Nós criamos nossos inimigos


Por: Vagner Melo

Sempre que há uma crise, buscamos formas simples para solucionar os nossos problemas. E como nosso cérebro se acostuma com coisas simples e busca não fazer muito esforço, procuramos as soluções mais rápidas.

Alguns dos nossos problemas costumam aparecer com o tempo e não nos damos conta e quando o vemos, fica mais difícil de resolver.

Quer um exemplo?

Queremos uma vida saudável, mais saúde, mas temos hábitos alimentares ruins e, principalmente, uma certa preguiça em atividades físicas.

E aí vem aquela resolução. Vou mudar!!

Imagine ter que começar tudo de novo. Do zero. Mudar hábitos que já duram anos, tudo para chegar ao ideal que você deseja.

Mas nesse momento você acredita que não conseguirá. Que é muito difícil, que as coisas poderiam ser mais simples. Nesse caso, você é, aqui, o seu inimigo. E você o criou. Ainda que de forma inconsciente.

Ah, mas eu sou feliz assim!! Ok. Ótimo, que bom.

Mas e nas outras coisas?

Costumamos procrastinar em um relatório no trabalho, nos textos que devemos escrever, nas atividades do dia a dia (Ah depois eu faço/Depois eu vejo/Vamos ver), e isso se torna um hábito ruim e, ainda por cima, acumula uma quantidade de coisas que nos deixam com crises de ansiedade.

Pois é nesse momento que seu cérebro fica remoendo as coisas que você precisa fazer. Isso sem contar os nossos medos, falta de autoestima, falta de disciplina e outras faltas que podemos ter.

E temos aqui o nosso inimigo. Nós mesmos.

Talvez o nosso maior desafio não são os desafios que a vida traz, mas vencer nossas acomodações, pensamentos, nossos hábitos.

E não pense você que isso se limita apenas ao seu mundo pessoal. Queremos mudar o mundo. Sim e quem não quer?

Mas sabe aquela história de “essa culpa eu não carrego”? Bom talvez não seja bem assim.

Pensemos no nosso atual momento. A crise que o país está passando não começou hoje. Sem contar a pandemia, as outras situações como desemprego, falta de segurança, economia, já vem de uma série de erros anteriores.

Você pode não apoiar o atual governo, o presidente, seus ministros e demais componentes dos governos atuais. Mas talvez apoie os que estavam antes, que, se não são tão ruins quanto estes, também não são tão melhores assim.

Hoje, o país vive um momento de crise que a atual geração não vai esquecer. Podemos dizer que estamos vivendo um momento importante na nossa história.

E a história está aí para nos ensinar que situações de crise geram problemas ainda maiores quando fechamos os olhos para certos sinais. A ascensão do Nazismo foi um exemplo. A partir de uma crise econômica, um grupo, liderados por uma pessoa, chegou ao poder com um certo apoio e criou um dos piores momentos da história mundial.

A chegada do atual presidente brasileiro ao poder se deu por um motivo: o governo passado gerou uma crise em vários níveis que possibilitou a abertura para que uma pessoa sem nenhum preparo chegasse ao poder.

E aqui não estou nem falando das barbaridades que o atual mandatário nacional fala, me refiro a sua total incompetência em estar onde está. Os sinais vinham aparecendo, mas quem permitiu de fato que ele chegasse lá, foram as pessoas que contribuíram para um dos maiores escândalos de corrupção que vimos.

E aí você soma, crises econômicas, escândalos de corrupção, país indo ladeira abaixo, isso contribui para aparecer aqueles “revolucionários”, “mitos”, ou qualquer outro ser messiânico que possa surgir. Os supostos heróis que darão um jeito em tudo, porque são diferentes. E são esses que encontram vozes similares e começam a fazer barulho.

Mas então vemos que tudo não passou de retórica. Na verdade, eles não são tão diferentes assim. Pode mudar o lado ou a cor, mas no final do dia, só se importam com seus pares, amigos, parentes. E o resto que se vire.

A esquerda criou o seu pior inimigo. Mas isso devido aos seus próprios erros.

Por que temos um governo atual assim? Porque os anteriores foram tão ruins quanto.

Por que sua vida não vai adiante da forma como você gostaria? Talvez porque em algum momento você relaxou, se acostumou e chegou em uma zona de conforto que agora não consegue sair.

Reflita sobre o seu momento e o que você quer mudar. Reflita sobre os atuais governantes, aqueles que estão no poder e aqueles que querem voltar a ele. Será que todos eles são o que você gostaria?

Se nada estiver como você gostaria, marque um ponto de virada.

Pense: “Vocês não me representam!!”.


Se não há tempo, como achar tempo?

tempo
 

Por: Vagner Melo

Como você passa o seu tempo?

Não pergunto sobre como você gasta o seu tempo, pois “gastar” poderia significar estragar ou reduzir o tempo de alguma forma.

O tempo é um dos assuntos mais intrigantes da ciência. Como ele funciona, o que ele é, por que para alguns passa mais rápido do que para outros, enfim, perguntas sobre o tempo são inúmeras.

E mesmo os grandes filósofos da nossa história já buscaram entende-lo, mas estamos longe de encontrar uma resposta satisfatória.   

Hoje, temos a sensação de que o tempo está passando cada vez mais rápido. E ficamos com a sensação de não termos tempo suficiente e se não há tempo, como achar tempo?

Como diria Cazuza: “O tempo não para”.

O dia, como sabemos tem 24h. isso é igual para todos, sem negociação. Mas sempre reclamamos da sua falta.

Não será isso falta de planejamento?

Talvez estejamos fazendo mais coisas do que deveríamos. Acumulamos funções, algumas, diria até que desnecessárias.

Cuidar da casa, filhos, namoro, trabalhar, estudar, sair com os amigos, maratonar séries, ler um livro, enfim, situações das quais vivenciamos no dia a dia.

Queremos fazer muitas coisas ao mesmo tempo e ficamos ansiosos para acabar o que estamos fazendo, para logo começar outra atividade.

O maratonar séries é um bom exemplo disso. Queremos chegar rapidamente ao fim, saber o que acontece no final e não aproveitamos o caminho trilhado. E assim que acaba, nem refletimos sobre o final, já vamos para a próxima.

E assim vamos levando a vida também. Sem aproveitar o caminho, reclamando que não temos tempo. Que tudo está passando mais rápido.

Levantamos de manha pensando em chegar no trabalho. No trabalho pensamos em chegar em casa ou talvez, se for o caso, ir para a faculdade. Na faculdade não vemos a hora de chegar em casa e descansar.

É sempre o futuro e nunca o presente. Talvez seja isso que mude nossa percepção.

E acontece também, em muitos casos, de estarmos fazendo mais de uma coisa ao mesmo tempo. Como estar escrevendo um texto e ouvindo música ou olhando o celular. Este (celular), aliás é o nosso maior “ladrão” de tempo.

O aparelho celular se tornou uma extensão do nosso braço. E possivelmente, você que está lendo esse texto, se não estiver lendo através da tela do seu mobile, está com ele a menos de um metro de distância de você.

Queremos nos conectar com quem está longe, mas quando estamos perto focamos em quem está longe, e assim vai indo.

 Mas o que fazer então?

Pare e reflita se você não está acumulando muitas funções. Veja o que de fato é importante. O que precisa ser feito agora e o que pode esperar.

Se for um trabalho curto, como lavar uma louça, faça! Não espere para depois. Dependendo da situação, dívida suas tarefas em etapas ou com outras pessoas. Você não precisa carregar o mundo nas costas.

Planeje-se. Escolha as atividades que serão feitas nos próximos três ou quatro dias. Quem sabe assim você não adianta alguma coisa. E aquilo que não tem importância, exclua da sua vida.

Nossa percepção de falta de tempo é o que vem aumentando nossa ansiedade, ainda mais com essa pandemia. Queremos passar logo por ela. E isso pode até transformar um problema mínimo em “situações de fim de mundo”

Divida o que é urgente, importante e prioridade, saiba qual das suas atividades se encaixa em um desses três elementos referentes a gestão de tempo.

Seu tempo é precioso, não o desperdice.

 Afinal, O tempo não para!

Soul, uma animação para adultos

 

capa do filme/imagem google


Por: Vagner Melo


Filmes de animação costumam focar o público infantil, mas buscam agradar aos adultos para que estes levem os filhos ou sobrinhos ao cinema e assim poder curtir um bom entretenimento.

Entretanto, a animação Soul da Disney/Pixar parece querer alterar esse modelo. Soul é mais do que um filme para crianças, ele é na verdade uma animação para adultos.

Divertida Mente (2015) já possuía um pouco desse conceito de alcançar o público adulto, abordando os aspectos mentais que direcionam e constituem o dia a dia das pessoas.  Mas Soul (2020), trata das angustias e medos de muitos adultos.

Através de reflexões existencialistas o personagem central da história se depara com conceitos discutidos por anos dentro da filosofia. O existir.

Para onde vamos? O que fazemos? Qual o nosso propósito? Estou no trabalho certo? São perguntas que todos fazemos e por não existir uma resposta exata, tendemos a refletir sobre nossos caminhos e escolhas.

A palavra Soul em inglês significa alma, porém pode se referir também ao estilo musical surgido nos Estados Unidos no final dos anos 50 e começo dos anos 60.

A Soul music combina elementos do R&B, do jazz e da música gospel, e se originou através dos grupos afro-americanos, que buscavam maiores espaços na sociedade americana.

Não à toa o personagem principal do filme é um musico negro. Aliás o primeiro protagonista negro dos filmes Pixar. Fator extremante importante no atual momento.

A representatividade exercida no filme não fica apenas no personagem central, quase todos os personagens apresentados são negros, dando um protagonismo pouco visto em outras animações, sejam elas em séries ou filmes.

Isso mostra como a Pixar está atenta ao que acontece na sociedade como um todo e se preocupa em transmitir os bons valores ao público infantil, demonstrando que não importa a cor da pele da pessoa e sim a sua capacidade.

O soul é uma das contribuições culturais existentes originados através dos afro-americanos, inclusive salientado no filme, e é a forma de expressão que os negros encontraram para mostrar o seu orgulho e lutar contra o racismo, que era ainda mais forte no Estados Unidos dos anos 60.

E ainda que seja o jazz o estilo musical mais citado no filme, a escolha do soul como título do filme provavelmente não foi à toa. Cantores como Ray Charles, James Brown, Aretha Franklin, Marvin Gaye e Nina Simone são grandes clássicos desse gênero musical.

Proposito e missão de vida


Mas falando sobre o filme, o personagem central do filme é Joe Gardner. Joe é apaixonado por música e acredita ser ela a sua missão de vida. O seu maior sonho é tocar em uma banda de jazz.

Após um acidente sofrido, justamente quando ele consegue o emprego dos seus sonhos, sua alma se desprende do corpo e ele passa por uma viagem através dos reinos cósmicos. Tudo trabalhado de forma bem elegante e com uma sensibilidade que as animações Pixar costumam apresentar.

Joe se recusa a creditar que pode estar morto e busca formas de voltar ao seu corpo. No plano do pré vida, ele por acaso se torna o tutor da alma batizada de 22 e que precisa encontrar seu propósito antes de poder descer para a terra e viver uma vida humana.

Unindo esses dois personagens temos a música como elemento que motiva Joe a viver a vida, é e ela a motivação central do personagem e que leva o expectador a refletir sobre temas como proposito e missão de vida.

Quantas pessoas não se perguntam isso diariamente? O que motiva alguém a levantar da cama cedo e enfrentar as dificuldades que a vida apresenta?

Muitos tem sonhos, desejos e se encontram naquilo que fazem. Mas existem milhares de outros que não sabem bem o que fazer, e ficam esperando que algo simplesmente aconteça para que possam se sentir realizados.

As nossas crises existenciais, que muitas vezes se fazem presentes em datas de aniversário ou viradas de ano, e nos fazem questionar sobre a vida que estamos vivendo, se apresenta de forma diferente para os dois personagens.

Enquanto a 22 busca um motivo que faça valer a pena viver na terra, Joe acredita que apenas quando conseguir tocar em uma banda estará de fato realizado.

Escolhas


Somos os responsáveis por escolher a forma como devemos levar a nossa vida. Na filosofia esses aspectos estão ligados ao filosofo dinamarquês Soren Kierkegaard, considerado o pai do existencialismo.

Dentro do existencialismo cabe ao indivíduo escolher a forma como deseja viver sua vida. Se é ficar esperando que algo aconteça, como uma oportunidade de tocar em uma banda, ou aproveitar cada momento que temos de forma única.

Na maioria das vezes são as coisas mais simples que fazem a vida valer a pena. Joe e 22 passam por essas questões antes de se encontrarem como indivíduos e poder seguirem suas vidas.

Não dá para saber como as nossas escolhas irão se desdobrar no futuro, por isso a vida é tão complexa e cheia de dúvidas. Mas vale a pena viver na expectativa de esperar por algo que talvez nunca aconteça?

O importante de fato é viver o momento, aproveitar o que conquistamos e não ficar se apegando no que pode ou não acontecer.

A vida é apenas uma. Aproveite!!



O dilema do porco espinho

O dilema do porco espinho - arquivo pessoal

 

por: Vagner Melo

O dilema do porco espinho é um conceito criado pelo filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860) e ganhou uma releitura através do raciocino do professor e historiador Leandro Karnal.

Karnal tem uma capacidade explicativa bem interessante. É simples e ao mesmo tempo sofisticado. Explicar a complexidade de forma clara é uma capacidade para poucos, ainda mais no mundo acadêmico, cheio de jargões e frases técnicas.

O dilema do porco espinho procura explicar a dificuldade da convivência humana em toda a sua complexidade. Assim como um porco espinho, que no inverno necessita de aproximação dos demais para sobreviver, porém percebe que ao se aproximar demais dos outros pode se machucar devido aos espinhos, temos a necessidade de estarmos rodeados e próximos de outras pessoas, mas essa aproximação pode gerar atritos.

O ser humano é um ser gregário, necessita do outro para evoluir. O desenvolvimento humano é um exemplo claro disso. Se o homem fosse único e não aprendesse ou não dependesse de outros homens, possivelmente não teria alcançado o topo do domínio terrestre.

Entretanto, ainda que essa necessidade de estar em grupo ou em dupla seja necessária para o aprendizado e desenvolvimento, estar sozinho também é fundamental para que o homem se descubra como indivíduo.

E é nesse aspecto que as considerações do professor Karnal se fazem relevantes. Ele aponta pontos importantes da história o do conhecimento popular que demonstram como a solidão pode ser cultivada e trazer bons resultados.

Sabemos que a maioria das pessoas sente dificuldades em estar sozinho e tem a necessidade de estar com alguém. Muitas são carentes e precisam estar com, no mínimo, a sensação de ter um outro para se apoiar.

Mas se engana quem acredita que só por estar com alguém é estar acompanhado. Quantas vezes você já ouviu sobre relacionamentos que não dão certo porque um dos lados nunca está presente?

E o não estar presente não significa fisicamente, mas mentalmente e até espiritualmente.

Solitude

Dentro das religiões existentes no mundo, é comum os relatos que contam com personagens que em algum momento se isolaram do restante do seu povo e conseguiu naquele momento encontrar o seu significado. Jesus se recolheu no deserto por 40 dias. Buda se isolou até encontrar a iluminação. Maomé estava sozinho no monte Hira quando teve a visão de que ele era o enviado de Deus.

Religiões diferentes, tempos diferentes e ensinamentos de certa forma parecidos, porém os relatos históricos são os mesmos: a solidão como fator para uma descoberta.

O momento da solitude, que seria a solidão voluntária, é importante por ser o momento da reflexão profunda, do momento de se entender como pessoa e quando boa parte das grandes criações acontecem.

Quadros, livros, músicas e esculturas que se tornaram referencias no mundo foram criados por artistas ou escritores quando estes se encontravam sozinhos. O cinema é mestre em mostrar situações assim.

As aventuras de PI, O Naufrago, A Ghost Story, Taxi Driver, Wall-E são alguns exemplos cinematográficos que tratam da solidão e de como aprendemos a conviver com nós mesmos e nos descobrimos como pessoas em um período de isolamento.

Outro exemplo bem simples e de conhecimento popular, mas que pode ajudar nessa temática é o Super-Homem.

Seu planeta natal explode enquanto ele é enviado para a Terra. E ainda que tenha sido adotado por uma família humana e, com o passar do tempo outros kriptonianos tenham surgido, ele sempre esteve, de certa forma, sozinho.

A literatura também já tratou desse tema com escritores como Franz Kafka e Gabriel Garcia Marquez. Aliás a literatura é um dos pontos em que mais podemos destacar a solidão como um ótimo momento.

Primeiro pelo lado do escritor, que se senta sozinho na hora de escrever a sua história. Segundo pelo lado do leitor, que também está solitário enquanto acompanha a narrativa. 

Viver bem com você mesmo

Durante a pandemia que assolou o planeta em 2020 e vai se estender ainda por um bom tempo em 2021, o tema solidão se tornou o centro dos debates.

O que fazer em períodos de isolamento? Aprender novas habilidades? Ler vários livros? Fazer cursos on-line? Tudo precisou ser a distância ou respeitando o isolamento.

Buscamos formas de passar o tempo em casa sem poder sair e assim aproveitar melhor essa “solidão” forçada na qual vivemos.

Uma das ferramentas que talvez tenha encontrado o equilíbrio para o dilema do por espinho são as redes sociais redes sociais, fato que o professor Karnal cita em seu livro.

Com as redes sociais estamos perto o suficiente para conversar com quantas pessoas quisermos, e longe o bastante para evitar conversas ou pessoas desagradáveis.

Para quem é filho único, meu caso, a solidão já não é nenhum bicho de 7 cabeças. Filhos únicos aprendem cedo que, por melhor que sejam as interações humanas e muitas vezes elas são importantes, é mais do que o normal os momentos de buscar em você mesmo a saída para aqueles momentos.

Seja ele através da escrita, da música, assistindo filmes e obviamente através da leitura.

Mas em todos os casos, o importante é você estar bem com você mesmo. A solidão traz a reflexão interna. O silêncio é importante para você acalmar a mente e se ouvir.

Por isso aproveite a sua solidão!!

O ódio nosso de cada dia

 

ódio nosso de cada dia

por: Vagner Melo

Ódio pode ser considerada uma palavra forte quando nos referimos a não gostar de uma situação ou de alguém, mas basta dar uma passeada por aí e perceber que parece ser esse o sentimento que move as pessoas.

Veja as discussões no trânsito, brigas de torcida, violência doméstica, ofensas via internet, vizinhos e todo espaço onde pessoas convivem.

Redes sociais que deveriam servir para conectar e aproximar as pessoas se tornaram um terreno fértil para ofensas, muitas delas feitas através de avátares que não existem. 

O que hoje é considerada a geração Mi MI MI, é na verdade a geração que não tinha a oportunidade de espalhar sua frustração, seus pré-julgamentos e sua pobreza de ideias e visam atacar o que é diferente ou o que vai contra as suas ideias.

E olha que temos muitas pessoas que possuem níveis acadêmicos consideráveis e que dentro de um aspecto social coerente, deveriam, no mínimo, tentar ouvir o outro lado.

Se tornou comum transferir as responsabilidades para os outros, ao invés do diálogo para resolver as diferenças, observamos o baixo nível que parece tomar conta das pessoas ultimamente.

Reagimos mal ao que é diferente


A humanidade sempre possuiu um comportamento avesso ao que é diferente.

O professor e escritor israelense Yuval Noah Harary levanta uma questão interessante em seu primeiro livro, Sapiens – Uma breve história da humanidade.  Ao longo do desenvolvimento humano outras espécies de homens também andaram pela face da terra além do sapiens, e possivelmente ambos se encontraram em algum momento.

Entretanto, por algum motivo esses outros humanos não chegaram à atualidade, sendo extintos há muitos e muitos anos atrás. A julgar pela quantidade de animais que entraram em extinção pela mão humana, e vendo como hoje são tratados negros e gays, não é difícil imaginar o que pode ter acontecido.

Reagimos mal ao que é diferente. E basta que o diferente seja apenas uma simples opinião, crença, torcida ou lado político.

Lado politico que se tornou o foco de uns anos para cá. Com o auxilio da internet e das redes sociais surgiu um campo de discussões e ofensas. O que deveria ser um debate de ideias, é na verdade o desejo de opinar sobre tudo, através de achismos e negacionismo.

E isso dos dois lados. Da mesma forma que torcedores se matam em arredores de estádios por acreditar que o seu time é melhor, direita e esquerda se digladiam para defender seus “políticos de estimação”.

E é aqui que as discussões ficam pior. Ninguém debate ideias, apenas ofendem e desmerecem as possíveis ações que o outro lado poderia ter. Vencer o debate se tornou mais importante do que encontrar soluções viáveis para todos.

É basicamente igual com as discussões religiosas. Os religiosos mais fanáticos tendem a acreditar a sua crença é superior as demais. E isso não acontece apenas em país do oriente médio, no mundo ocidental sabemos o que aconteceu com grupos ou pessoas que não seguiam os preceitos da maioria.

Olhar para dentro


Temos enormes dificuldades em olhar para dentro e observar o nosso mal comportamento. Caso duvide, basta perceber como muitas pessoas costumam transferir responsabilidades.

A culpa é sempre do outro. Em relacionamentos, por exemplo, é comum colocarmos a culpa no outro. Quando algo não vai bem, um parceiro tende a culpar os problemas do casal na outra parte.

É sempre que o outro não entende. Que não sabe conversar. Quer uma prova? Você por acaso já viu alguém comentar “Ela terminou comigo porque eu sou muito chato e folgado”? Acho que não né.

No mundo corporativo é a mesma coisa. É comum acreditar que alguém que tenha sucesso em um cargo é por que tem sorte ou por que tem um contato forte. Não que isso de fato não aconteça, mas são poucos os que admitem que as vezes não tem preparo necessário.

Da mesma forma é sempre o governo o culpado pelos problemas sociais. Sim existe muita incompetência e corrupção no meio político, mas é comum a atuação do “jeitinho brasileiro”.

Jogar lixo na rua, pagar um policial para não levar multa, driblar a receita federal, fazer o chamado “gato” na TV paga, enfim para tudo haverá uma desculpa do qual eu não tenho culpa.

Perfeito não somos, mas cabe a nós olhar para dentro e observar como nossa vaidade afeta os demais e o mundo como um todo. 

Ver em que podemos melhorar e como chegar a um consenso para tentar diminuir o ódio que impera na nossa sociedade nos últimos anos.

A importância da imprensa para a sociedade

 




Por: Vagner Melo

Em algum momento você já assistiu um telejornal e parou para pensar qual a importância da imprensa dentro de uma sociedade?

Talvez em algum momento você deve ter ouvido dizer que a imprensa seria o “quarto poder”, mas você já parou para pensar sobre o que isso significa?

Bom, vamos lá!

Dentro das sociedades democráticas existem os chamados três poderes que são: o poder Legislativo; o poder Executivo; e o poder Judiciário.

Cada um deles deve agir com independência, mas em equilíbrio com os outros dois, assim um Estado poderá ser organizado e estruturado, podendo se desenvolver em harmonia.

O conceito dos três poderes foi criado pelo filósofo, político e escritor francês Charles Louis de Secondat (1689-1755), mais conhecido como Montesquieu.  A ideia desse pensador do século XVIII foi relatada em sua obra “O Espírito das Leis”, e apresentava a divisão dos poderes políticos e seus respectivos campos de atuação.

Contudo, com o passar dos anos e o desenvolvimento da imprensa, que resultou na maior circulação de informações e proporcionou o nascimento dos jornais impressos, surgiu o conceito de “quarto poder”.

Isso porque a imprensa tem como função ser o “olho” da sociedade e é a responsável pela circulação das informações que contribuem para que a população esteja mais ciente do que acontece dentro da sua cidade ou país.

Por isso, quando algo não vai bem em um governo, a imprensa é sempre a primeira a ser atacada, pois é ela quem primeiro levanta a voz e revela a população sobre as possíveis mudanças ou problemas.

Por esse motivo também não existe imprensa em países com regimes ditatoriais, ou ao menos não existe de forma independente, apenas um órgão ligado ao governo e que divulga somente informações positivas.

E não pense que isso se resume apenas a ditaduras de esquerda. A direita também possui seus exemplos. Durante o regime nazista na Alemanha, os jornais e rádios eram usados como o braço direito do governo para divulgar os interesses nazistas. 

Trabalho duro

Para quem não sabe, a imprensa já nasceu sendo a pedra no sapato de muitos governos e governantes. Sejam eles bons ou ruins, o papel da imprensa é fiscalizar, alertar e questionar as atitudes ou decisões tomadas.

Obviamente que se um governo vai bem e assume todas as suas responsabilidades, o que é difícil, a imprensa deve fazer os elogios cabíveis. Mas no geral sabemos como é na realidade.

Por isso, quando um determinado governante se sente pressionado, ele opta por duas saídas: desconversar sobre o tema ou transferir a culpa, que normalmente vai para a imprensa.

E como todo trabalho, o jornalismo tem seus momentos de dificuldade. Colher informações, investigar casos obscuros, questionar, levantar e analisar dados são algumas das funções de um jornalista. 

E quando ele começa a questionar alguns líderes, na busca por respostas claras, ai sim o trabalho se torna ainda mais duro, pois na maioria dos casos ninguém responde de forma satisfatória e busca tirar o foco do problema. ainda mais se for um governante populista.   

Sendo o discurso adotado quase sempre o mesmo: atrapalhar o bom trabalho feito, implantar crises, causar pânico, gerar desconforto e desconfiança na população e por aí vai.

Infelizmente temos visto muito isso ultimamente. Alguns líderes de Estado parecem acreditar que ainda estão em seus churrascos familiares, onde falam qualquer coisa e todos devem aceitar o que falam.

E o que é pior, além de não ter uma resposta clara, ainda conseguem iludir parte do público, que acreditam no discurso usado, gerando uma hostilidade desnecessária contra os profissionais dos veículos de comunicação.

Talvez esse desconforto que alguns governantes sentem com relação a imprensa seja porque eles sabem o poder que a mídia tem. Sabemos da força que a imprensa tem em mobilizar uma sociedade, construindo uma opinião pública firme. 

E exemplos para isso não faltam, clique no link e de uma olhada nesse artigo para conhecer sobre o escândalo de Watergate e você terá uma boa noção. O caso é um marco no jornalismo, servindo como referencia para os alunos do curso.

Poder de nascença

Países democráticos se estabilizaram e cresceram devido a existência de uma imprensa livre e independente. Portanto fique de olho quando alguém começar a questionar tudo o que é publicado pela imprensa. 

Esse é o primeiro sinal de um desejo na derrubada da democracia, e das liberdades de expressão, consequentemente devemos estar sempre atentos.

Infelizmente também existem os maus profissionais na área, mas cabe a você, leitor, buscar vários canais de comunicação e refletir sobre as informações divulgadas.

A liberdade de expressão foi construída ao longo dos anos com muito trabalho e sacrifico. 

Interesses, sejam eles econômicos e políticos, existem em várias áreas da sociedade, mas nem por isso devemos deixar de observar que o trabalho da imprensa é sério e visa o benefício de todos, independente do lado político ou classe social.

Hoje as informações circulam com mais facilidade, cabe a nós filtrar o que é realmente importante.

Dia do leitor

 



Por: Vagner Melo


Dia 07 de janeiro é comemorado o dia do leitor.

Sim senhoras e senhores, existe um dia para aqueles que amam ler e não conseguem passar um dia sem ficar com os olhos grudados em um texto.

Não importa a leitura, se é um jornal, livros sobre qualquer assunto, quadrinhos ou revistas, o importante é que o habito de leitura consegue entreter, informar e educar ao mesmo tempo.

Os livros provavelmente são a maior invenção que o homem já criou. Afinal, ainda que a escrita tenha sido uma grande evolução, a capacidade de registrar informações não seria nada se não houvesse um suporte adequado.

Foi devido a possibilidade de registrar tudo nos livros que muito do conhecimento humano foi preservado e explorado ao passar dos anos.

Claro que esse caminho foi se desenvolvendo com o passar dos anos e as evoluções tecnológicas. Paredes de cavernas, tabuas de argila, papiro, papel, cada um teve sua importância e avançou para a disseminação do conhecimento humano.

E ainda que hoje estejamos cercados de aparelhos tecnológicos e que estes nos possibilite fazer inúmeras coisas, o prazer de ficar sentado em um canto e poder se perder dentro de uma história é simplesmente fantástico.

E não importa o assunto. Se é ficção, fantasia, história, ciências, filosofia, biografia ou algum tema mais acadêmico, se você conseguir ampliar seus hábitos de leitura terá enormes benefícios.

Nos últimos anos houve também o crescimento dos livros chamados de “autoajuda” ou aqueles que prometem melhorar a vida das pessoas que o leem.

Ainda que a indicação seja para ler um pouco de tudo, fique de olhos abertos para as leituras que prometem mudanças.

O que de fato nos faz mudar é a possibilidade de sempre procurarmos algo novo para ler.

Nos últimos anos houve também o crescimento dos suportes eletrônicos como tablet, e-readers e até mesmo o novo (ou nem tão novo assim), acompanhante das pessoas, o aparelho celular.

Entretanto, muita gente ainda é contra esse novo suporte, preferindo a leitura a “moda antiga”. Ir na livraria, sentir o cheiro do livro, ou seja, senti-lo fisicamente de alguma forma..

Os países mais desenvolvidos do mundo possuem o hábito da leitura em seus cidadãos. Por esse motivo, muitos deles possuem um nível crítico bem mais desenvolvido que o nosso.

Países como Estados Unidos, Inglaterra e França, motivados também pelo crescimento econômico e pela necessidade de vender jornais, já no século XIX e XX, procuraram alfabetizar seus habitantes.

Por isso, o investimento em educação é tão importante. Ele pode não apresentar resultados imediatos, mas a longo prazo trará resultados importantes.

A educação formará pessoas mais qualificadas e mais capazes de se desenvolver e produzir, aumentando assim a riqueza do país e da sua qualidade de vida.

Mas infelizmente, segundo o que as pesquisas apontam, a média de leitura do brasileiro, que você pode observar clicando aquié ainda muito muito baixa. E unido aos problemas econômicos que passamos nos últimos anos, ocorreu também a diminuição no número de leitores.

Hoje o tempo em redes sociais, celulares ou mesmo maratonando uma série é bem maior do que os dedicados a leitura. E isso se deve também ao fato de que o nosso cérebro gosta de trabalhar pouco.

Incentive uma criança a ler

Sabemos como é difícil iniciar um novo hábito e o da leitura deveria ser incentivado já na infância. O estimulo para a leitura nessa época trará enormes benefícios, como a criatividade, melhor capacidade cognitiva, interpretação e escrita.

Infelizmente as leituras escolares estão longe do gosto das crianças, o que cria uma certa resistência para gerar novos leitores.

Deveríamos começar aos poucos, com leituras mais simples, que mexam com a imaginação, que sejam mais lúdicas e ir ampliando com o passar dos anos.

Das leituras iniciais, histórias em quadrinhos e livros de ficção/fantasia seriam os mais indicados, pois são eles que ajudaram a desenvolver mais a imaginação das crianças.

São eles que nos levam para outros lugares. Terras longínquas, planetas distantes ou mesmo reinos fictícios, mas que possuem muitas similaridades com o nosso mundo.

Algumas pessoas costumam revisitar seus livros preferidos ao menos uma vez ao ano. E mesmo já sabendo toda a história de cor, é possível aprender coisas novas ou reparar em certas situações não percebidas antes.

Isso porque a capacidade de alguns autores em criar narrativas é tão fantástica que é simplesmente impossível ler o livro apenas uma única vez.

Ampliar os hábitos de leitura seria uma forma ideal de melhorar nossa visão sobre o mundo.

Que sabe assim o nível de discussões que vemos por aí não fosse bem melhor.

Bom dia do leitor!!

A influência da mitologia nórdica

Capa do livro do autor Neil Gaiman


por: Vagner Melo 

Histórias são criadas e transmitidas pelo homem há séculos. Muitas delas possuem a intenção de entreter, ensinar ou tentar explicar uma situação acontecida em eras passadas e que não possuem uma explicação clara.

É através dessas histórias, que costumavam ser transmitidas oralmente, que surgiram alguns dos mitos e mitologias que conhecemos hoje. 

Certamente você já deve ter ouvido falar de algum personagem mitológico. Zeus, Hércules, Poseidon, Atena, Afrodite, Thor e Odin são alguns dos seres que costumam ser lembrados com mais facilidade.

Talvez pelo fato de o mundo Ocidental receber as bases do seu conhecimento da Grécia antiga, a mitologia grega esteja mais “presente” no imaginário popular, e seja até mais conhecida do que outras mitologias.

Porém, quem frequentemente aparece como referência e influencia inúmeras obras no mundo é a mitologia nórdica.

Um anel para a todos governar

Não apenas a literatura fantástica, mas também os quadrinhos, a música e outras tantas formas de arte se inspiraram na mitologia nórdica para contar suas narrativas.

O autor britânico Neil Gaiman, Richard Wagner compositor e maestro alemão, Masami Kurumada autor japonês de mangás, Stan Lee criador dos personagens Marvel e o também escritor J.R.R.Tolkien são alguns exemplos que utilizaram em suas obras algum elemento da mitologia nórdica.

Criador da HQ “Sandman” e do livro “Deuses Americanos”, Gaiman é um grande fã da mitologia nórdica, sendo ele um dos grandes escritores da atualidade a escrever um livro inteiro sobre essa mitologia.

A opera Der Ring des Nibelugen (O Anel do Nibelungo) composta por Wagner é uma obra dividida em quatro atos baseados nas Eddas, duas coletâneas que foram compiladas e escritas para ajudar a preservação de algumas das tradições orais dos escandinavos e germânicos, e que se referiam aos deuses e heróis nórdicos.

Na canção de Wagner, que foi adaptada para os quadrinhos, o foco principal da história é um anel mágico forjado pelo anão Alberich e que traz poderes ao seu portador. O Anel se tornou o motivo de ganancia, brigas e a busca pelo poder dos seres de habitavam Asgard, inclusive o deus pai Odin.

Para quem leu O Senhor dos Anéis do escritor J.R.R Tolkien, vai saber que o Anel é o elemento central que Tolkien utilizou para contar sua história e desenvolver boa parte da sua obra literária.

O Um Anel é motivo de Frodo Bolseiro precisar ir até Mordor, terra do Senhor do escuro, e cumprir a missão de tentar salvar toda a Terra-média da maldade de Sauron, destruindo o anel do poder.

O anel é ainda a razão para que os cavaleiros criados pelo japonês Masami Kurumada, na animação Os Cavaleiros do Zodíaco, fossem com a deusa Atena para o norte da Europa batalhar contra os guerreiros deuses.

Em Os Cavaleiros do Zodíaco o Anel do Nibelungo foi colocado nas mãos de Hilda de Polaris, a representante de Odin na terra que, ao invés de zelar pela paz e proteger os habitantes do norte do frio extremo, desafiou a deusa Atena, desequilibrando assim toda a estrutura das geleiras eternas, que se caso derretessem poderiam inundar toda a Terra.

Os Personagens 

Em algumas histórias da mitologia nórdica Odin costumava se transformar em um velho, que trajava roupas cinzas, chapéu pontudo e um cajado para se apoiar ao viajar por toda Asgard ou outra terra que compõe os noves reinos da mitologia nórdica. 

Da mesma forma, é assim que Gandalf, O Cinzento, mago criado por Tolkien, é descrito na jornada que acompanha o portador do anel.

Além de Odin,  outros personagens como Thor e Loki são possivelmente os mais lembrados e conhecidos da mitologia nórdica.

Stan Lee e Jack Kirby, dois grandes nomes dos quadrinhos de super heróis, juntamente com Larry Lieber, os adaptou dentro do Universo Marvel, sendo eles adaptados também para o cinema.

Além dos três deuses citados temos outros personagens constantemente lembrados, como Alberich, Siegfried, Mime e Fenrir, um lobo gigante que é filho de Lóki. Em Cavaleiros do Zodíaco por exemplo, são esses os nomes de alguns dos guerreiros deuses que protegem Hilda.

No cinema, o filme O Máscara, lançado em 1994, o personagem Stanley Ipkiss, interpretado pelo ator Jim Carrey, utiliza uma máscara de madeira que dá superpoderes e transforma o seu dono em um outro elemento completamente diferente. A máscara de madeira pertencia ao deus Lóki.

Ainda dentro do cinema, o filme Apocalypse Now, do diretor Francis Ford Coppola e lançado em 1979, tem como trilha principal o terceiro ato da obra de Wagner “Cavalgadas das Valquírias”, que você pode conhecer clicando aqui.

Certamente existe ainda milhares de outras obras e autores que utilizam a mitologia nórdica como inspiração, mas falar de todas aqui levaria há um texto muito maior.

Entretanto é bem interessante ler e conhecer mais sobre os personagens que compõem essa rica mitologia e entender as possíveis referencias que vemos por ai. 


Livros que realmente importam


 


Por: Vagner Melo


Você certamente já teve a oportunidade de passar na frente de uma livraria em algum momento dos últimos anos e pode observar os livros que costumam ficar expostos na vitrine.

Esses livros costumam ser aqueles mais vendidos e se não estão na vitrine, certamente estão próximos a entrada. Isso é uma maneira que as editoras e as livrarias usam para divulgar ou apresentar os novos lançamentos.

Apesar de uma enorme quantidade de novos lançamentos e do aparente crescimento de pessoas que leem, a qualidade dos novos livros parece deixar bastante a desejar.  Não porque sejam mal escritos, mas porque de fato não acrescentam em nada.

Mas quais são os livros que realmente importam?

Difícil responder essa pergunta, pois para cada pessoa o interesse em ler pode ter uma particularidade.

A ida a uma livraria é quase como ir há um lugar sagrado. E no caso da grande maioria, passar vontade por não ter dinheiro suficiente e poder levar todos os livros que gostaria.

Entretanto, nos últimos anos houve um aumento na busca por um certo tipo de livro. Os livros chamados de autoajuda. Livros que apresentam conceitos, técnicas e fórmulas que visam ajudar a melhorar a vida das pessoas.

Muitos desses livros possuem capas positivas, que envolvem elementos que atraem a atenção dos leitores por apresentarem alguma “novidade” ou um “segredo” que fará com que o leitor se torne feliz ou bem sucedido.

De fato, alguns desses livros ajudam, mas ajudam aqueles que os escrevem, pois são eles que no final se dão bem. Ficam famosos, dão entrevistas e participam de tudo o que é midiático hoje em dia.

Sim! Já li alguns. Uns para trabalhos, outros para entretenimento, mas todos para tentar entender por que alguns livros são tão indicados ou reconhecidos.

Alguns desses livros são escritos por “gurus” que prometem melhorar a vida dos seus seguidores se seguirem os conselhos ali colocados. Outros por pessoas bem sucedidas que resolvem “compartilhar” os seus conhecimentos após anos de experiência.

Mas refletindo sobre cada um deles, observo coisas que já estão presentes nas nossas vidas diariamente, que são expostos em outros livros de escritores realmente talentosos, porém que não paramos para refletir ou raciocinar e colocá-las em prática.

Pegue como exemplo o livro “O segredo”, que teve grande repercussão há alguns anos. Leia-o atentamente e descobrirá que todo o “segredo” está presente em outras tantas literaturas, porém escritos ou apresentados de outras formas.

Possui alguma dúvida com relação a isso? Leia a Bíblia ou outro livro que aborde algum contexto religioso. Ter fé, fazer o bem, acreditar que algo é possível e trabalhar duro. São todos conceitos que todos já sabemos e possuímos, mas a possibilidade de revelar um “segredo” atrai bem mais atenção.

Afinal qual é o segredo? O que torna algumas pessoas bem sucedidas? Iluminação divina? Sorte? Puro talento?

Na verdade, não. Basicamente tudo é muita dedicação, esforço diário e prática.

Os grandes nomes da literatura mundial e nacional fizeram sucesso ao longo dos anos por falarem sobre personagens que apresentam situações da vida comum.

J.R.R.Tolkien, J.K Rowling, Agatha Christi, Arthur Conan Doyle, Machado de Assis, Dostoievski, Clarice Lispector, Guimaraes Rosa, enfim, nomes não faltam para você pesquisar e começar a ler e saber mais sobre as obras de cada um.

E mesmo na literatura fantástica, considerada coisa de nerd, você pode aprender muito sobre o que fazer nas situações mais difíceis, basta ler com atenção os aprendizados que o autor coloca para seus personagens.

Infelizmente hoje as pessoas buscam por soluções rápidas, talvez seja esse o motivo do crescimento das leituras de autoajuda. Ter sucesso rápido, com leituras curtas.

É preciso mudar um pouco a forma como ensinamos nossas crianças a ler. Ensiná-las o prazer do silêncio e a satisfação que algumas horas de boa leitura nos trazem.

Assim, com o tempo, elas poderão escolher melhor seus próprios livros e aprender através de bons escritores que com dedicação, sacrifícios e muita persistência o sucesso poderá ser alcançado.

E você tem algum livro favorito?

Caso sério

 



Por: Vagner Melo

Como todos sabem, músicas se tornam especiais quando conseguem trazer um significado especial para quem escuta. Entretanto, algumas conseguem ser atemporais, e mesmo muitos anos depois do seu lançamento, ser presentes.

Eis que estou em casa ouvindo uma rádio de São Paulo, não vou citar qual, mas é uma que toca clássicos do rock, e ouço uma das bandas do rock nacional.

O que me chamou a atenção sobre a banda foi a letra da música que estava tocando. Sabe quando você ouve por acaso uma frase e repara como ela faz total sentido naquele momento?

Pois bem, foi justamente isso que aconteceu.

Pesquisando sobre a música descobri que mesmo 29 anos depois de lançada, é possível fazer um paralelo da música que ouvi com o atual momento que passamos se observar certos trechos da letra.

Logicamente que fiquei ouvindo a música em looping, e lembrando de algumas das notícias que vimos esse ano, que por mais que esteja perto de acabar, ainda me parece bem distante.

Algumas frases como “explodiram um paraíso”, “ditadores em nome da paz”, “parem de decidir o fim da terra, da água e do ar”, compunham a música e dão um tom meio apocalíptico, mas que ganha uma sensibilidade com o som de piano que abre e fecha a música.

A letra pode ter tido um significado na época que foi composta e lançada, mas hoje, se olharmos a atual situação do planeta, de certos líderes que vemos por aí, é como se ela tivesse sido composta recentemente.

Líderes que se apresentam como supostos “salvadores”, e únicos capazes de resolver os problemas dos países que comandam, mas que no fim usam seus poderes para realizar seus desejos ou proteger seus pares.

O interesse em se manter no poder. O orgulho de ter um cargo e ser reconhecido é maior do que a vontade de fazer as mudanças necessárias para melhorar a vida das pessoas.

Vemos também os problemas ambientais que o planeta passa. O Brasil entre um dos maiores causadores de desmatamento, e ainda que se diga que a imprensa possa aumentar os números, que não é exatamente como noticiado, não podemos negar os estragos que são feitos há muitos anos na Amazônia.

Mas ocorrem problemas em outras localidades também, o Brasil é apenas um de muitos que não liga para o restante do planeta. Basta ler um pouco dos livros do escritor israelense Yuval Noah Harari para se ter uma boa ideia.

Há também livros de biologia que tratam do assunto de extinção que algumas espécies estão passando, da destruição dos seus habitats, e tudo por conta da influência humana.

Isso sem falar nos sonhos de muitas pessoas que buscam por uma vida, um trabalho, uma carreira, mas que se veem impedidos de continuar devido as dificuldades que parecem aumentar e só trazem desgosto a cada dia.

Passamos um momento de transição. Está na hora de escolhermos quais caminhos seguir para gerar um mundo mais harmonioso e não entrarmos nós, espécie humana, em extinção.

As músicas, como muitas outras obras de arte servem justamente para esse motivo, expressar um sentimento, uma situação e nos fazer refletir e olharmos para dentro, que é onde tudo começa.

AH! Para quem ficou curioso e se interessou:

A banda era o Golpe de Estado e a música era “Caso sério”, que foi lançada em 1991 no disco Quarto Golpe.

aqui está o link para você curtir!!

https://www.youtube.com/watch?v=mHDM4CuCpyw&list=RDmHDM4CuCpyw&index=1


A falta de leitura explica o Brasil

 


por: Vagner Melo 

A educação no Brasil sempre foi sucateada. Entra governo, saí governo e os problemas de educação seguem os mesmos.

Falta de incentivo aos professores, escolas abandonadas, pouca adequação aos novos tempos e alunos, pouco estimulo dos responsáveis e a necessidade que muitas famílias tem em colocar o máximo de membros para trabalhar, para que com isso consiga gerar uma renda mínima para que a família possa sobreviver.

Mas, entretanto, existe um aspecto que está presente em todo o território nacional. A falta de leitura.

A falta de leitura no Brasil explica um pouco do baixo nível que vemos nos debates políticos, na falta de novas ideias e na pouca capacidade de diálogo que observamos em muitas pessoas por aí.

Pessoas essas que, em muitos casos, vão as redes sociais reclamar de políticos ou líderes, escrevendo textos cheios de erros gramaticais e se acham os senhores da verdade.

Não apenas o conhecimento fica restrito com a falta de leitura, como também as dificuldades em resolver questões mais complexas se tornam um desafio enorme para milhares de pessoas, inclusive os estudantes.

Em termos de números, o Brasil tem um dos piores desempenhos em educação no mundo. E isso se deve ao fato de que muitos alunos tem dificuldade em leitura e interpretação de textos. Veja a matéria do site G1 para entender melhor esses números. https://g1.globo.com/educacao/noticia/2019/12/03/brasil-cai-em-ranking-mundial-de-educacao-em-matematica-e-ciencias-e-fica-estagnado-em-leitura.ghtml

O brasileiro lê em média 4,96 livros por ano, sendo que apenas a metade dessa leitura é completa. O que deixa a média de livros lidos por volta de 2,45.

Além da baixa quantidade, possivelmente a qualidade também não deve ser a das melhores. Sabemos como muitos livros por aí não acrescentam em nada.

Mas ainda assim já seria um começo.

Algumas pessoas se perguntam o que deveriam ler. Por onde começar. A resposta para essas perguntas deveria ser simples, leia o que gosta. Assunto não falta.

Comece aos poucos, evite comparações com outras pessoas que já leem por mais tempo. Comece com leituras simples. Histórias em Quadrinhos são uma ótima pedida.

O hábito da leitura vai trazer, com o tempo, inúmeros benefícios como criatividade, boa memória, melhora na escrita e proporciona ainda um raciocínio mais amplo e complexo.

O que trará também maior capacidade de dialogar, entender o que é diferente e buscar soluções para todos.

Porém, é apenas com o tempo que essas capacidades se mostrarão presentes. Infelizmente sabemos como hoje as pessoas querem que as coisas aconteçam o mais rápido possível.

Veja, por exemplo, o tempo que as pessoas passam maratonando uma série. O desejo de chegar ao final, o mais rápido possível, se tornou uma nova tendência social.

E ajudados pelo crescimento dos serviços de streaming, o tempo em frente as telas de tv, celulares, computadores ou tablets se tornou ainda maior, sendo este um dos motivos que as pessoas mais focam quando estão em momentos de lazer.

Infelizmente o valor dos livros, que é altíssimo, é outro fator que impede o aumento da leitura, o que explica também as dificuldades de algumas livrarias como Saraiva e Cultura em se manter abertas.  E logicamente que a baixa renda das pessoas será direcionada a outras necessidades consideradas mais urgentes.

Tempo para mudar há, entretanto, novas medidas e incentivos para os jovens deverão ser tomados imediatamente.

E para quem já lê, estimular os mais jovens ou pessoas próximas a começar o hábito da leitura irá ajudar o país a se tornar melhor.

Leitura leva tempo, e se você não o tem, meia página, uma página, dez páginas por dia seria o começo para quem acredita que tem o tempo curto. O importante é começar.

Reflita quanto tempo você passa nas redes sociais. Talvez seja esse o tempo, que você reclama que não tem, o necessário para ler um livro.

Será essa pequena atitude que ajudará o Brasil a ser um país melhor.