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| onde estavam nossos heróis?/arquivo pessoal |
Por: Vagner Melo
Há 20 anos eu chegava da escola. Pronto para, enquanto
almoçava, assistir desenhos. Coisa básica de adolescente depois da aula. Almoço
e desenho. De heróis melhor ainda.
Porém, ao ligar a televisão para assistir o dito desenho
(Dragon Ball ou X-Men - Evolution, não lembro qual agora!), eis que na tv está
passando dois prédios em chamas. Dois aviões haviam batido nesses prédios.
O primeiro aparentemente por acidente, afinal quais as
chances de isso acontecer? Já o segundo de forma premeditada. E ali começava um
lado escuro do novo milênio.
Inicialmente era apenas a frustração por não assistir o que
estava acostumado (saí disso, não quero notícias, volta o desenho!!), mas com o
tempo fui entendendo a situação, as suas implicações e que aquilo era uma
mudança.
Anos mais tarde (muitos inclusive), ao fazer a pesquisa para
meu TCC para o curso de jornalismo descubro uma questão interessante. A primeira
mídia a falar sobre aquele acontecimento, a essa altura, você já deve saber
qual, o 11 de setembro de 2001, foram os quadrinhos.
Obviamente que a televisão discutiu o 11 de setembro a torto
e a direito, ainda mais na época, hoje só próximo a data do ocorrido, como
hoje. Mas meios jornalísticos televisivos vivem do momento, do agora, então,
aquela pauta era fresca. Mas para as outras mídias, a chamada indústria cultural,
há um trabalho maior.
O quadrinho escolhido era do Homem-Aranha, escolhido por ser
ele o símbolo daquele lugar. Se você já leu algo ou assistiu alguns dos filmes
do aranha, sabe que Nova Iorque é o seu habitat. E aquela edição do amigão da
vizinhança “Homem-Aranha – Em memória da tragédia de 11 de setembro”
saiu um mês após o atentado, com capa preta, de luto, sem as habituais
ilustrações coloridas.
Símbolos que caem
Pesquisei aquele quadrinho por um motivo, o contexto
histórico que ele trazia, afinal ali estava um marco da história ocidental. Algo
que marcaria a história do mundo e principalmente do seu país, os Estados
Unidos.
Fato tão impactante que até hoje, 20 anos depois, ainda
temos alguns desdobramentos. Naquele momento não aconteceu apenas um atentado
terrorista, como os muitos que ocorreram nos anos seguintes, mas um desafio: Atacar
o país mais poderoso do mundo. Colocá-lo de joelhos. Perdido. Mostra eu ele “não
é tudo isso”.
Seus símbolos foram atacados. World Trade Center, Pentágono,
Casa Branca, tudo que remete ao orgulho americano. Cada símbolo que representa
um contexto diferente e importante. O filme virou realidade (lembra da cena de
explosão da Casa Branca no filme Independence Day?), a Casa Branca não foi
explodida, mas foi por pouco.
Destruir um símbolo é talvez a forma mais inteligente de minar
as forças de um adversário. Ainda que uma guerra não seja vencida, se você
tirar o principal símbolo adversário, se você atacar uma ideia ou ideal central,
o resto desaba, como em uma trilha de dominó.
Quantas vezes você já viu os seus heróis preferidos se
questionarem sobre seus ideais, suas escolhas. O Capitão América, talvez maior símbolo
de herói americano, até trocou suas cores quando parou de acreditar no ideal
americano.
Passamos novamente por um momento assim. Talvez ainda um
reflexo daquele fatídico dia. Questionamentos sobre o que acreditamos, sobre
como vemos as coisas. Se estamos no caminho certo. E principalmente para onde estamos
caminhando.
É momento de refletir. Talvez tivesse sido melhor assistir
ao desenho que não passou no inicio do texto. A realidade da tv nos tirou o
apetite.
E ficam aqui duas perguntas, uma que você já deve ter ouvido
em algum lugar hoje: Onde você estava em 11 de setembro de 2001?
E
Onde nossos heróis estão?










