Escrita não é dom, é prática

por: Vagner Melo



A comunicação é parte fundamental para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Os processos comunicativos envolvem uma série de questões que vão da fala até a forma como nos vestimos.

Mas um dos pontos mais importantes na comunicação é a escrita. Grande parte das pessoas tem dificuldades em escrever e acreditam que existe uma fórmula mágica para isso. Ledo engano!

Escrita não é dom, é prática

Como tudo na vida, escrever demanda prática constante, assim como o hábito de correr ou ir na academia. Você pode até dizer que ter talento ou o chamado “dom” é importante. Talvez!

Ter a facilidade em uma atividade ajuda, porém não pense que quando desejar vai escrever um excelente texto que mudará o mundo. É preciso que a atividade seja constante. Escreva mesmo quando não tiver vontade ou acreditar que não tem boas ideias.

Fazer anotações pode ajudar no processo criativo, assim surgirão tópicos, novas ideias, facilidades na observação sobre o que quer e onde se quer chegar com o texto.

Sobre a parte gramatical, conhecer as regras ajuda sim, porém é o habito da leitura que facilitará toda a sua escrita. E quanto mais diversa a leitura melhor, pois assim ajudará a fazer ligações entre vários assuntos, ainda que a princípio eles não tenham relação.

Diversificar a leitura ajudará a compor os mais variados textos e temas. Isso é ainda mais importante para a produção de textos acadêmicos, que visam não apenas avaliar o aluno, mas analisar a sua capacidade de concisão, reflexão e conhecimento.  

Os grandes escritores ou pensadores que, ao longo do tempo, foram deixando suas marcas e hoje são renomados na literatura, costumavam ler muito. Assim como a escrita, a leitura também é um hábito, e esse, se possível, deve cultivado desde a infância.  

A escrita também é uma forma de você conseguir expressar as coisas que pensa ou sente, mas não encontra uma forma de falar ou não tem no momento alguém para conversar. Escrever em um papel é um modo de colocar para fora tudo o que gostaria, inclusive as ideias para projetos futuros.

O caminho cérebro, braço, mão, caneta e papel é ótimo para visualizar o que está pensando e ter um olhar de fora, que de outra forma não conseguiria enxergar. A Escrita possui um certo poder e é uma forma de ter uma perspectiva geral de tudo.

E como em toda boa comunicação é sempre importante saber que existe uma pessoa que está do outro lado. Não basta apenas escrever bonito, com vários jargões ou palavras difíceis. Textos bons costumam expressar o difícil de forma simples.

Tente imaginar como a outra pessoa irá ler e entender o seu texto, se as palavras escolhidas conseguem transmitir uma ideia clara. Peça para que alguém leia o que você escreveu, assim saberá onde pode melhorar, se é nos erros gramaticais, nos temas escolhidos ou até o tamanho do texto. É importante saber a opinião das pessoas nesses casos.

Veja por exemplo as grandes canções que ouvimos por aí. Músicas que mexem com o coração da gente ou nos fazem refletir. O fato de muitas músicas fazerem sucessos e serem cantadas por muitos anos é a prova de que aquela escrita foi, de fato, bem feita.

Muitas dessas canções parecem ser escritas especialmente para nós, e isso porque o compositor conseguiu expressar em palavras, os sentimentos que também fazem parte de nós.

Deseja escrever um livro, crônica, poesia, bons trabalhos acadêmicos ou um simples texto? Bom, escreva! Pratique. Escolha um tema no qual tem domínio e veja o que consegue fazer.

A internet está aí para tirar as dúvidas que possam surgir. E a prática irá tornar sua escrita mais fluida e mais atraente para outras pessoas.   


 

O Ócio Criativo

O ócio criativo - arquivo pessoal

 Por: Vagner Melo

Livros servem para informar, entreter e ao mesmo tempo nos fazer pensar. Quando você lê um livro escrito há muitos anos, e percebe que ele ainda é muito atual, com certeza este livro merece receber uma atenção especial.

O Ócio Criativo do sociólogo italiano Domenico de Masi é um desses livros que merecem uma atenção especial, ainda mais nesse momento conturbado do qual passamos com crise econômica, falta de emprego e pandemia.

Atualmente muitas pessoas estão desempregadas e desesperadas para voltar ao mercado de trabalho, isso porque o sentimento de exclusão, a sensação de incapacidade que a falta de um trabalho remunerado gera nos faz pensar que somos “fracassados”. Para quem tem filhos a sensação é ainda pior.

O trabalho remunerado traz uma percepção de segurança. Ficamos mais tranquilos, pois sabemos que as contas do final do mês serão pagas. Porém, focamos quase que nossa total atenção no trabalho. Dependendo do cargo exercido, parte dele é levado para casa após o final do expediente.

Com a revolução industrial e devido ao passar dos anos criou-se uma idolatria ao trabalho. Hoje a busca é pelo aperfeiçoamento constante, a necessidade de estudar, ler, ver vídeos, fazer minicursos, tudo para continuar aprendendo sempre.

No momento atual, as pessoas tendem a querer produzir o tempo inteiro. Muitos se sentem culpados e pensam que estão perdendo tempo, quando estão assistindo a um filme, vendo uma série ou lendo um livro para puro entretenimento.

E isso é um erro!

Em “O ócio criativo”, ainda que algumas previsões de Domenico de Masi não tenham se confirmado como a diminuição das horas de trabalho, por exemplo, muito do que ele aponta deveria ser levado em consideração por todos nós.  

Hoje as relações de trabalho mudaram, os destaques são as pessoas que atuam na criação, que utilizam o intelecto e não mais os braços.

Veja como cresceu nos últimos anos as Startups, o marketing digital, trabalhos de design, criação, produção de conteúdo, youtubers, gamers. Tudo é voltado para quem pensa, não para quem faz.

O Vale do Silício é talvez o melhor exemplo que podemos ter. As grandes empresas de tecnologia estão concentradas em um local onde as criações são feitas por pessoas em cadeiras confortáveis, que pensam em como melhorar um produto e gerar lucro.

Enquanto quem põe a mão na massa, quem faz o trabalho pesado está, muito provavelmente, dentro de uma fábrica em algum país do terceiro mundo e o pior, ganhando muito mal, trabalhando horas por dia e em condições bem precárias.  

Devemos a começar a reavaliar as nossas horas de trabalho e como aproveitar melhor as horas de ócio. Logicamente que ficar sentando no sofá o domingo inteiro, com a televisão ligada em programas de baixa qualidade não é o ideal.

Assistir um filme interessante, ler um livro, fazer um curso que agregue algo, ainda que não seja o foco da profissão da pessoa, mas que traga um novo conhecimento, como uma aula de música, jardinagem, culinária, etc. são bons modos de passar o tempo.

A pandemia mostrou que isso é possível. Muitas pessoas começaram a descobrir novas atividades a se fazer, como cozinhar. Atividades que nunca teriam sido feitas se não tivéssemos a necessidade de ter parado devido ao distanciamento social.

Diminuir as horas trabalhadas ainda demorará muito para acontecer, se acontecer algum dia, mas até lá podemos pensar em como diminuir a velocidade e nos dedicarmos a nós mesmos.

A pandemia mostrou que muitos trabalhos podem ser feitos em casa, sem a necessidade de deslocamento, diminuindo assim o tempo perdido no trânsito.

Caberá as pessoas e também as empresas em saber como moldar as novas formas de trabalho. Os trabalhos braçais, em alguns casos, dificilmente irão acabar, mas nas grandes multinacionais pessoas estão são constantemente substituídas por robôs.

Para as gerações futuras acredita-se que alguns trabalhos não foram criados ainda. Para os profissionais de agora é bom começar a pensar em como se adequar.

Entretanto, para que possamos ter uma vida bem vívida, será essencial equilibrar os dois momentos. Portanto, busque sempre alternativas que agregue algo a mais na sua vida. Aproveite o ócio criativo!!

Aprendendo com o documentário sobre o Michael Jordan


Por: Vagner Melo


Para quem gosta de aprender e busca por referências no esporte em como ser um profissional de sucesso, uma boa pedida é o documentário da Netflix em parceria com os canais ESPN “The Last Dance” (A última dança). Dividido em 10 episódios de 50 minutos cada, o documentário aborda a trajetória do jogador da NBA Michael Jordan.

Jordan é um dos ícones do esporte mundial, ídolo americano e tido como um dos maiores, se não o maior jogador de basquete da história. Como profissional iniciou a carreira de jogador em 1984, alcançando o ápice nos anos 90, se aposentando após a temporada 97/98. 

Para quem procura e deseja ser um exemplo de profissional o documentário é completo. Apresenta não apenas o talento, mas o trabalho diário para ser o melhor sempre, a importância do trabalho em equipe para o sucesso.

Além de entrevistas com Jordan, o diretor Jason Herir entrevistou diversas pessoas que em algum momento tiveram contato com o jogador, como adversários ou companheiros de time e jornalistas que cobriam a NBA durante o período em que Jordan era jogador.

O desenvolvimento profissional, como alguém que trabalha diariamente para alcançar um objetivo. As horas de treinamento, a busca por perfeição, o foco no objetivo final, tudo para alcançar a perfeição no que faz.

Muito dos elementos discutidos hoje para o sucesso na carreira profissional de uma pessoa, Jordan já fazia na sua época de jogador.

Mas obviamente que em alguns momentos não faltaram críticas ao documentário, por alterar alguns pontos da realidade. E como sempre, há um personagem que atua como o vilão da história.

No caso, o gerente geral do Chicago Bulls, Jerry Krause, que havia anunciado uma reformulação do time ao final da temporada, o que teria motivado Jordan a se aposentar e os demais jogadores a saírem do time do Chicago Bulls.

Mas ainda assim, observando pelo lado corporativo e na formação da equipe, Krause soube enxergar no mercado as pessoas certas para compor um trabalho de grande sucesso. Ainda que seja o vilão para alguns, sem ele o Chicago Bulls não teria conseguido vencer, por duas vezes, três campeonatos seguidos.

Para quem gosta de Marketing e estuda o assunto, a parceria entre o ídolo do esporte e uma marca de tênis, que até então não era tão grande, mas desejava ganhar mercado, se tornou uma parceria de sucesso para ambos os lados.

Outro fator também importante no marketing, esse mais de âmbito esportivo, foi a audiência e a capacidade de levar públicos aos ginásios que o talento de Michael Jordan proporcionou ao Chicago Bulls e a NBA como um todo, principalmente nos anos 90.

No quesito liderança, Jordan era quem puxava e estimulava o time. E aqui, para quem observar bem, ele não era exatamente o líder que muitos gostariam de ter. Talvez esse um dos pontos negativos do jogador.

Além de muito competitivo em tudo, ele extrapolava no tratamento com alguns companheiros. Muitos evitavam enfrentá-lo, devido ao medo que ele inspirava, mas ainda assim todos, inclusive outros grandes nomes famosos o respeitavam.

Michael Jordan além de ser um gigante do basquete americano, era também grande ídolo nacional. Erros e derrotas não faltaram e por ser um produto americano, em alguns momentos do documentário, a sensação que temos era a de que Jordan era quase um deus universal.

Porém, isso não tira o brilhantismo do atleta e da sua importância para o basquete e para o esporte como um todo.

Talvez para o nosso futebol, esporte mais praticado e divulgado por aqui, alguns times poderiam analisar o que fez o Chicago Bulls e a NBA durante o período que Jordan foi jogador, isso poderia trazer novamente o brilho que o nosso esporte precisa.

Qual será o seu legado?

 


Por: Vagner Melo

Viver o momento é importante para aproveitarmos melhor cada situação que acontece no dia a dia. Planejar o futuro é importante para termos um objetivo e buscar conquistá-lo para ter um sentido na vida.

Mas e o depois? Por acaso você já pensou, em algum momento da sua vida, qual será a marca que você deixará? Como marcará seu nome? Qual será o legado que você irá deixar para o futuro?

Ao observarmos a história da civilização humana ouvimos sobre nomes que em algum momento deixaram sua contribuição para o mundo através dos seus ensinamentos, sua arte, sua trajetória de vida ou contribuições na sua área de estudo.

A literatura também possui personagens que deixam seus ensinamentos e nomes por alguma atividade que fizeram dentro do seu contexto narrativo. Muitas histórias, principalmente as de guerra, apresentam personagens que vão para batalha e que visam marcar o seu nome na história.

Na famosa guerra de Troia, Aquiles foi um dos personagens que desejavam tornar seu nome conhecido e foi isso que o motivou a lutar ao lado dos gregos, mesmo sendo desafeto do rei Agamenon.

Nós costumamos observar os nossos pais, ídolos do esporte e artistas que nos inspiram e deixam alguma mensagem após muitos anos de sua partida. Na nossa música, como exemplo, o cantor Renato Russo se tornou ícone de uma geração e é lembrado até hoje pelas suas letras.

Mas e nós, meros mortais, o que faremos?

Boa parte das pessoas é tão focada em si mesma, ainda mais agora em que vivemos uma aparente individualização social, que não pensa no que pode contribuir para o próximo, para o planeta, para as próximas gerações.

Talvez uma grande invenção seja difícil, mas podemos observar como algumas pessoas ficam marcadas na nossa vida. Todos temos um professor, que em algum momento, nos ensinou algo além das matérias escolares.

Existe a frase que um homem só é completo quando tem um filho, escreve um livro e planta uma árvore. Mas de que adiantará cada uma dessas atividades se o homem não se preocupar em ensinar o seu filho a importância da leitura e respeitar o meio ambiente?

Bons modos provavelmente é um dos pilares. A educação como um todo é de vital importância para um meio social tão carente quanto o nosso.

Cada pessoa possui uma habilidade diferente e não adianta nos basearmos no que outros fazem. O sucesso do outro é única e exclusivamente dele, você precisa se encontrar sem se pautar pelos outros. 

Vamos nos moldando de acordo com o tempo. As prioridades e alguns sonhos mudam conforme envelhecemos e aprendemos mais sobre a vida e sobre nós mesmos. 

Encontrar um sentido no que se faz, pensar em como podemos contribuir para um mundo melhor pode dar um sentido a nossa existência. 

E é esse sentido que fará a diferença para o mundo e para aqueles que estão a nossa volta.

Temos o poder de influenciar as pessoas que estão próximas, mas essa influencia precisa ser pautada em bons exemplos, hábitos e modo de ver o mundo. 

Por isso, reflita sobre os seus planos e o que poderá fazer para tornar o mundo um lugar melhor. 

E pense: qual será o seu legado?

Reflexões da idade



Por: Vagner Melo


Algumas datas nos colocam a refletir sobre nós mesmos, sobre o mundo, nossa vida e principalmente sobre as nossas escolhas.

Aniversários ou viradas de ano, que costumam ser considerados como o início de “novos ciclos” dão uma percepção de autoconsciência que nem sempre percebemos.

Nos questionamos sobre onde estamos e onde queremos chegar. Voltamos ao passado, pensamos no que já fizemos, lembramos das pessoas que passaram, imaginamos como elas estão. Nos caminhos que cada uma seguiu e no que ainda está por vir.

Refletimos sobre nossas escolhas, sejam elas profissionais ou de vida. Questionamos se estamos fazendo as escolhas certas, pois cada escolha é uma nova oportunidade, porém é também uma porta fechada que nunca saberemos onde daria.  

Talvez essas reflexões surjam devido ao tempo que temos e o que fazemos com ele. Será que estamos realmente aproveitando a vida?

Muitas pessoas aproveitam o tempo que tem para estudar, para ler, para fazer atividades físicas, para sair, curtir ou simplesmente para dormir.

O tempo torna tudo mais real. Pensamos no que fizemos e no que ainda queremos fazer. Sonhos e objetivos estão em um futuro que muitas vezes parecem mais distantes. Opacos e não cristalino como gostaríamos.

O filme “Sociedade dos poetas mortos” traz um conceito interessante sobre as escolhas que fazemos, sobre o futuro que queremos ter e sobre o momento no qual estamos. Carpe diem! Ou simplesmente “Aproveite o momento”.

Os conceitos utilizados no filme visam a necessidade de refletir, pensar por si mesmo. Não deixar que os outros ou mesmo a sociedade nos imponham suas escolhas. Devemos, nós mesmos, aproveitar e escolher a forma como queremos viver.

A vida é uma oportunidade única. É o momento que temos de nos fazer melhor. É o aqui e o agora. São as pequenas coisas que fazemos no dia a dia. São as mudanças constantes, mas é também algo que não conseguimos definir em sua totalidade.

Alguns acreditam que a vida seja uma benção. Outros um karma. É possível que o sentido da vida seja o maior segredo que exista e se por acaso a humanidade um dia descobrir qual é a resposta Deus abrirá os véus do céu e fazer como os apresentadores do Big Brother, quando dizem: “Acabou!! Venham para cá, infelizmente o jogo acabou para vocês”.

Por isso, antes que o jogo acabe procure se descobrir, se conheça e encontre um sentido no que faz. Tenha a sabedoria e a paciência para entender que as coisas não mudam de uma hora para outra.

É o trabalho diário que trará as respostas que você procura. É o contato diário com novos conhecimentos que o tornarão os possíveis problemas em situações mais fáceis de lidar.

Escolhas são sempre difíceis. Encontrar um objetivo, definir um caminho será sempre complicado pois o medo de falhar, de não sermos quem queremos ser, é muitas vezes o que impede de darmos o passo seguinte.

Por isso arrisque-se! Carpe diem; aproveite o momento!!


Pois vamos todos numa linda passarela, de uma aquarela que um dia enfim....

 

 

Liberdade Limitada

Photo Mix por Pixabay


O documentário da Netflix “o dilema das redes” teve uma grande repercussão nas últimas semanas por abordar como as redes sociais fazem uso das informações pessoais que dispõem dos seus usuários.

Essas informações seriam vendidas à grandes empresas para que elas criassem formas de atrair novos e potenciais clientes, buscando através de análises de dados como conquistar esses clientes e estimulá-los a continuar comprando.

Entretanto, se metade dos filmes que tratam de espionagem forem verdade, não devemos duvidar totalmente, afinal, ainda que seja tudo ficção, sabemos que algumas coisas realmente ocorrem, “o dilema das redes” não passa de mais uma maneira que as grandes corporações usariam para nos monitorar.

Teorias da conspiração à parte, muito já foi discutido sobre as formas de se monitorar as pessoas. E não apenas documentários, mas cinema, quadrinhos e livros já trabalharam com essa temática.

A sequência dos filmes de Jason Bourne, com o ator Matt Damon, mostram como as agências de espionagem, principalmente a CIA (Central Intelligence Agency), trabalham com informações e muitas vezes monitoram pessoas ao redor do mundo.

Esse monitoramento muitas vezes está atrelado a observação através de câmeras de vigilância, localização via celular ou mesmo seguir os passos de uma pessoa.

O livro “1984” de George Orwell aborda a vigilância constante do Estado sobre as pessoas, impedindo que elas pensem ou tenham opiniões contrárias ao que é estabelecido. O quadrinho V de Vingança de Allan Moore e David Lloyd David também possui os mesmos conceitos de vigilância total. 

Mas voltando ao cinema, o último filme lançado da série Bourne esses aspectos são mais uma vez abordados, mostrando ainda como o interesse de poucos se sobressaem ao de muitos. Normalmente utilizando o discurso de que aquelas atitudes são para um bem maior ou para proteger os americanos.

Como pano de fundo, além da CIA e do personagem central da história, existe uma nova rede social que será lançada e irá otimizar todas as informações das pessoas que utilizam outras redes em apenas uma única plataforma.

Logicamente que o discurso sobre a nova plataforma aborda a liberdade das pessoas, segurança e sua total e completa privacidade.

Entretanto, um dos diretores da CIA, já conhecendo as possibilidades que isso traz, faz um acordo para conseguir essas informações e com isso poder implantar um novo programa que visaria eliminar pessoas que pudessem causar algum mal aos Estados Unidos.

Em um dos momentos do filme, há uma conversa entre o diretor da CIA, interpretado pelo ator Tommy Lee Jones, e o criador da nova rede social. O dialogo gira em torno da Liberdade. “Privacidade é liberdade” é uma das frases ditas.

Porém, existe um paradoxo nessa questão.

De fato, ninguém gosta de ser observado ou de ter seus dados divulgados. Mas ainda que nos sentimos desconfortáveis na presença de uma câmera, de certo modo ela nos traz segurança.

Hoje é muito comum pessoas escolherem morar em condomínios e quanto mais fechado e “seguro” melhor. Todavia, esse mais seguro possui muros altos, arames farpados, seguranças armados, câmeras que monitoram os espaços de utilização dos condôminos.

Seria essa a liberdade que procuramos? Sermos vigiados o tempo inteiro?

Zigmunt Bauman, sociólogo e filosofo polonês, aponta essas contradições que permeiam o nosso cotidiano e as novas relações sociais. Buscar segurança e liberdade, através da vigilância constante em um eteno big brother.

Entendemos que a violência, o medo, os problemas sociais estão atreladas as escolhas de moradia. Isso não é um julgamento de certo ou errado. 

Entretanto reclamamos dessa constante vigilância, mas compartilhamos nossos passeios, o dia a dia, a casa ou qualquer outra atividade que fazemos.

Podemos não ter de fato um Grande Irmão nos controlando, mas também não estamos longe de ter um.


O problema não são as redes, ao menos não totalmente


 

redes sociais

Há algumas semanas a Netflix lançou o documentário “O dilema das redes”, que aponta como as redes sociais influenciam de forma negativa a vida das pessoas.

Entrevistando alguns profissionais que já atuaram no desenvolvimento de muitas dessas redes, o documentário levanta questões sobre como elas são responsáveis por muitos problemas existentes na nossa sociedade atualmente.

Ainda que muitas das coisas apresentadas sejam interessantes e que devem ser levadas em consideração, o documentário é um tanto quanto “tendencioso”.

A impressão que ele aparentemente tenta passar é a de que as redes sociais são as causadoras dos problemas que temos atualmente, quando isso de fato não ocorre.

A verdade é que as redes potencializam os problemas.

E o termo “potencializam”, em destaque, porque com a quantidade de informações disponíveis, o mundo inteiro praticamente conectado, problemas que sempre existiram hoje se tornam mais mundiais.

O avanço tecnológico sempre possibilitou que nossas vidas fossem facilitadas. Isso acontece desde a invenção da primeira ferramenta criada pelo homem para poder caçar e se alimentar até os dias atuais com as inteligências artificiais.

No entanto, se levarmos em consideração tudo o que foi inventado até hoje, teremos o lado bom e o lado ruim em tudo.

Os meios de comunicação de massa que deviam ser utilizados para informar, educar e entreter já fizeram um pouco do trabalho que as redes fazem hoje, entretanto antes da internet surgir o caminho seguia apenas em uma direção.

Com a disponibilidade da internet e a facilidade em se usar smartphones ou câmeras, qualquer pessoa pode trabalhar com informações, sendo produtor de conteúdo, disponibilizar na rede e até criar teorias ou desenvolver raciocínios sem nenhum fundamento.

 

Mais do mesmo, mas diferente

 

Um dos pontos que “O dilema das redes” aponta é que os algoritmos para manter essas redes, analisam e reconhecem cada hábito que possuímos, sabendo exatamente o que indicar para que continuemos conectados pelo maior tempo possível.

Mas de certa forma isso é justamente o que toda empresa quer. Por isso, os altos investimentos em propaganda, publicidade e marketing.

O desenvolvimento dessas três áreas são todos baseados em estudos psicológicos que buscam entender os comportamentos humano, para que assim sejam lançados produtos que atendam um determinado desejo.

Assim como uma rede social, uma empresa tradicional quer que você continue consumindo.

Se somos “produtos” para as redes socias, não passamos também de outdoors ambulantes para grandes marcas. E o pior, ainda pagamos por isso. E ainda que você diga que muitas delas possam trazer conforto, como um par de tênis por exemplo, o valor alto é referente a marca e não ao produto em si.

E não esqueçamos também que quando fazemos uma compra, ao utilizar o cartão de crédito ou debito, estamos informando ao banco onde gastamos nosso dinheiro. E informamos também o governo, ao pedir o CPF na nota fiscal.

Já os grupos de comunicação querem que você continue “ligado”. E por falar em grupos de comunicação.

Os meios de comunicação foram no passado o que as redes são hoje, e se olharmos alguns momentos do século XX vemos que causaram o mesmo mal. Ou cosas bem piores.

Na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, os discursos de Adolf Hitler eram transmitidos para milhões de pessoas através do rádio e do cinema. Os americanos também faziam suas propagandas de guerra através dos meios de comunicação.

A polarização política de hoje, já vem de muitos anos, mas agora ela foi ampliada. Racismo e teorias de conspiração agora encontram ecos.

A luta contra o racismo nos Estados Unidos acontece há décadas, mas ainda assim parece ser um problema que demorará a ser resolvido.

As redes aproximam pessoas, mas aproximam também os preconceituosos.

Com relação as fake news, tão em alta nos assuntos de hoje, e que afetam principalmente o mundo da política, grandes empresas de comunicação já manipularam o seu público pensando apenas nos seus interesses.

Basta lembrar do que ocorreu no dia 25 de janeiro de 1984, onde um comício que defendia as eleições diretas para presidente foi noticiado como uma comemoração do aniversário da cidade de São Paulo.

 

O tempo de permanência

 

O Brasil é um dos países que passam mais tempos conectados.

Mas as redes sociais são apenas o novo entretenimento. As gerações passadas também eram criticadas por passar muito tempo na frente da televisão.

 A “geração MTV” era muito criticada por não querer saber de nada e só prestar atenção naquelas “músicas de doido”.

Mas infelizmente isso acontece de forma quase que natural, já que muitos pais colocavam os filhos na frente da TV para que eles fiquem quietos. Atualmente é a tela do celular que atrai a atenção dos pequenos, deixando os pais mais à vontade para outras atividades.

Esses hábitos inocentes de infância acabam por tornar adolescentes e adultos mais propensos a continuarem atraídos pelas telas a sua frente do que atentos para outras atividades. Existem, inclusive, pesquisas apontando que o tempo de atenção das pessoas, que até o ano 2000 era de 13 segundos, hoje baixou para apenas oitos segundos.

 

Sim é preciso rever as formas como utilizamos as redes sociais e como os grupos que as controlam fazem uso delas. 

Limitar, proibir ou sair das redes não parece ser uma solução, apenas uma fuga, afinal muitas das pessoas que passam por nossas vidas, acabamos por encontrar nas redes e ficamos felizes com isso.

“O dilema das redes” pode servir para que as pessoas pensem bem antes de compartilhar ou curtir algo, mas ainda devemos lembrar que o problema são as pessoas e como elas fazem uso da tecnologia, não há tecnologia ou a rede em si.

 

 

 

 




A perda da liberdade




Interessante notar como as pessoas ignoram certos aspectos de suas vidas, mas ficam incomodadas quando surge uma crise ou alguém propõe uma certa medida que muitos são contra.

O desejo de muitos é ter mais tempo com a família e assim aproveitar melhor os momentos em casa. Pois bem, hoje estão todos em casa e todos querem sair. Muitos que tem filho querem curtir os filhos enquanto ainda são pequenos. Entretanto uma parte não vê a hora de voltarem as aulas.

Há algumas semanas muitas pessoas criticaram uma possível medida a ser abordada pelo governo do estado de São Paulo que usaria as empresas de telefonia celular para monitorar o movimento das pessoas dentro da cidade de São Paulo.

Porém o que muitas pessoas esquecem ou ignoram é que elas basicamente já disponibilizam todas as suas informações, ainda que sem perceber.

Quando você vai a praia, shopping, cinema ou está em um bar, com um grupo de amigos, ao tirar uma foto, a famosa Self, e a publica nas redes sociais, seja ela Instagram, Facebook ou compartilha com os amigos nos grupos de WhatsApp você já não está mostrando a todos em que lugar você está?

Quando fazemos uma compra em um supermercado e utilizamos o cartão de crédito, não estamos informando ao banco onde gastamos nosso dinheiro? Isso sem falar nas lojas onde consumimos bens de consumo. Outro ponto dentro das compras é a informação do número do CPF.

Quando você informa o seu CPF e pede a Nota Fiscal Paulista automaticamente está informando a receita federal quais sãos os seus gastos e, de acordo com a sua renda, você deve fazer a declaração do seu imposto.

E mesmo nas nossas residências, ao usarmos o computador e fazer alguma pesquisa no Google o registro do IP, que todos os computadores do mundo possuem, informa os seus interesses e quais as pesquisas que você por ventura tenha feito. 

E por falar em residência, muitas pessoas atualmente tem preferido morar em condôminos. A segurança que o lugar proporciona, com seguranças 24 horas, monitoramento de câmeras em todos os locais, que acompanham você da portaria ao seu apartamento, e de muros bem protegidos são alguns dos fatores que contribuem para a escolha.

Aliás o monitoramento por câmeras são um dos quesitos que fazem as pessoas se sentirem um pouco mais seguras nos centros urbanos. A instalação de câmeras em alguns pontos estratégicos foi utilizada para monitorar o Carnaval de São Paulo, mas ninguém reclamou disso.

Estádios de futebol também possuem câmeras internas e externas, além da presença de policiais militares para possibilitar as autoridades descobrir quem são os bagunceiros que possam atrapalhar o espetáculo.

Tudo isso de reunido podemos chamar de servidão voluntária, reflexo do atual mundo liquido que estamos inseridos e que o filosofo Zigmunt Bauman tratava em seus livros. E essa servidão é feita de muito bom grado, pois assim nos sentimos seguros.

Logicamente que monitorar a vida das pessoas sem que elas tenham dado a sia permissão é imoral e eticamente errado, principalmente quando vem contra os interesses públicos, mas já somos monitorados quase que o tempo inteiro.

A comunicação por parte do governo com certeza foi feita de forma equivocada. Claro que atitudes assim soam como autoritárias. Aliás falta de comunicação é o que não falta entre os nossos poderes.

Mas fica a reflexão sobre como nossas vidas estão expostas e não nos damos conta. O mundo tecnológico ajuda em muitos processos atualmente, mas pagamos um alto preço por isso.

Um deles a perda da nossa liberdade.

Conheça a chave para os relacionamentos de sucesso


Você sabe qual é o segredo dos relacionamentos de sucesso?

Já parou para pensar o porquê de os seus relacionamentos, sejam eles pessoais ou profissionais não derem certos ou, talvez, estarem passando por algum problema?

Portanto pare e pense: como anda a sua comunicação?

Quando você está com alguém, em uma conversa, você presta atenção no outro ou fica olhando a tela do celular?

E no seu relacionamento, você é a pessoa que fala mais ou ouve mais?

Saber se comunicar

A comunicação está presente em todos os animais, porém é nos homens que ela proporcionou um maior desenvolvimento, sendo ela uma das nossas principais capacidades naturais.

Veja, por exemplo, como os bebês fazem para “dizer” que estão com fome. Eles simplesmente choram.

Foi graças a nossa habilidade de se expressar em diferentes formas como a pintura, escrita e a fala que conseguimos transmitir conhecimentos e resolver os problemas que surgem ao longo do tempo.

Isso proporcionou, com o passar dos anos, a formação da nossa sociedade, a criação de laços entre diferentes pessoas ou grupos, tornando a nossa sociedade o que ela é nos dias de hoje.

Porém saber se comunicar não é apenas falar, existe um aspecto que talvez seja o mais importante no processo de comunicação e que é, talvez, o que menos as pessoas dão importância no dia a dia, o saber ouvir.

“Eu quis dizer, você não quis escutar”

A frase acima talvez seja conhecida de muitas pessoas. Ela abre a música “Meu erro” da banda de rock brasileiro Os Paralamas do Sucesso.

Mas o nosso "erro" não é o querer falar, mas sim o querer escutar. A frase resume bem os problemas que acompanham muitos relacionamentos, a falta da capacidade de um dos lados em ouvir.

Por isso pense nas relações interpessoais, principalmente, por exemplo, nos relacionamentos amorosos que não dão certo. Sempre um lado reclama que o outro não dá ouvidos.

É provável que as mulheres entendam isso um pouco melhor. É mais comum as mulheres reclamarem que os homens não dão ouvidos quando elas estão falando. E isso acontece devido há alguns fatores.

No desenvolvimento e aprendizado das crianças em geral são as meninas que começam a falar primeiro, possibilitando assim um melhor desenvolvimento nas capacidades empáticas e na facilidade de expressar suas emoções.

Outro ponto chave são os grupos formados apenas por meninas, pois neles existe uma confidencialidade maior nas experiências emocionais. As meninas são mais estimuladas a se abrir mais emocionalmente. O que facilita também na capacidade das mulheres em ler melhor as expressões faciais e corporais.

Já com os meninos não existe o estímulo para falar sobre sentimentos ou tudo o que envolve as emoções. Nos grupos formados apenas por meninos existe maior concorrência e competitividade.
Por isso não se preocupe se o seu namorado não consegue falar o que sente, ele simplesmente não desenvolveu isso de forma eficaz.

É claro que existem casos de pessoas de ambos os sexos que pensam apenas em si mesmas e não conseguem se colocar no lugar do outro. Ouvir envolve também empatia, ou seja, a capacidade de tentar entender o que o outro pensa ou sente.

Para ser diferente, para tudo mudar

Em qualquer tipo de relacionamento, seja ele pessoal ou profissional saber ouvir é a chave para o sucesso.

Quando uma empresa vai criar um produto ela faz uma pesquisa para saber o que seu público alvo deseja. Suprindo assim uma necessidade especifica e gerando atração.

Buscar compreender o outro lado, debater ideias de forma clara ou simplesmente ouvir uma opinião sobre algo pode ser preponderante para uma relação mais duradoura.

Isso também acontece no início de namoro, quando um casal quer se conhecer, eles conversam e escutam um ao outro. Mas isso infelizmente vai ficando esquecido com o passar do tempo.
Mas não se preocupe. Nem tudo está perdido!

Se você acha que algo nos seus relacionamentos não vai bem comece aos poucos. Seja claro no que você quer dizer, mas ouça bem o que a outra pessoa tem a dizer.

Esteja presente, ali, no momento e não pensando no depois ou nas coisas que ainda precisa fazer. A percepção das pessoas sobre o tempo passar mais rápida, está ligada ao fato de que muitas se preocupam mais com o que está por vir e se esquecem de aproveitar o momento presente e focar nele.

Entenda também que cada um tem o seu tempo de reação. Não espere resultados imediatos, o processo de confiança, que vem com uma boa comunicação, leva um tempo para acontecer.

Pense bem, você não sai abrindo sua vida pessoal assim que conhece uma pessoa. Para alguns isso leva anos para acontecer. Então não espere que o contrário também aconteça.

Converse, de atenção, convide a outra pessoas para um café ou almoço isso vai ajudar bastante a prepara o terreno da conversa. 

Mas principalmente ouça o que as outras pessoas tem a dizer. Isso é uma ótima forma de feedback para você saber o que precisa melhorar.

Então, reflita! Pense como anda a sua comunicação e depois comente o que achou.

Felicidade correndo atrás do que não chega

capa do livro - arquivo pessoal

Muito se discute sobre a felicidade e como alcança-la. O tema talvez seja um dos grandes temas discutidos dentro da filosofia e atualmente parece ter ganhado mais importância.

Existe, no atual momento, uma necessidade de ser feliz e, para muitos, a necessidade de estar sempre criando algo novo seja um projeto, uma reunião, um workshop, uma palestra, um vídeo ou um texto, tudo para que a pessoa se sinta realizada.

Em uma época onde a busca por “fórmulas” que tragam o bem imediato é constante, unir três dos grandes pensadores brasileiros da atualidade Mario Sergio Cortella, Leandro Karnal e Luiz Felipe Pondé é quase um processo de auto ajuda.

Mesmo sabendo que eles detestam esse tipo de conceito sobre seus livros, é comum buscarmos os escritos desses três professores para que eles possam nos guiar para algo melhor.

Felicidade - Modos de usar, livro que os três escrevem juntos, é um livro curto, uma das minhas críticas aos livros que cada um escreve, apesar de ainda não ter lido nada do Pondé. Acredito que eles deveriam se aprofundar mais em seus textos.

Claro que em um país como o nosso, onde a leitura é pouca e os livros são caros, a quantidade que cada um consegue vender, mesmo sendo livros curtos, já é um grande passo educativo.

Talvez o sucesso dos três, e a publicação de mais um livro, além claro de seus conhecimentos, seja a busca das pessoas por respostas rápidas para a vida.

A necessidade de querer o produto pronto, já vindo explicado parece ser a tônica do momento. Muita gente não tenta ir atrás, por conta própria, de conhecimento, preferem tudo “mastigado”.

Costuma-se dizer que a atual geração é geração “Nutella”, mas não seria “miojo”, já que querem tudo pronto em três minutos?

No entanto o livro é bacana, de leitura fácil. Nada muito complexo, reflexo da facilidade de cada um com a docência. Explicar o complicado de forma simples, mas sem ser raso.

Cada um traz um pouco do seu conhecimento e exemplos que tiveram sobre felicidade ao longo de suas vidas.

Obviamente o assunto sobre a felicidade não se encerra em apenas um livro. Para cada pessoa existe um modo diferente de ser, variando muito de valores, crenças e expectativas sobre a vida.

Em uma de suas músicas, Renato Russo dizia que “são as pequenas coisas que valem mais”, entendo que isso se refira a felicidade. Os momentos em que você não espera, que você apenas sente e deseja repeti-los em outras oportunidades. Como um almoço em família ou no encontro de sábado à noite com os amigos para uma pizza.

E aposto que os momentos mais felizes da sua vida foram nos momentos mais simples. Viagens, passeios, festas, shows são legais, são momentos que marcam e ficam na lembrança, mas são casos espaçados.

A busca constante por algo, para criar, fazer, renovar, ser o primeiro, pelo imediatismo das coisas, possivelmente é a causa da infelicidade. A impressão que estamos sempre correndo atrás.

Corremos atrás do amor perfeito, do trabalho perfeito, da vaga perfeita, do lugar perfeito para morar, focamos o futuro, não o presente.

É no dia a dia que as melhores coisas acontecem. O ineditismo tão citado por outro professor e pensador do nosso tempo, Clóvis de Barros, é o que torna as coisas únicas.

Mas para que isso aconteça é preciso paciência e a percepção de estarmos totalmente presentes no que fazemos. Ser o melhor possível ali, na hora e não esperar por algo.

Não existe chave certa para a felicidade, você não vai encontrar em um livro, um texto, vídeo ou filme, mas em você.

Basta você percebê-la!!

A importância de Jeremias – Pele

arquivo pessoal


Uma história, seja ela qual for, precisa, além de entreter o leitor, transmitir algumas mensagens ou deixar algum ensinamento.


Historicamente considerada atração para crianças, principalmente aqui no Brasil, os quadrinhos nacionais estão crescendo e, por ser um excelente meio de comunicação, consegue atingir públicos mais novos.

E por ser ainda um meio mais completo com imagem, textos, som e fazer com que o leitor use sua imaginação, os quadrinhos conseguem proporcionar ao leitor uma percepção mais abrangente de certos assuntos.

Como no caso de Jeremias – Pele a 18ª Graphic Novel com o selo MSP (Mauricio de Souza Produções), o criador da Turma da Mônica.

Por muitos anos as histórias da Turma da Mônica foram escritas para um público mais infantil. Entretanto, as novas publicações com o selo MSP, abriram a possibilidade de explorar um pouco mais cada personagem e levar as histórias para um novo público.

Hoje, as graphics novels da turma abordam temas mais adultos, com traços e enredos de outros artistas brasileiros, selecionados para, além de homenagear Mauricio de Souza, explorar as facetas cujo cada personagem possui.

Jeremias é um dos personagens mais antigos da Turma da Mônica e por muitos anos foi o único negro do grupo. Ano passado, em 2019, ganhou uma história solo completa como protagonista.

Escrita por Rafael Calça e desenhada por Jefferson Costa, o tema central da história é focado no racismo sofrido pelo personagem e claro, por jovens grande parte dos jovens negros.

Ainda que certos casos ocorram de forma velada, sem ser explícitos, os acontecimentos com o personagem central demonstram como coisas que parecem simples, vem disfarçadas de preconceito devido a cor da pele.

E esse é o tipo de situação que pode atrapalhar as esperanças e as capacidades de um jovem se desenvolver ou se destacar por alguma habilidade que possui.

É muito comum negros não serem considerados “aceitáveis” para um trabalho ou profissão devido a cor da sua pele.

E a história de Jeremias não se prende apenas aos problemas do garoto, mas aponta também as dificuldades dos pais em tentar fazer com que o filho entenda como o mundo pode ser cruel com quem é “diferente”.

Os pais do garoto, por já terem passado por situações parecidas, sabem lidar melhor, mas ainda sentem uma certa dificuldade em explicar como reagir ou como seguir em frente nessas situações.

Por isso a escolha de dois negros para contar essa história. Alguns dos casos que ocorrem com Jeremias fizeram parte da vida dos dois autores.

A importância da representatividade

Jeremias foi vencedor do prêmio Jabuti, na categoria de melhor História em Quadrinhos de 2019. Além da grande qualidade artística no trabalho dos dois autores, a forma como as situações são apresentadas demonstra que a realidade pode ser bem pior do que imaginamos.

Muitas pessoas não sabem como uma “brincadeira” inocente ou uma palavra errada podem afetar quem sofre com o preconceito, principalmente quando falamos de uma criança.

Personagens negros sempre foram a minoria nos quadrinhos, sendo na maioria dos casos aparições como coadjuvantes, ainda que muitos deles sejam extremamente poderosos.

Pantera Negra, Super Choque, Blade, Falcão Negro, Tempestade, Bishop e o Lanterna Verde, John Stewart, são alguns dos exemplos.

E mesmo que alguns deles sejam os principais em suas histórias, como no caso do Pantera, infelizmente ficaram por muito tempo sendo apenas conhecidos pelo público mais fiel dos quadrinhos.

Ainda hoje podemos observar e, assistindo as entrevistas dos dois autores, como os negros se sentem pouco representados nas mídias.

O próprio Jeremias aparece em poucas histórias da Turma da Mônica e na maioria das vezes com poucas falas.

Felizmente agora o grande público tem a oportunidade de conhecê-lo um pouco mais e ver como o racismo é um mau a ser combatido.

Personagens assim deveriam estar mais presentes nas histórias para crianças pois, além da representatividade, elas poderiam entender mais facilmente como as diferenças são comuns.

E sendo um país tão miscigenado como o nosso é absurdo que casos assim ainda ocorram. Por sorte parece que Mauricio de Souza está atento aos problemas sociais que nos cercam e está levando esses temas para suas histórias.

Jeremias tem tudo para se tornar um marco dos quadrinhos nacionais e ajudar no aumento de histórias mais sérias e com qualidade, trazendo cada vez mais leitores e acabando com a ideia de que histórias em quadrinhos são “coisas para crianças”.

A nona arte ganha cada vez mais força no Brasil.

Um dia quem sabe, em um futuro próximo, chegaremos ao nível americano e europeu.

arquivo pessoal