Por: Vagner Melo
Acabei de finalizar mais um livro “O poder dos Quietos”. Já
não sei quantos foram esse ano, mas a preocupação é a qualidade, não a
quantidade.
Vejo em alguns lugares as pessoas comentando orgulhosas
sobre a quantidade de livros que leram. Para livros de ficção até, talvez, a
quantidade possa ser uma boa, mas no geral prefiro mesmo a qualidade.
Acredito que essa “pressa” em ler vários livros sejam
reflexo do nosso momento atual. Rápido, ágil, com propósitos de fim e não de
aproveitar o que seria a jornada.
Para mim, livros hoje, além de ficção e fantasia para
distrair e aumentar o leque de conhecimentos em nerdices, devem contribuir com
algo, seja conhecimento teórico, ou seja, mais acadêmicos, ou aqueles que
possam contribuir com o crescimento pessoal, mas nada de livros de autoajuda.
Tenho uma certa antipatia com esse modelo de livro. Já li
alguns, mas vejo que eles basicamente falam sobre coisas que você já sabe,
apenas não faz. Livros de autoajuda servem para uma única pessoa, aquele que
escreveu.
Mas voltando a falar sobre a leitura de “O poder dos
quietos”, que a principio pode parecer desses que citei, é na verdade um livro
mais voltado para o lado psicológico e aponta alguns dos motivos que tornam
muitas pessoas introvertidas.
Aspectos esses que vão da parte biológica, com o
desenvolvimento do nosso cérebro, sistema límbico, amigdala, até elementos
sociais, como nossa cultura em tentar fazer com que todos sejam sociáveis e
comunicativos.
Hoje vivemos em um momento onde para se ter sucesso é
preciso ser extrovertido, comunicativo, fazer o chamado network e estar
presente nas redes para ser lembrado. Entretanto nem todas as pessoas se encaixam nesse
meio.
Introvertidos de carteirinha
O livro foi lançado em 2012, mas só descobri agora e se tornou
interessante para mim justamente por falar sobre pessoas como eu: Introvertidos
de carteirinha. Pessoas que na maioria dos casos, ainda que possam socializar
com pessoas próximas, sentem mais dificuldades em se expor.
E a melhor parte, não tem nada dizendo sobre: não seja assim,
faça isso ou faça aquilo e mude. Escrito por uma autora americana chamada Susan
Cain, o livro aponta as características, capacidades e traços de personalidade
que compõem um introvertido, sendo que ela mesma se define como uma.
E nada melhor do que um livro que fale um pouco sobre como
você é ou como você se vê e aponte suas principais características como uma
qualidade, não como uma falha individual, e que poucos observam ou entendem.
Para quem é introvertido é comum crescer ouvindo das demais
pessoas que é preciso se soltar mais, se expor e ser aquele que vai atrair a
atenção de todos ao chegar em um determinado ambiente. pessoas introvertidas preferem o canto, o backstage, não o centro do palco.
Das características apresentadas encontramos a pouca vontade
em sair, preferir ficar em casa lendo bons livros, se expressar através da escrita ou de outras formas
de arte, que são as maneiras que muitos introvertidos encontram para marcar o
seu lugar.
E exemplos de pessoas assim não faltam: J.K Rowling, autora
de Harry Potter, Bill Gates, Albert Einstein, Rosa Parks, Mahatma Gandhi, isso
só para citar alguns dos nomes mais famosos, o que mostra, para aqueles que
acreditam que para ter sucesso é preciso ser expansivo e aberto, que os introvertidos
também tem um grande valor.
Obviamente que mesmo essas pessoas citadas precisaram
aprender ao longo dos anos a se expor, mas não perderam suas essências ao longo
das suas vidas.
Mesmo que você não seja um introvertido recomendo a leitura, ao menos para entender como essas pessoas se sentem. Certamente você já teve contato com alguém assim em algum momento. “O Poder dos quietos” vai te ensinar um pouco em como lidar com introvertidos e como se conectar melhor com eles.
E vai entender também que se eles não falam sobre certos assuntos, como relacionamentos, é porque ainda precisam aprender a lidar com certos medos e anseios.

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