamos ter uma vida bem vívida, será
essencial equilibrar os dois momentos. Portanto, busque sempre alternativas que
agregue algo a mais na sua vida. Aproveite o ócio criativo!!
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