Livros que realmente importam


 


Por: Vagner Melo


Você certamente já teve a oportunidade de passar na frente de uma livraria em algum momento dos últimos anos e pode observar os livros que costumam ficar expostos na vitrine.

Esses livros costumam ser aqueles mais vendidos e se não estão na vitrine, certamente estão próximos a entrada. Isso é uma maneira que as editoras e as livrarias usam para divulgar ou apresentar os novos lançamentos.

Apesar de uma enorme quantidade de novos lançamentos e do aparente crescimento de pessoas que leem, a qualidade dos novos livros parece deixar bastante a desejar.  Não porque sejam mal escritos, mas porque de fato não acrescentam em nada.

Mas quais são os livros que realmente importam?

Difícil responder essa pergunta, pois para cada pessoa o interesse em ler pode ter uma particularidade.

A ida a uma livraria é quase como ir há um lugar sagrado. E no caso da grande maioria, passar vontade por não ter dinheiro suficiente e poder levar todos os livros que gostaria.

Entretanto, nos últimos anos houve um aumento na busca por um certo tipo de livro. Os livros chamados de autoajuda. Livros que apresentam conceitos, técnicas e fórmulas que visam ajudar a melhorar a vida das pessoas.

Muitos desses livros possuem capas positivas, que envolvem elementos que atraem a atenção dos leitores por apresentarem alguma “novidade” ou um “segredo” que fará com que o leitor se torne feliz ou bem sucedido.

De fato, alguns desses livros ajudam, mas ajudam aqueles que os escrevem, pois são eles que no final se dão bem. Ficam famosos, dão entrevistas e participam de tudo o que é midiático hoje em dia.

Sim! Já li alguns. Uns para trabalhos, outros para entretenimento, mas todos para tentar entender por que alguns livros são tão indicados ou reconhecidos.

Alguns desses livros são escritos por “gurus” que prometem melhorar a vida dos seus seguidores se seguirem os conselhos ali colocados. Outros por pessoas bem sucedidas que resolvem “compartilhar” os seus conhecimentos após anos de experiência.

Mas refletindo sobre cada um deles, observo coisas que já estão presentes nas nossas vidas diariamente, que são expostos em outros livros de escritores realmente talentosos, porém que não paramos para refletir ou raciocinar e colocá-las em prática.

Pegue como exemplo o livro “O segredo”, que teve grande repercussão há alguns anos. Leia-o atentamente e descobrirá que todo o “segredo” está presente em outras tantas literaturas, porém escritos ou apresentados de outras formas.

Possui alguma dúvida com relação a isso? Leia a Bíblia ou outro livro que aborde algum contexto religioso. Ter fé, fazer o bem, acreditar que algo é possível e trabalhar duro. São todos conceitos que todos já sabemos e possuímos, mas a possibilidade de revelar um “segredo” atrai bem mais atenção.

Afinal qual é o segredo? O que torna algumas pessoas bem sucedidas? Iluminação divina? Sorte? Puro talento?

Na verdade, não. Basicamente tudo é muita dedicação, esforço diário e prática.

Os grandes nomes da literatura mundial e nacional fizeram sucesso ao longo dos anos por falarem sobre personagens que apresentam situações da vida comum.

J.R.R.Tolkien, J.K Rowling, Agatha Christi, Arthur Conan Doyle, Machado de Assis, Dostoievski, Clarice Lispector, Guimaraes Rosa, enfim, nomes não faltam para você pesquisar e começar a ler e saber mais sobre as obras de cada um.

E mesmo na literatura fantástica, considerada coisa de nerd, você pode aprender muito sobre o que fazer nas situações mais difíceis, basta ler com atenção os aprendizados que o autor coloca para seus personagens.

Infelizmente hoje as pessoas buscam por soluções rápidas, talvez seja esse o motivo do crescimento das leituras de autoajuda. Ter sucesso rápido, com leituras curtas.

É preciso mudar um pouco a forma como ensinamos nossas crianças a ler. Ensiná-las o prazer do silêncio e a satisfação que algumas horas de boa leitura nos trazem.

Assim, com o tempo, elas poderão escolher melhor seus próprios livros e aprender através de bons escritores que com dedicação, sacrifícios e muita persistência o sucesso poderá ser alcançado.

E você tem algum livro favorito?

Caso sério

 



Por: Vagner Melo

Como todos sabem, músicas se tornam especiais quando conseguem trazer um significado especial para quem escuta. Entretanto, algumas conseguem ser atemporais, e mesmo muitos anos depois do seu lançamento, ser presentes.

Eis que estou em casa ouvindo uma rádio de São Paulo, não vou citar qual, mas é uma que toca clássicos do rock, e ouço uma das bandas do rock nacional.

O que me chamou a atenção sobre a banda foi a letra da música que estava tocando. Sabe quando você ouve por acaso uma frase e repara como ela faz total sentido naquele momento?

Pois bem, foi justamente isso que aconteceu.

Pesquisando sobre a música descobri que mesmo 29 anos depois de lançada, é possível fazer um paralelo da música que ouvi com o atual momento que passamos se observar certos trechos da letra.

Logicamente que fiquei ouvindo a música em looping, e lembrando de algumas das notícias que vimos esse ano, que por mais que esteja perto de acabar, ainda me parece bem distante.

Algumas frases como “explodiram um paraíso”, “ditadores em nome da paz”, “parem de decidir o fim da terra, da água e do ar”, compunham a música e dão um tom meio apocalíptico, mas que ganha uma sensibilidade com o som de piano que abre e fecha a música.

A letra pode ter tido um significado na época que foi composta e lançada, mas hoje, se olharmos a atual situação do planeta, de certos líderes que vemos por aí, é como se ela tivesse sido composta recentemente.

Líderes que se apresentam como supostos “salvadores”, e únicos capazes de resolver os problemas dos países que comandam, mas que no fim usam seus poderes para realizar seus desejos ou proteger seus pares.

O interesse em se manter no poder. O orgulho de ter um cargo e ser reconhecido é maior do que a vontade de fazer as mudanças necessárias para melhorar a vida das pessoas.

Vemos também os problemas ambientais que o planeta passa. O Brasil entre um dos maiores causadores de desmatamento, e ainda que se diga que a imprensa possa aumentar os números, que não é exatamente como noticiado, não podemos negar os estragos que são feitos há muitos anos na Amazônia.

Mas ocorrem problemas em outras localidades também, o Brasil é apenas um de muitos que não liga para o restante do planeta. Basta ler um pouco dos livros do escritor israelense Yuval Noah Harari para se ter uma boa ideia.

Há também livros de biologia que tratam do assunto de extinção que algumas espécies estão passando, da destruição dos seus habitats, e tudo por conta da influência humana.

Isso sem falar nos sonhos de muitas pessoas que buscam por uma vida, um trabalho, uma carreira, mas que se veem impedidos de continuar devido as dificuldades que parecem aumentar e só trazem desgosto a cada dia.

Passamos um momento de transição. Está na hora de escolhermos quais caminhos seguir para gerar um mundo mais harmonioso e não entrarmos nós, espécie humana, em extinção.

As músicas, como muitas outras obras de arte servem justamente para esse motivo, expressar um sentimento, uma situação e nos fazer refletir e olharmos para dentro, que é onde tudo começa.

AH! Para quem ficou curioso e se interessou:

A banda era o Golpe de Estado e a música era “Caso sério”, que foi lançada em 1991 no disco Quarto Golpe.

aqui está o link para você curtir!!

https://www.youtube.com/watch?v=mHDM4CuCpyw&list=RDmHDM4CuCpyw&index=1


A falta de leitura explica o Brasil

 


por: Vagner Melo 

A educação no Brasil sempre foi sucateada. Entra governo, saí governo e os problemas de educação seguem os mesmos.

Falta de incentivo aos professores, escolas abandonadas, pouca adequação aos novos tempos e alunos, pouco estimulo dos responsáveis e a necessidade que muitas famílias tem em colocar o máximo de membros para trabalhar, para que com isso consiga gerar uma renda mínima para que a família possa sobreviver.

Mas, entretanto, existe um aspecto que está presente em todo o território nacional. A falta de leitura.

A falta de leitura no Brasil explica um pouco do baixo nível que vemos nos debates políticos, na falta de novas ideias e na pouca capacidade de diálogo que observamos em muitas pessoas por aí.

Pessoas essas que, em muitos casos, vão as redes sociais reclamar de políticos ou líderes, escrevendo textos cheios de erros gramaticais e se acham os senhores da verdade.

Não apenas o conhecimento fica restrito com a falta de leitura, como também as dificuldades em resolver questões mais complexas se tornam um desafio enorme para milhares de pessoas, inclusive os estudantes.

Em termos de números, o Brasil tem um dos piores desempenhos em educação no mundo. E isso se deve ao fato de que muitos alunos tem dificuldade em leitura e interpretação de textos. Veja a matéria do site G1 para entender melhor esses números. https://g1.globo.com/educacao/noticia/2019/12/03/brasil-cai-em-ranking-mundial-de-educacao-em-matematica-e-ciencias-e-fica-estagnado-em-leitura.ghtml

O brasileiro lê em média 4,96 livros por ano, sendo que apenas a metade dessa leitura é completa. O que deixa a média de livros lidos por volta de 2,45.

Além da baixa quantidade, possivelmente a qualidade também não deve ser a das melhores. Sabemos como muitos livros por aí não acrescentam em nada.

Mas ainda assim já seria um começo.

Algumas pessoas se perguntam o que deveriam ler. Por onde começar. A resposta para essas perguntas deveria ser simples, leia o que gosta. Assunto não falta.

Comece aos poucos, evite comparações com outras pessoas que já leem por mais tempo. Comece com leituras simples. Histórias em Quadrinhos são uma ótima pedida.

O hábito da leitura vai trazer, com o tempo, inúmeros benefícios como criatividade, boa memória, melhora na escrita e proporciona ainda um raciocínio mais amplo e complexo.

O que trará também maior capacidade de dialogar, entender o que é diferente e buscar soluções para todos.

Porém, é apenas com o tempo que essas capacidades se mostrarão presentes. Infelizmente sabemos como hoje as pessoas querem que as coisas aconteçam o mais rápido possível.

Veja, por exemplo, o tempo que as pessoas passam maratonando uma série. O desejo de chegar ao final, o mais rápido possível, se tornou uma nova tendência social.

E ajudados pelo crescimento dos serviços de streaming, o tempo em frente as telas de tv, celulares, computadores ou tablets se tornou ainda maior, sendo este um dos motivos que as pessoas mais focam quando estão em momentos de lazer.

Infelizmente o valor dos livros, que é altíssimo, é outro fator que impede o aumento da leitura, o que explica também as dificuldades de algumas livrarias como Saraiva e Cultura em se manter abertas.  E logicamente que a baixa renda das pessoas será direcionada a outras necessidades consideradas mais urgentes.

Tempo para mudar há, entretanto, novas medidas e incentivos para os jovens deverão ser tomados imediatamente.

E para quem já lê, estimular os mais jovens ou pessoas próximas a começar o hábito da leitura irá ajudar o país a se tornar melhor.

Leitura leva tempo, e se você não o tem, meia página, uma página, dez páginas por dia seria o começo para quem acredita que tem o tempo curto. O importante é começar.

Reflita quanto tempo você passa nas redes sociais. Talvez seja esse o tempo, que você reclama que não tem, o necessário para ler um livro.

Será essa pequena atitude que ajudará o Brasil a ser um país melhor.

Penadinho: Vida e Lar, duas histórias para o momento atual

Penadinho: Vida / Penadinho: Lar

 Por: Vagner Melo 


A Turma da Mônica é um dos símbolos da cultura nacional e dificilmente encontramos alguém que não seja fã ou ao menos não tenha lido ao menos uma das histórias da turminha.

Crescemos acompanhado os personagens criados por Mauricio de Souza nas suas mais diversas historinhas. Porém, nós crescemos e deixamos um pouco de lado os personagens que, além de entreter, em muitos casos proporcionou o aprendizado da leitura.

Para trazer de volta “velhos” leitores e para homenagear o seu criador, Mauricio de Souza, o projeto Graphic MSP iniciado em 2012, tem trabalhado os personagens da Turma através dos traços e visões de artistas brasileiros convidados para dar uma nova roupagem aos personagens.

Grande parte das histórias publicadas envolvem temáticas como preconceito, assédio, amizade e outros tantos valores que cercam a nossa vida, além claro, de trabalhar as aventuras que acontecem com os personagens.

Mas um dos personagens que compõe o universo, se é que podemos chamar assim, da Turma da Mônica, precisa receber um cuidado especial dentro de qualquer história que possa ser criada, o Penadinho.

Penadinho é um personagem criado em 1963 por Mauricio de Souza. O fantasminha da turma e os seus amigos foram desenvolvidos para brincar com os gêneros de terror e que costumavam assustar crianças e até adultos. Junto a ele, um lobisomem, um vampiro, um monstro e uma múmia compõe o grupo, além da Cegonha e da Dona Morte.

Sabemos que muitas pessoas teme a morte e não gosta de falar sobre o assunto, por isso, trabalhar com personagens que tem uma ligação direta com ela é um grande desafio, ainda mais quando o personagem é voltado para o público infantil.

Mas nas mãos do casal Paulo Crumbim e Cristina Eiko, Penadinho ganhou duas belas histórias. VIDA de 2016 e LAR 2020 trazem o personagem e sua turma em duas situações que envolvem duas das nossas grandes preocupações: VIDA e LAR.

Os desenhos são belíssimos e de uma sensibilidade enorme, o que dá uma leveza fundamental para uma releitura mais “adulta” do personagem e do seu grupo como um todo. As cores escolhidas para ilustrar a história também são de fundamental importância para compor todo o cenário. Elas dão vida a história.

No quadrinho de 2012, VIDA, temos a eventualidade da perda. As muitas possibilidades que temos em nos declarar para alguém e não o fazemos por medo ou até relaxo.

LAR, de 2020, aborda um aspecto mais social e traz um pouco dos problemas que a cidade de São Paulo enfrenta, a busca de diversas pessoas por um lugar para morar.

Longe de ser apenas mais uma história para crianças, Penadinho Vida e Penadinho Lar são duas histórias diferentes, mas que se encaixam perfeitamente no nosso atual momento e são ótimas para refletir sobre nós mesmos.

O ano de 2020 se mostrou um ano de reflexões em todos os aspectos da nossa vida. Será um ano que certamente ficará marcado na história e difícil de esquecer.

É preciso repensar certos aspectos se quisermos mudar algo para o futuro.

Assim como Penadinho recebe o apoio da sua turma quando precisa, devemos buscar uma aproximação com os nossos grupos, ainda que seja em tempos de isolamento, poderá ser o apoio que necessitaremos para trabalhar um 2021 muito melhor. 

Escrita não é dom, é prática

por: Vagner Melo



A comunicação é parte fundamental para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Os processos comunicativos envolvem uma série de questões que vão da fala até a forma como nos vestimos.

Mas um dos pontos mais importantes na comunicação é a escrita. Grande parte das pessoas tem dificuldades em escrever e acreditam que existe uma fórmula mágica para isso. Ledo engano!

Escrita não é dom, é prática

Como tudo na vida, escrever demanda prática constante, assim como o hábito de correr ou ir na academia. Você pode até dizer que ter talento ou o chamado “dom” é importante. Talvez!

Ter a facilidade em uma atividade ajuda, porém não pense que quando desejar vai escrever um excelente texto que mudará o mundo. É preciso que a atividade seja constante. Escreva mesmo quando não tiver vontade ou acreditar que não tem boas ideias.

Fazer anotações pode ajudar no processo criativo, assim surgirão tópicos, novas ideias, facilidades na observação sobre o que quer e onde se quer chegar com o texto.

Sobre a parte gramatical, conhecer as regras ajuda sim, porém é o habito da leitura que facilitará toda a sua escrita. E quanto mais diversa a leitura melhor, pois assim ajudará a fazer ligações entre vários assuntos, ainda que a princípio eles não tenham relação.

Diversificar a leitura ajudará a compor os mais variados textos e temas. Isso é ainda mais importante para a produção de textos acadêmicos, que visam não apenas avaliar o aluno, mas analisar a sua capacidade de concisão, reflexão e conhecimento.  

Os grandes escritores ou pensadores que, ao longo do tempo, foram deixando suas marcas e hoje são renomados na literatura, costumavam ler muito. Assim como a escrita, a leitura também é um hábito, e esse, se possível, deve cultivado desde a infância.  

A escrita também é uma forma de você conseguir expressar as coisas que pensa ou sente, mas não encontra uma forma de falar ou não tem no momento alguém para conversar. Escrever em um papel é um modo de colocar para fora tudo o que gostaria, inclusive as ideias para projetos futuros.

O caminho cérebro, braço, mão, caneta e papel é ótimo para visualizar o que está pensando e ter um olhar de fora, que de outra forma não conseguiria enxergar. A Escrita possui um certo poder e é uma forma de ter uma perspectiva geral de tudo.

E como em toda boa comunicação é sempre importante saber que existe uma pessoa que está do outro lado. Não basta apenas escrever bonito, com vários jargões ou palavras difíceis. Textos bons costumam expressar o difícil de forma simples.

Tente imaginar como a outra pessoa irá ler e entender o seu texto, se as palavras escolhidas conseguem transmitir uma ideia clara. Peça para que alguém leia o que você escreveu, assim saberá onde pode melhorar, se é nos erros gramaticais, nos temas escolhidos ou até o tamanho do texto. É importante saber a opinião das pessoas nesses casos.

Veja por exemplo as grandes canções que ouvimos por aí. Músicas que mexem com o coração da gente ou nos fazem refletir. O fato de muitas músicas fazerem sucessos e serem cantadas por muitos anos é a prova de que aquela escrita foi, de fato, bem feita.

Muitas dessas canções parecem ser escritas especialmente para nós, e isso porque o compositor conseguiu expressar em palavras, os sentimentos que também fazem parte de nós.

Deseja escrever um livro, crônica, poesia, bons trabalhos acadêmicos ou um simples texto? Bom, escreva! Pratique. Escolha um tema no qual tem domínio e veja o que consegue fazer.

A internet está aí para tirar as dúvidas que possam surgir. E a prática irá tornar sua escrita mais fluida e mais atraente para outras pessoas.   


 

O Ócio Criativo

O ócio criativo - arquivo pessoal

 Por: Vagner Melo

Livros servem para informar, entreter e ao mesmo tempo nos fazer pensar. Quando você lê um livro escrito há muitos anos, e percebe que ele ainda é muito atual, com certeza este livro merece receber uma atenção especial.

O Ócio Criativo do sociólogo italiano Domenico de Masi é um desses livros que merecem uma atenção especial, ainda mais nesse momento conturbado do qual passamos com crise econômica, falta de emprego e pandemia.

Atualmente muitas pessoas estão desempregadas e desesperadas para voltar ao mercado de trabalho, isso porque o sentimento de exclusão, a sensação de incapacidade que a falta de um trabalho remunerado gera nos faz pensar que somos “fracassados”. Para quem tem filhos a sensação é ainda pior.

O trabalho remunerado traz uma percepção de segurança. Ficamos mais tranquilos, pois sabemos que as contas do final do mês serão pagas. Porém, focamos quase que nossa total atenção no trabalho. Dependendo do cargo exercido, parte dele é levado para casa após o final do expediente.

Com a revolução industrial e devido ao passar dos anos criou-se uma idolatria ao trabalho. Hoje a busca é pelo aperfeiçoamento constante, a necessidade de estudar, ler, ver vídeos, fazer minicursos, tudo para continuar aprendendo sempre.

No momento atual, as pessoas tendem a querer produzir o tempo inteiro. Muitos se sentem culpados e pensam que estão perdendo tempo, quando estão assistindo a um filme, vendo uma série ou lendo um livro para puro entretenimento.

E isso é um erro!

Em “O ócio criativo”, ainda que algumas previsões de Domenico de Masi não tenham se confirmado como a diminuição das horas de trabalho, por exemplo, muito do que ele aponta deveria ser levado em consideração por todos nós.  

Hoje as relações de trabalho mudaram, os destaques são as pessoas que atuam na criação, que utilizam o intelecto e não mais os braços.

Veja como cresceu nos últimos anos as Startups, o marketing digital, trabalhos de design, criação, produção de conteúdo, youtubers, gamers. Tudo é voltado para quem pensa, não para quem faz.

O Vale do Silício é talvez o melhor exemplo que podemos ter. As grandes empresas de tecnologia estão concentradas em um local onde as criações são feitas por pessoas em cadeiras confortáveis, que pensam em como melhorar um produto e gerar lucro.

Enquanto quem põe a mão na massa, quem faz o trabalho pesado está, muito provavelmente, dentro de uma fábrica em algum país do terceiro mundo e o pior, ganhando muito mal, trabalhando horas por dia e em condições bem precárias.  

Devemos a começar a reavaliar as nossas horas de trabalho e como aproveitar melhor as horas de ócio. Logicamente que ficar sentando no sofá o domingo inteiro, com a televisão ligada em programas de baixa qualidade não é o ideal.

Assistir um filme interessante, ler um livro, fazer um curso que agregue algo, ainda que não seja o foco da profissão da pessoa, mas que traga um novo conhecimento, como uma aula de música, jardinagem, culinária, etc. são bons modos de passar o tempo.

A pandemia mostrou que isso é possível. Muitas pessoas começaram a descobrir novas atividades a se fazer, como cozinhar. Atividades que nunca teriam sido feitas se não tivéssemos a necessidade de ter parado devido ao distanciamento social.

Diminuir as horas trabalhadas ainda demorará muito para acontecer, se acontecer algum dia, mas até lá podemos pensar em como diminuir a velocidade e nos dedicarmos a nós mesmos.

A pandemia mostrou que muitos trabalhos podem ser feitos em casa, sem a necessidade de deslocamento, diminuindo assim o tempo perdido no trânsito.

Caberá as pessoas e também as empresas em saber como moldar as novas formas de trabalho. Os trabalhos braçais, em alguns casos, dificilmente irão acabar, mas nas grandes multinacionais pessoas estão são constantemente substituídas por robôs.

Para as gerações futuras acredita-se que alguns trabalhos não foram criados ainda. Para os profissionais de agora é bom começar a pensar em como se adequar.

Entretanto, para que possamos ter uma vida bem vívida, será essencial equilibrar os dois momentos. Portanto, busque sempre alternativas que agregue algo a mais na sua vida. Aproveite o ócio criativo!!

Aprendendo com o documentário sobre o Michael Jordan


Por: Vagner Melo


Para quem gosta de aprender e busca por referências no esporte em como ser um profissional de sucesso, uma boa pedida é o documentário da Netflix em parceria com os canais ESPN “The Last Dance” (A última dança). Dividido em 10 episódios de 50 minutos cada, o documentário aborda a trajetória do jogador da NBA Michael Jordan.

Jordan é um dos ícones do esporte mundial, ídolo americano e tido como um dos maiores, se não o maior jogador de basquete da história. Como profissional iniciou a carreira de jogador em 1984, alcançando o ápice nos anos 90, se aposentando após a temporada 97/98. 

Para quem procura e deseja ser um exemplo de profissional o documentário é completo. Apresenta não apenas o talento, mas o trabalho diário para ser o melhor sempre, a importância do trabalho em equipe para o sucesso.

Além de entrevistas com Jordan, o diretor Jason Herir entrevistou diversas pessoas que em algum momento tiveram contato com o jogador, como adversários ou companheiros de time e jornalistas que cobriam a NBA durante o período em que Jordan era jogador.

O desenvolvimento profissional, como alguém que trabalha diariamente para alcançar um objetivo. As horas de treinamento, a busca por perfeição, o foco no objetivo final, tudo para alcançar a perfeição no que faz.

Muito dos elementos discutidos hoje para o sucesso na carreira profissional de uma pessoa, Jordan já fazia na sua época de jogador.

Mas obviamente que em alguns momentos não faltaram críticas ao documentário, por alterar alguns pontos da realidade. E como sempre, há um personagem que atua como o vilão da história.

No caso, o gerente geral do Chicago Bulls, Jerry Krause, que havia anunciado uma reformulação do time ao final da temporada, o que teria motivado Jordan a se aposentar e os demais jogadores a saírem do time do Chicago Bulls.

Mas ainda assim, observando pelo lado corporativo e na formação da equipe, Krause soube enxergar no mercado as pessoas certas para compor um trabalho de grande sucesso. Ainda que seja o vilão para alguns, sem ele o Chicago Bulls não teria conseguido vencer, por duas vezes, três campeonatos seguidos.

Para quem gosta de Marketing e estuda o assunto, a parceria entre o ídolo do esporte e uma marca de tênis, que até então não era tão grande, mas desejava ganhar mercado, se tornou uma parceria de sucesso para ambos os lados.

Outro fator também importante no marketing, esse mais de âmbito esportivo, foi a audiência e a capacidade de levar públicos aos ginásios que o talento de Michael Jordan proporcionou ao Chicago Bulls e a NBA como um todo, principalmente nos anos 90.

No quesito liderança, Jordan era quem puxava e estimulava o time. E aqui, para quem observar bem, ele não era exatamente o líder que muitos gostariam de ter. Talvez esse um dos pontos negativos do jogador.

Além de muito competitivo em tudo, ele extrapolava no tratamento com alguns companheiros. Muitos evitavam enfrentá-lo, devido ao medo que ele inspirava, mas ainda assim todos, inclusive outros grandes nomes famosos o respeitavam.

Michael Jordan além de ser um gigante do basquete americano, era também grande ídolo nacional. Erros e derrotas não faltaram e por ser um produto americano, em alguns momentos do documentário, a sensação que temos era a de que Jordan era quase um deus universal.

Porém, isso não tira o brilhantismo do atleta e da sua importância para o basquete e para o esporte como um todo.

Talvez para o nosso futebol, esporte mais praticado e divulgado por aqui, alguns times poderiam analisar o que fez o Chicago Bulls e a NBA durante o período que Jordan foi jogador, isso poderia trazer novamente o brilho que o nosso esporte precisa.

Qual será o seu legado?

 


Por: Vagner Melo

Viver o momento é importante para aproveitarmos melhor cada situação que acontece no dia a dia. Planejar o futuro é importante para termos um objetivo e buscar conquistá-lo para ter um sentido na vida.

Mas e o depois? Por acaso você já pensou, em algum momento da sua vida, qual será a marca que você deixará? Como marcará seu nome? Qual será o legado que você irá deixar para o futuro?

Ao observarmos a história da civilização humana ouvimos sobre nomes que em algum momento deixaram sua contribuição para o mundo através dos seus ensinamentos, sua arte, sua trajetória de vida ou contribuições na sua área de estudo.

A literatura também possui personagens que deixam seus ensinamentos e nomes por alguma atividade que fizeram dentro do seu contexto narrativo. Muitas histórias, principalmente as de guerra, apresentam personagens que vão para batalha e que visam marcar o seu nome na história.

Na famosa guerra de Troia, Aquiles foi um dos personagens que desejavam tornar seu nome conhecido e foi isso que o motivou a lutar ao lado dos gregos, mesmo sendo desafeto do rei Agamenon.

Nós costumamos observar os nossos pais, ídolos do esporte e artistas que nos inspiram e deixam alguma mensagem após muitos anos de sua partida. Na nossa música, como exemplo, o cantor Renato Russo se tornou ícone de uma geração e é lembrado até hoje pelas suas letras.

Mas e nós, meros mortais, o que faremos?

Boa parte das pessoas é tão focada em si mesma, ainda mais agora em que vivemos uma aparente individualização social, que não pensa no que pode contribuir para o próximo, para o planeta, para as próximas gerações.

Talvez uma grande invenção seja difícil, mas podemos observar como algumas pessoas ficam marcadas na nossa vida. Todos temos um professor, que em algum momento, nos ensinou algo além das matérias escolares.

Existe a frase que um homem só é completo quando tem um filho, escreve um livro e planta uma árvore. Mas de que adiantará cada uma dessas atividades se o homem não se preocupar em ensinar o seu filho a importância da leitura e respeitar o meio ambiente?

Bons modos provavelmente é um dos pilares. A educação como um todo é de vital importância para um meio social tão carente quanto o nosso.

Cada pessoa possui uma habilidade diferente e não adianta nos basearmos no que outros fazem. O sucesso do outro é única e exclusivamente dele, você precisa se encontrar sem se pautar pelos outros. 

Vamos nos moldando de acordo com o tempo. As prioridades e alguns sonhos mudam conforme envelhecemos e aprendemos mais sobre a vida e sobre nós mesmos. 

Encontrar um sentido no que se faz, pensar em como podemos contribuir para um mundo melhor pode dar um sentido a nossa existência. 

E é esse sentido que fará a diferença para o mundo e para aqueles que estão a nossa volta.

Temos o poder de influenciar as pessoas que estão próximas, mas essa influencia precisa ser pautada em bons exemplos, hábitos e modo de ver o mundo. 

Por isso, reflita sobre os seus planos e o que poderá fazer para tornar o mundo um lugar melhor. 

E pense: qual será o seu legado?

Reflexões da idade



Por: Vagner Melo


Algumas datas nos colocam a refletir sobre nós mesmos, sobre o mundo, nossa vida e principalmente sobre as nossas escolhas.

Aniversários ou viradas de ano, que costumam ser considerados como o início de “novos ciclos” dão uma percepção de autoconsciência que nem sempre percebemos.

Nos questionamos sobre onde estamos e onde queremos chegar. Voltamos ao passado, pensamos no que já fizemos, lembramos das pessoas que passaram, imaginamos como elas estão. Nos caminhos que cada uma seguiu e no que ainda está por vir.

Refletimos sobre nossas escolhas, sejam elas profissionais ou de vida. Questionamos se estamos fazendo as escolhas certas, pois cada escolha é uma nova oportunidade, porém é também uma porta fechada que nunca saberemos onde daria.  

Talvez essas reflexões surjam devido ao tempo que temos e o que fazemos com ele. Será que estamos realmente aproveitando a vida?

Muitas pessoas aproveitam o tempo que tem para estudar, para ler, para fazer atividades físicas, para sair, curtir ou simplesmente para dormir.

O tempo torna tudo mais real. Pensamos no que fizemos e no que ainda queremos fazer. Sonhos e objetivos estão em um futuro que muitas vezes parecem mais distantes. Opacos e não cristalino como gostaríamos.

O filme “Sociedade dos poetas mortos” traz um conceito interessante sobre as escolhas que fazemos, sobre o futuro que queremos ter e sobre o momento no qual estamos. Carpe diem! Ou simplesmente “Aproveite o momento”.

Os conceitos utilizados no filme visam a necessidade de refletir, pensar por si mesmo. Não deixar que os outros ou mesmo a sociedade nos imponham suas escolhas. Devemos, nós mesmos, aproveitar e escolher a forma como queremos viver.

A vida é uma oportunidade única. É o momento que temos de nos fazer melhor. É o aqui e o agora. São as pequenas coisas que fazemos no dia a dia. São as mudanças constantes, mas é também algo que não conseguimos definir em sua totalidade.

Alguns acreditam que a vida seja uma benção. Outros um karma. É possível que o sentido da vida seja o maior segredo que exista e se por acaso a humanidade um dia descobrir qual é a resposta Deus abrirá os véus do céu e fazer como os apresentadores do Big Brother, quando dizem: “Acabou!! Venham para cá, infelizmente o jogo acabou para vocês”.

Por isso, antes que o jogo acabe procure se descobrir, se conheça e encontre um sentido no que faz. Tenha a sabedoria e a paciência para entender que as coisas não mudam de uma hora para outra.

É o trabalho diário que trará as respostas que você procura. É o contato diário com novos conhecimentos que o tornarão os possíveis problemas em situações mais fáceis de lidar.

Escolhas são sempre difíceis. Encontrar um objetivo, definir um caminho será sempre complicado pois o medo de falhar, de não sermos quem queremos ser, é muitas vezes o que impede de darmos o passo seguinte.

Por isso arrisque-se! Carpe diem; aproveite o momento!!


Pois vamos todos numa linda passarela, de uma aquarela que um dia enfim....

 

 

Liberdade Limitada

Photo Mix por Pixabay


O documentário da Netflix “o dilema das redes” teve uma grande repercussão nas últimas semanas por abordar como as redes sociais fazem uso das informações pessoais que dispõem dos seus usuários.

Essas informações seriam vendidas à grandes empresas para que elas criassem formas de atrair novos e potenciais clientes, buscando através de análises de dados como conquistar esses clientes e estimulá-los a continuar comprando.

Entretanto, se metade dos filmes que tratam de espionagem forem verdade, não devemos duvidar totalmente, afinal, ainda que seja tudo ficção, sabemos que algumas coisas realmente ocorrem, “o dilema das redes” não passa de mais uma maneira que as grandes corporações usariam para nos monitorar.

Teorias da conspiração à parte, muito já foi discutido sobre as formas de se monitorar as pessoas. E não apenas documentários, mas cinema, quadrinhos e livros já trabalharam com essa temática.

A sequência dos filmes de Jason Bourne, com o ator Matt Damon, mostram como as agências de espionagem, principalmente a CIA (Central Intelligence Agency), trabalham com informações e muitas vezes monitoram pessoas ao redor do mundo.

Esse monitoramento muitas vezes está atrelado a observação através de câmeras de vigilância, localização via celular ou mesmo seguir os passos de uma pessoa.

O livro “1984” de George Orwell aborda a vigilância constante do Estado sobre as pessoas, impedindo que elas pensem ou tenham opiniões contrárias ao que é estabelecido. O quadrinho V de Vingança de Allan Moore e David Lloyd David também possui os mesmos conceitos de vigilância total. 

Mas voltando ao cinema, o último filme lançado da série Bourne esses aspectos são mais uma vez abordados, mostrando ainda como o interesse de poucos se sobressaem ao de muitos. Normalmente utilizando o discurso de que aquelas atitudes são para um bem maior ou para proteger os americanos.

Como pano de fundo, além da CIA e do personagem central da história, existe uma nova rede social que será lançada e irá otimizar todas as informações das pessoas que utilizam outras redes em apenas uma única plataforma.

Logicamente que o discurso sobre a nova plataforma aborda a liberdade das pessoas, segurança e sua total e completa privacidade.

Entretanto, um dos diretores da CIA, já conhecendo as possibilidades que isso traz, faz um acordo para conseguir essas informações e com isso poder implantar um novo programa que visaria eliminar pessoas que pudessem causar algum mal aos Estados Unidos.

Em um dos momentos do filme, há uma conversa entre o diretor da CIA, interpretado pelo ator Tommy Lee Jones, e o criador da nova rede social. O dialogo gira em torno da Liberdade. “Privacidade é liberdade” é uma das frases ditas.

Porém, existe um paradoxo nessa questão.

De fato, ninguém gosta de ser observado ou de ter seus dados divulgados. Mas ainda que nos sentimos desconfortáveis na presença de uma câmera, de certo modo ela nos traz segurança.

Hoje é muito comum pessoas escolherem morar em condomínios e quanto mais fechado e “seguro” melhor. Todavia, esse mais seguro possui muros altos, arames farpados, seguranças armados, câmeras que monitoram os espaços de utilização dos condôminos.

Seria essa a liberdade que procuramos? Sermos vigiados o tempo inteiro?

Zigmunt Bauman, sociólogo e filosofo polonês, aponta essas contradições que permeiam o nosso cotidiano e as novas relações sociais. Buscar segurança e liberdade, através da vigilância constante em um eteno big brother.

Entendemos que a violência, o medo, os problemas sociais estão atreladas as escolhas de moradia. Isso não é um julgamento de certo ou errado. 

Entretanto reclamamos dessa constante vigilância, mas compartilhamos nossos passeios, o dia a dia, a casa ou qualquer outra atividade que fazemos.

Podemos não ter de fato um Grande Irmão nos controlando, mas também não estamos longe de ter um.


O problema não são as redes, ao menos não totalmente


 

redes sociais

Há algumas semanas a Netflix lançou o documentário “O dilema das redes”, que aponta como as redes sociais influenciam de forma negativa a vida das pessoas.

Entrevistando alguns profissionais que já atuaram no desenvolvimento de muitas dessas redes, o documentário levanta questões sobre como elas são responsáveis por muitos problemas existentes na nossa sociedade atualmente.

Ainda que muitas das coisas apresentadas sejam interessantes e que devem ser levadas em consideração, o documentário é um tanto quanto “tendencioso”.

A impressão que ele aparentemente tenta passar é a de que as redes sociais são as causadoras dos problemas que temos atualmente, quando isso de fato não ocorre.

A verdade é que as redes potencializam os problemas.

E o termo “potencializam”, em destaque, porque com a quantidade de informações disponíveis, o mundo inteiro praticamente conectado, problemas que sempre existiram hoje se tornam mais mundiais.

O avanço tecnológico sempre possibilitou que nossas vidas fossem facilitadas. Isso acontece desde a invenção da primeira ferramenta criada pelo homem para poder caçar e se alimentar até os dias atuais com as inteligências artificiais.

No entanto, se levarmos em consideração tudo o que foi inventado até hoje, teremos o lado bom e o lado ruim em tudo.

Os meios de comunicação de massa que deviam ser utilizados para informar, educar e entreter já fizeram um pouco do trabalho que as redes fazem hoje, entretanto antes da internet surgir o caminho seguia apenas em uma direção.

Com a disponibilidade da internet e a facilidade em se usar smartphones ou câmeras, qualquer pessoa pode trabalhar com informações, sendo produtor de conteúdo, disponibilizar na rede e até criar teorias ou desenvolver raciocínios sem nenhum fundamento.

 

Mais do mesmo, mas diferente

 

Um dos pontos que “O dilema das redes” aponta é que os algoritmos para manter essas redes, analisam e reconhecem cada hábito que possuímos, sabendo exatamente o que indicar para que continuemos conectados pelo maior tempo possível.

Mas de certa forma isso é justamente o que toda empresa quer. Por isso, os altos investimentos em propaganda, publicidade e marketing.

O desenvolvimento dessas três áreas são todos baseados em estudos psicológicos que buscam entender os comportamentos humano, para que assim sejam lançados produtos que atendam um determinado desejo.

Assim como uma rede social, uma empresa tradicional quer que você continue consumindo.

Se somos “produtos” para as redes socias, não passamos também de outdoors ambulantes para grandes marcas. E o pior, ainda pagamos por isso. E ainda que você diga que muitas delas possam trazer conforto, como um par de tênis por exemplo, o valor alto é referente a marca e não ao produto em si.

E não esqueçamos também que quando fazemos uma compra, ao utilizar o cartão de crédito ou debito, estamos informando ao banco onde gastamos nosso dinheiro. E informamos também o governo, ao pedir o CPF na nota fiscal.

Já os grupos de comunicação querem que você continue “ligado”. E por falar em grupos de comunicação.

Os meios de comunicação foram no passado o que as redes são hoje, e se olharmos alguns momentos do século XX vemos que causaram o mesmo mal. Ou cosas bem piores.

Na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, os discursos de Adolf Hitler eram transmitidos para milhões de pessoas através do rádio e do cinema. Os americanos também faziam suas propagandas de guerra através dos meios de comunicação.

A polarização política de hoje, já vem de muitos anos, mas agora ela foi ampliada. Racismo e teorias de conspiração agora encontram ecos.

A luta contra o racismo nos Estados Unidos acontece há décadas, mas ainda assim parece ser um problema que demorará a ser resolvido.

As redes aproximam pessoas, mas aproximam também os preconceituosos.

Com relação as fake news, tão em alta nos assuntos de hoje, e que afetam principalmente o mundo da política, grandes empresas de comunicação já manipularam o seu público pensando apenas nos seus interesses.

Basta lembrar do que ocorreu no dia 25 de janeiro de 1984, onde um comício que defendia as eleições diretas para presidente foi noticiado como uma comemoração do aniversário da cidade de São Paulo.

 

O tempo de permanência

 

O Brasil é um dos países que passam mais tempos conectados.

Mas as redes sociais são apenas o novo entretenimento. As gerações passadas também eram criticadas por passar muito tempo na frente da televisão.

 A “geração MTV” era muito criticada por não querer saber de nada e só prestar atenção naquelas “músicas de doido”.

Mas infelizmente isso acontece de forma quase que natural, já que muitos pais colocavam os filhos na frente da TV para que eles fiquem quietos. Atualmente é a tela do celular que atrai a atenção dos pequenos, deixando os pais mais à vontade para outras atividades.

Esses hábitos inocentes de infância acabam por tornar adolescentes e adultos mais propensos a continuarem atraídos pelas telas a sua frente do que atentos para outras atividades. Existem, inclusive, pesquisas apontando que o tempo de atenção das pessoas, que até o ano 2000 era de 13 segundos, hoje baixou para apenas oitos segundos.

 

Sim é preciso rever as formas como utilizamos as redes sociais e como os grupos que as controlam fazem uso delas. 

Limitar, proibir ou sair das redes não parece ser uma solução, apenas uma fuga, afinal muitas das pessoas que passam por nossas vidas, acabamos por encontrar nas redes e ficamos felizes com isso.

“O dilema das redes” pode servir para que as pessoas pensem bem antes de compartilhar ou curtir algo, mas ainda devemos lembrar que o problema são as pessoas e como elas fazem uso da tecnologia, não há tecnologia ou a rede em si.