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| O dilema do porco espinho - arquivo pessoal |
por: Vagner Melo
O dilema do
porco espinho é um conceito criado pelo filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860)
e ganhou uma releitura através do raciocino do professor e historiador Leandro
Karnal.
Karnal tem uma
capacidade explicativa bem interessante. É simples e ao mesmo tempo
sofisticado. Explicar a complexidade de forma clara é uma capacidade para
poucos, ainda mais no mundo acadêmico, cheio de jargões e frases técnicas.
O dilema do
porco espinho procura explicar a dificuldade da convivência humana em toda a
sua complexidade. Assim como um porco espinho, que no inverno necessita de
aproximação dos demais para sobreviver, porém percebe que ao se aproximar
demais dos outros pode se machucar devido aos espinhos, temos a necessidade de
estarmos rodeados e próximos de outras pessoas, mas essa aproximação pode gerar
atritos.
O ser humano é
um ser gregário, necessita do outro para evoluir. O desenvolvimento humano é um
exemplo claro disso. Se o homem fosse único e não aprendesse ou não
dependesse de outros homens, possivelmente não teria alcançado o topo do
domínio terrestre.
Entretanto,
ainda que essa necessidade de estar em grupo ou em dupla seja necessária para o
aprendizado e desenvolvimento, estar sozinho também é fundamental para que o
homem se descubra como indivíduo.
E é nesse
aspecto que as considerações do professor Karnal se fazem relevantes. Ele
aponta pontos importantes da história o do conhecimento popular que demonstram
como a solidão pode ser cultivada e trazer bons resultados.
Sabemos que a
maioria das pessoas sente dificuldades em estar sozinho e tem a necessidade de
estar com alguém. Muitas são carentes e precisam estar com, no mínimo, a
sensação de ter um outro para se apoiar.
Mas se engana
quem acredita que só por estar com alguém é estar acompanhado. Quantas vezes
você já ouviu sobre relacionamentos que não dão certo porque um dos lados nunca
está presente?
E o não estar presente não significa fisicamente, mas mentalmente e até espiritualmente.
Solitude
Religiões
diferentes, tempos diferentes e ensinamentos de certa forma parecidos, porém os
relatos históricos são os mesmos: a solidão como fator para uma descoberta.
O momento da
solitude, que seria a solidão voluntária, é importante por ser o momento da
reflexão profunda, do momento de se entender como pessoa e quando boa parte
das grandes criações acontecem.
Quadros,
livros, músicas e esculturas que se tornaram referencias no mundo foram criados
por artistas ou escritores quando estes se encontravam sozinhos. O cinema é
mestre em mostrar situações assim.
As aventuras de
PI, O Naufrago, A Ghost Story, Taxi Driver, Wall-E são alguns exemplos
cinematográficos que tratam da solidão e de como aprendemos a conviver com nós
mesmos e nos descobrimos como pessoas em um período de isolamento.
Outro exemplo
bem simples e de conhecimento popular, mas que pode ajudar nessa temática é o
Super-Homem.
Seu planeta
natal explode enquanto ele é enviado para a Terra. E ainda que tenha sido
adotado por uma família humana e, com o passar do tempo outros kriptonianos
tenham surgido, ele sempre esteve, de certa forma, sozinho.
A literatura
também já tratou desse tema com escritores como Franz Kafka e Gabriel Garcia
Marquez. Aliás a literatura é um dos pontos em que mais podemos destacar a
solidão como um ótimo momento.
Primeiro pelo lado do escritor, que se senta sozinho na hora de escrever a sua história. Segundo pelo lado do leitor, que também está solitário enquanto acompanha a narrativa.
Viver bem com você mesmo
O que fazer em
períodos de isolamento? Aprender novas habilidades? Ler vários livros? Fazer
cursos on-line? Tudo precisou ser a distância ou respeitando o isolamento.
Buscamos formas
de passar o tempo em casa sem poder sair e assim aproveitar melhor essa “solidão”
forçada na qual vivemos.
Uma das
ferramentas que talvez tenha encontrado o equilíbrio para o dilema do por espinho
são as redes sociais redes sociais, fato que o professor Karnal cita em seu
livro.
Com as redes
sociais estamos perto o suficiente para conversar com quantas pessoas
quisermos, e longe o bastante para evitar conversas ou pessoas desagradáveis.
Para quem é
filho único, meu caso, a solidão já não é nenhum bicho de 7 cabeças. Filhos
únicos aprendem cedo que, por melhor que sejam as interações humanas e muitas
vezes elas são importantes, é mais do que o normal os momentos de buscar em
você mesmo a saída para aqueles momentos.
Seja ele através
da escrita, da música, assistindo filmes e obviamente através da leitura.
Mas em todos os
casos, o importante é você estar bem com você mesmo. A solidão traz a reflexão
interna. O silêncio é importante para você acalmar a mente e se ouvir.
Por isso aproveite
a sua solidão!!



