O chamado à aventura


O chamado à aventura

por: Vagner Melo

Você certamente já passou por alguns momentos na sua vida no qual não sabia como agir e tenha ficado com medo de não conseguir resolver os problemas pessoais que surgiram.

Algumas situações surgem quase que de forma inexplicável e você sente uma necessidade de mudar. Talvez você possa não saber exatamente o quê e nem como, mas sabe que deve alterar algo na sua vida.

Esse momento podemos considerá-lo como “o chamado à aventura”.

Para quem nunca ouviu falar sobre esse termo, saiba que ele foi criado pelo escritor, pesquisador e mitologista Joseph Campbell no seu livro “O Herói de Mil faces”, publicado em 1949.

Campbell, que era apaixonado por mitologia e religião, além dos estudos psicológicos e descobertas de Carl Jung e Freud, percebeu, através de seus estudos, que grande parte das histórias no qual muitos de nós cresceram ouvindo e lendo, seguiam quase que um padrão comum.

No livro, Campbell aponta que os “heróis” das histórias, sejam elas religiosas ou mitológicas, passam por 12 etapas como “o mundo comum”, “a recusa do chamado”, “a travessia do primeiro limiar”, além do chamado à aventura.

É por isso que histórias como Star Wars, Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Matrix, Jogos Vorazes e muitas outras acabam caindo no gosto popular. Todas elas apresentam o mesmo estilo narrativo, que hoje é defendido como uma boa maneira de se contar uma história de sucesso.

Essas histórias são aquelas que nos inspiram, que fornecem os mais diversos desafios aos seus personagens, onde eles vencem seus medos e limitações e retornam para casa, ao final da aventura, como um indivíduo melhor.

A jornada do herói

A jornada do herói é como uma representação arquetípica das nossas vidas, repleta de desafios, momentos alegres e tristes, vitórias e derrotas, mudanças e transformações.

O chamado à aventura é aquela necessidade que sentimos quando queremos mudar ou experimentar algo novo. É quando algo não vai bem, como a falta de um emprego ou um trabalho de que não gostamos e queremos muda.

Mas muitas vezes temos medo dessa mudança, pois não acreditamos no nosso potencial. E talvez a nossa primeira grande aventura seja a saída da casa dos pais, pois sim, isso se relaciona diretamente com o que Campbell percebeu.

Pode não parecer, mas “sair de casa” pela primeira vez é um grande passo para muitas pessoas que, assim como muitos heróis mitológicos, estão totalmente confortáveis no seu “mundo comum” e inicialmente se recusam ou hesitam em aceitar o chamado, pois não acreditam que serão capazes de conseguir sobreviver sozinhos.

E essa saída, a passagem pelo primeiro limiar, é quando acontecem as descobertas de um novo mundo, as vezes sozinho, mas que contará com novos “personagens”, alguns aliados e por que não, também com alguns inimigos.

Aqui é o momento de descobertas internas, o conhecimento das nossas forças e de perceber que possuímos uma capacidade antes desconhecida.

Histórias de ficção e fantasia podem parecer criações imaginativas que poucos tem capacidade de criar, mas elas são na verdade partes inconscientes de nós mesmos.

Pensamos que não conseguiremos realizar coisas gigantescas, mas pense em tudo o que você já fez ou realizou ao longo da sua vida. Certamente, em algum momento, alguém olhou para você e pensou que nunca conseguiria fazer as coisas que você faz.

Nos inspiramos em personagens fantásticos, mas por que não sermos nós a inspirar alguém?

As vezes o chamado está aí, basta colocar o pé para fora. A sua jornada está só começando. Não tenha medo!

Queremos ser heróis

 

Queremos ser Heróis


Por: Vagner Melo 

Heróis sempre acompanharam o imaginário popular. Conhecemos histórias de homens divinizados desde os primeiros registros escritos que conhecemos. Na Grécia antiga, além dos deuses, temos heróis como Ulisses, Hércules, Aquiles e tantos outros que possuíam capacidades sobre humanas.

Com o passar dos anos, novos heróis foram surgindo, alguns dentro do seu tempo histórico, mas participando de situações adversas que o tornaram especiais. Um bom exemplo são as lendas do rei Arthur. 

No século XX as histórias ganharam um novo grupo de pessoas com poderes incríveis: Os super heróis. No final dos anos 30 e começo dos anos 40, tivemos um boom de personagens com superpoderes e com capacidades extraordinárias que podem fazer coisas fantásticas.

Tivemos nesse período a modernização dos deuses, mas agora com capas, máscaras, poderes e habilidades que atraem milhares de pessoas, principalmente os meninos.

E não importa a idade, desde cedo é comum vermos crianças em brincadeiras lúdicas imaginado ou citando que são algum herói e que estão voando, que vão correr super rápido ou quebrar algo.

As Histórias em quadrinhos, principal responsável pela apresentação desses novos deuses se tornaram as principais companheiras de milhares de garotos, que se “perdem” em meio as histórias de seus heróis favoritos.

Personagens como o Super-Homem e Homem-Aranha caíram no gosto do público por se apresentarem como pessoas simples, mas que escodem sua real identidade, para proteger as pessoas próximas.

E se faltam poderes excepcionais, temos aqueles, como o Batman ou o Homem de Ferro, que são bilionários e utilizam equipamentos altamente tecnológicos para fazer coisas que pessoas comuns não conseguem. 

Representação do imaginário

Quem não gostaria de voar? Ser extremamente forte ou Invencível? Ser um gênio, playboy, bilionário e filantropo, com capacidade para construir armas e armaduras incríveis?

Não importa o tipo de poder, quando um garoto não se encontra em seu mundo, ele certamente irá sonhar ou imaginar como seria ter algum tipo de poder e assim conseguir enfrentar garotos mais fortes ou maiores do que ele.

Meninos na fase de transição da infância para a adolescência, momento onde ocorrem muitas mudanças pessoais, se identificam muito com histórias de super heróis, pois representam no seu imaginário situações onde poderiam utilizar os seus poderes e ajudar outras pessoas.

É esse um dos motivos de o Homem-Aranha/Peter Parker ser um dos heróis mais famosos. A sua proximidade com o público jovem, representado no pagamento de contas, tentativas de equilibrar a vida pessoal com as atividades de herói e os desdobramentos que isso traz o tornam quase que uma pessoa comum.

Clark Kent, o Super-Homem, também tem um pouco disso. Apesar de ser um alienígena quase indestrutível, ele possui um trabalho e consegue esconder sua real identidade muito bem, criando uma personalidade completamente diferente daquela do herói que as pessoas admiram.

Esse imaginário popular de deixar de ser, por um tempo, uma pessoa simples para fazer coisas admiráveis é o que mantem os heróis na cabeça das pessoas. E hoje isso está ainda mais em evidencia.

Atualmente temos uma avalanche de filmes baseados nesses personagens e que arrastam cada vez mais público aos cinemas. 

Curtir heróis deixou de ser uma coisa de garotos geeks e nerds para se tornam sinônimo de pessoas descoladas. Camisetas, bonecos e outros tantos objetos agora são relíquias de colecionadores das mais diversas idades.

Vestir uma camiseta de herói quando adulto é poder voltar ao passado, nos momentos solitários, acompanhados por uma história em quadrinhos, quando o herói salva o dia e volta para casa sabendo que fez a coisa certa.

Heróis foram e ainda serão por muito tempo guias morais e companheiros de garotos nas primeiras fases da adolescência. E por mais que a tecnologia avance, as histórias em quadrinhos irão ganhar novos adeptos e fãs que não deixaram de sonhar que podem ser como um Homem-Aranha ou Super-Homem.

Ainda queremos ser heróis!!

 

007 – Mulheres e mudanças

Fonte: Google imagens



Por: Vagner Melo 

Essa semana estreia o novo filme do 007 nomeado como “Sem tempo para morrer”. Baseados nos livros do escritor Ian Fleming, o agente secreto mais famoso do mundo chega ao seu 25° filme.

Uma das franquias mais longas da história do cinema e das mais rentáveis também, com seis atores diferentes, 007 se tornou parte da cultura pop. E não me pergunte qual o meu ator favorito, não tenho. De certa forma acredito que cada um contribuiu de algum modo com o personagem.

Personagem esse marcado pelos belos carros, passagens por lugares fantásticos e exóticos, armas incríveis, sorte no jogo e, logicamente, as muitas mulheres bonitas que apareceram ao longo dos anos.

Mulheres que com o tempo saíram do estereótipo de inocentes e indefesas e passaram a ter papéis relevantes para a história.

Para quem assistir hoje aos filmes antigos, como estou fazendo antes da estreia do próximo, verá que houve uma grande mudança em James Bond com relação as mulheres. Reflexos de uma mudança na sociedade como um todo.

Sabemos como o cinema costuma abordar temas relevantes para a sociedade e em muitos casos precisa estar atento ao que acontece, para se adequar ao momento histórico vigente. 

Hoje James Bond seria considerado um machista ao extremo, covarde, que usava de violência quando precisava de alguma informação e que via as mulheres como um elemento insignificante que simplesmente serviria ao prazer físico. Situação criticada inclusive pelo atual diretor Cary Joji Fukunaga.

Hoje Bond não seria nem metade do que é se tivesse seguido aquele modelo.

Mulheres e mudanças

Incrível como uma mulher consegue mexer com um homem, em todos os níveis e em todos os sentidos, e isso se aplica ao caso do cinema e com James Bond também. Mas não apenas no 007, as Mulheres foram ganhando protagonismo em vários filmes.

Sarah Connor, Katniss Everdeen, Hermione Granger, Princesa Léia, Daenerys Targaryen são alguns dos exemplos que vimos ao longo dos últimos anos e que são parte da cultura pop, tão importantes como seus pares masculinos.

O tempo passou e foram as mulheres, as chamadas “Bond girls”, que contribuíram para as grandes mudanças no comportamento do personagem. A mais importante delas, ainda que não seja exatamente uma “Bond girl”, foi a personagem M, interpretada pela atriz Judd Dench.

Mais do que uma simples chefe, a M de Dench foi um guia para os dois “Bonds” que contracenaram com ela: Pierce Brosnan e Daniel Craig. E foi ela quem criticou de forma mais direta o comportamento do personagem. Chamando o Bond de Pierce Brosnan, no filme Goldeneye de “machista, um cachorro no cio, uma relíquia da guerra fria”.

E pelo que foi mostrado nos trailers do próximo filme de Bond, mas uma vez serão as mulheres que darão o tom da história. Pela sinopse do filme, sabemos que Bond está aposentado e uma mulher assumiu o “cargo” de agente 007.

Obviamente que James Bond vai assumir novamente o cargo durante o filme, mas será interessante ver a dinâmica de uma mulher como agente com permissão para matar.

Daniel Craig se despede do personagem no próximo filme. De escolha muito criticada quando foi escalado para o papel, Craig foi o que mais contribuiu para dar uma personalidade complexa a James Bond Deixando um bom legado para o personagem. Desde a sua primeira participação, em Cassino Royale, o 007 de Craig foi ganhando mais camadas e profundidade.

Bond cresceu e agora vai passar por uma nova fase, ao escolher um novo ator que deverá manter o nível de interpretação e exigência que vem com legado histórico que o personagem possui.

Ansioso para a próxima escolha!!

O poder dos quietos

 



Por: Vagner Melo 

Acabei de finalizar mais um livro “O poder dos Quietos”. Já não sei quantos foram esse ano, mas a preocupação é a qualidade, não a quantidade.

Vejo em alguns lugares as pessoas comentando orgulhosas sobre a quantidade de livros que leram. Para livros de ficção até, talvez, a quantidade possa ser uma boa, mas no geral prefiro mesmo a qualidade.

Acredito que essa “pressa” em ler vários livros sejam reflexo do nosso momento atual. Rápido, ágil, com propósitos de fim e não de aproveitar o que seria a jornada.

Para mim, livros hoje, além de ficção e fantasia para distrair e aumentar o leque de conhecimentos em nerdices, devem contribuir com algo, seja conhecimento teórico, ou seja, mais acadêmicos, ou aqueles que possam contribuir com o crescimento pessoal, mas nada de livros de autoajuda.

Tenho uma certa antipatia com esse modelo de livro. Já li alguns, mas vejo que eles basicamente falam sobre coisas que você já sabe, apenas não faz. Livros de autoajuda servem para uma única pessoa, aquele que escreveu.

Mas voltando a falar sobre a leitura de “O poder dos quietos”, que a principio pode parecer desses que citei, é na verdade um livro mais voltado para o lado psicológico e aponta alguns dos motivos que tornam muitas pessoas introvertidas.

Aspectos esses que vão da parte biológica, com o desenvolvimento do nosso cérebro, sistema límbico, amigdala, até elementos sociais, como nossa cultura em tentar fazer com que todos sejam sociáveis e comunicativos.

Hoje vivemos em um momento onde para se ter sucesso é preciso ser extrovertido, comunicativo, fazer o chamado network e estar presente nas redes para ser lembrado. Entretanto nem todas as pessoas se encaixam nesse meio.

Introvertidos de carteirinha

 

O livro foi lançado em 2012, mas só descobri agora e se tornou interessante para mim justamente por falar sobre pessoas como eu: Introvertidos de carteirinha. Pessoas que na maioria dos casos, ainda que possam socializar com pessoas próximas, sentem mais dificuldades em se expor.

E a melhor parte, não tem nada dizendo sobre: não seja assim, faça isso ou faça aquilo e mude. Escrito por uma autora americana chamada Susan Cain, o livro aponta as características, capacidades e traços de personalidade que compõem um introvertido, sendo que ela mesma se define como uma.

E nada melhor do que um livro que fale um pouco sobre como você é ou como você se vê e aponte suas principais características como uma qualidade, não como uma falha individual, e que poucos observam ou entendem.

Para quem é introvertido é comum crescer ouvindo das demais pessoas que é preciso se soltar mais, se expor e ser aquele que vai atrair a atenção de todos ao chegar em um determinado ambiente. pessoas introvertidas preferem o canto, o backstage, não o centro do palco.

Das características apresentadas encontramos a pouca vontade em sair, preferir ficar em casa lendo bons livros, se expressar através da escrita ou de outras formas de arte, que são as maneiras que muitos introvertidos encontram para marcar o seu lugar.

E exemplos de pessoas assim não faltam: J.K Rowling, autora de Harry Potter, Bill Gates, Albert Einstein, Rosa Parks, Mahatma Gandhi, isso só para citar alguns dos nomes mais famosos, o que mostra, para aqueles que acreditam que para ter sucesso é preciso ser expansivo e aberto, que os introvertidos também tem um grande valor.

Obviamente que mesmo essas pessoas citadas precisaram aprender ao longo dos anos a se expor, mas não perderam suas essências ao longo das suas vidas.

Mesmo que você não seja um introvertido recomendo a leitura, ao menos para entender como essas pessoas se sentem. Certamente você já teve contato com alguém assim em algum momento. “O Poder dos quietos” vai te ensinar um pouco em como lidar com introvertidos e como se conectar melhor com eles.

E vai entender também que se eles não falam sobre certos assuntos, como relacionamentos, é porque ainda precisam aprender a lidar com certos medos e anseios. 

São tempos de mudanças

 

São tempos de mudanças


Por: Vagner Melo

São tempos de mudança por aqui. Não apenas pessoais, mas, quem sabe, profissionais também.

Mudanças não são fáceis. É preciso entender o que se quer, ter paciência, disciplina, alterar maus hábitos, enfim, mudar o que não vêm bem.

O filósofo grego Heráclito dizia que “nada é permanente, exceto a mudança”, podemos até não perceber, mas estamos, assim como a natureza, em constantes transformações.

Entretanto, não percebemos essas mudanças, pois muitas podem ser pequenas e queremos sempre ver as coisas acontecendo.  

Infelizmente muitos querem mudanças rápidas. Incentivados pela tecnologia e o acesso fácil a milhares de informações, a sociedade atual se mostra em uma constante aceleração, influenciando nosso desejo de velocidade.

Coisas como respirar, parar, refletir, analisar e, principalmente, ouvir, ficaram de lado. Tudo é promovido para estarmos sempre atualizados e em constante produção. E basta um clique para dar o próximo passo.

E segue aquele sentimento de que está faltando algo, mas que tudo está indo rápido demais e que não vemos o tempo passar. Talvez seja isso que deixa a sensação de que a humanidade está se perdendo.

No início da pandemia, quando o número de mortos ao redor do mundo aumentou de forma assustadora e as restrições sanitárias impediram que as pessoas circulassem à vontade pelas ruas, o que mais se ouvia era de que o mundo mudaria. As relações mudariam e as pessoas sairiam da pandemia bem melhores.

Será que saíram?

São poucos ou foram poucos os que respeitaram de fato o distanciamento social. E aqui não me refiro aquelas pessoas que precisaram trabalhar e enfrentar metro e ônibus lotado. Se aqui fosse um país sério, de governantes que se preocupavam de fato com o povo, talvez fossemos um país mais estruturado e não teríamos tantos problemas sociais.

Estou me referido aqueles casos de pessoas em festas, baladas, pessoas na rua sem máscara e dos negacionistas que diziam que a pandemia era apenas invenção. Certamente você deve ter ouvido algo próximo a isso de alguém que conhece.

Contudo, por um momento, a terra respirou. O céu ficou mais azul. Comportamentos de alguns animais na natureza mudaram, tudo isso devido à falta de interferência humana.

Entretanto, como é mais difícil mudar o mundo, ficamos apenas no âmbito pessoal. Mudanças pequenas, entretanto, que fazem grande diferença.

É hora de se voltar para dentro. Ouvir aquela voz interior e encontrar um caminho. Um propósito.

Proposito

No filme Matrix - Reloaded em uma das cenas, o agente Smith fala sobre propósito. Segundo ele “sem propósito, não existimos”.  O que se pararmos para pensar, faz todo sentido.

Quantas vezes já não nos sentimos perdidos, sem saber o que fazer ou qual caminho seguir. Isso pode ser a falta de um propósito.

As vezes olhar para dentro, pensar no que queremos e gostamos, refletir sobre nossas habilidades, ainda que você não acredite que possua uma. Certamente você tem, basta apenas encontrá-la.

O mundo precisa de pessoas em várias profissões, com diversas caraterísticas, desde a profissão mais simples ao médico que salva vidas, do mais tímido ao mais extrovertido. É necessário a variação de atividades ou todos seriamos iguais.

Eu ainda estou nessa busca. Está na hora de encontrar um proposito, de fazer mudanças.

Onde estavam os nossos heróis?

 

onde estavam nossos heróis?/arquivo pessoal

Por: Vagner Melo

Há 20 anos eu chegava da escola. Pronto para, enquanto almoçava, assistir desenhos. Coisa básica de adolescente depois da aula. Almoço e desenho. De heróis melhor ainda.

Porém, ao ligar a televisão para assistir o dito desenho (Dragon Ball ou X-Men - Evolution, não lembro qual agora!), eis que na tv está passando dois prédios em chamas. Dois aviões haviam batido nesses prédios.

O primeiro aparentemente por acidente, afinal quais as chances de isso acontecer? Já o segundo de forma premeditada. E ali começava um lado escuro do novo milênio.

Inicialmente era apenas a frustração por não assistir o que estava acostumado (saí disso, não quero notícias, volta o desenho!!), mas com o tempo fui entendendo a situação, as suas implicações e que aquilo era uma mudança.

Anos mais tarde (muitos inclusive), ao fazer a pesquisa para meu TCC para o curso de jornalismo descubro uma questão interessante. A primeira mídia a falar sobre aquele acontecimento, a essa altura, você já deve saber qual, o 11 de setembro de 2001, foram os quadrinhos.

Obviamente que a televisão discutiu o 11 de setembro a torto e a direito, ainda mais na época, hoje só próximo a data do ocorrido, como hoje. Mas meios jornalísticos televisivos vivem do momento, do agora, então, aquela pauta era fresca. Mas para as outras mídias, a chamada indústria cultural, há um trabalho maior.

O quadrinho escolhido era do Homem-Aranha, escolhido por ser ele o símbolo daquele lugar. Se você já leu algo ou assistiu alguns dos filmes do aranha, sabe que Nova Iorque é o seu habitat. E aquela edição do amigão da vizinhança “Homem-Aranha – Em memória da tragédia de 11 de setembro” saiu um mês após o atentado, com capa preta, de luto, sem as habituais ilustrações coloridas.

E onde estavam os nossos heróis? Como deixaram isso acontecer? Onde estava o Super-Homem, o Capitão América, o Hulk (ele certamente teria evitado isso), o Batman, os X-Men? Essas eram as perguntas do quadrinho.

Símbolos que caem

Pesquisei aquele quadrinho por um motivo, o contexto histórico que ele trazia, afinal ali estava um marco da história ocidental. Algo que marcaria a história do mundo e principalmente do seu país, os Estados Unidos.

Fato tão impactante que até hoje, 20 anos depois, ainda temos alguns desdobramentos. Naquele momento não aconteceu apenas um atentado terrorista, como os muitos que ocorreram nos anos seguintes, mas um desafio: Atacar o país mais poderoso do mundo. Colocá-lo de joelhos. Perdido. Mostra eu ele “não é tudo isso”.

Seus símbolos foram atacados. World Trade Center, Pentágono, Casa Branca, tudo que remete ao orgulho americano. Cada símbolo que representa um contexto diferente e importante. O filme virou realidade (lembra da cena de explosão da Casa Branca no filme Independence Day?), a Casa Branca não foi explodida, mas foi por pouco.

Destruir um símbolo é talvez a forma mais inteligente de minar as forças de um adversário. Ainda que uma guerra não seja vencida, se você tirar o principal símbolo adversário, se você atacar uma ideia ou ideal central, o resto desaba, como em uma trilha de dominó.

Quantas vezes você já viu os seus heróis preferidos se questionarem sobre seus ideais, suas escolhas. O Capitão América, talvez maior símbolo de herói americano, até trocou suas cores quando parou de acreditar no ideal americano.  

Passamos novamente por um momento assim. Talvez ainda um reflexo daquele fatídico dia. Questionamentos sobre o que acreditamos, sobre como vemos as coisas. Se estamos no caminho certo. E principalmente para onde estamos caminhando.

É momento de refletir. Talvez tivesse sido melhor assistir ao desenho que não passou no inicio do texto. A realidade da tv nos tirou o apetite.

E ficam aqui duas perguntas, uma que você já deve ter ouvido em algum lugar hoje: Onde você estava em 11 de setembro de 2001?

E

Onde nossos heróis estão?

 

 

 

 


Nós criamos nossos inimigos


Por: Vagner Melo

Sempre que há uma crise, buscamos formas simples para solucionar os nossos problemas. E como nosso cérebro se acostuma com coisas simples e busca não fazer muito esforço, procuramos as soluções mais rápidas.

Alguns dos nossos problemas costumam aparecer com o tempo e não nos damos conta e quando o vemos, fica mais difícil de resolver.

Quer um exemplo?

Queremos uma vida saudável, mais saúde, mas temos hábitos alimentares ruins e, principalmente, uma certa preguiça em atividades físicas.

E aí vem aquela resolução. Vou mudar!!

Imagine ter que começar tudo de novo. Do zero. Mudar hábitos que já duram anos, tudo para chegar ao ideal que você deseja.

Mas nesse momento você acredita que não conseguirá. Que é muito difícil, que as coisas poderiam ser mais simples. Nesse caso, você é, aqui, o seu inimigo. E você o criou. Ainda que de forma inconsciente.

Ah, mas eu sou feliz assim!! Ok. Ótimo, que bom.

Mas e nas outras coisas?

Costumamos procrastinar em um relatório no trabalho, nos textos que devemos escrever, nas atividades do dia a dia (Ah depois eu faço/Depois eu vejo/Vamos ver), e isso se torna um hábito ruim e, ainda por cima, acumula uma quantidade de coisas que nos deixam com crises de ansiedade.

Pois é nesse momento que seu cérebro fica remoendo as coisas que você precisa fazer. Isso sem contar os nossos medos, falta de autoestima, falta de disciplina e outras faltas que podemos ter.

E temos aqui o nosso inimigo. Nós mesmos.

Talvez o nosso maior desafio não são os desafios que a vida traz, mas vencer nossas acomodações, pensamentos, nossos hábitos.

E não pense você que isso se limita apenas ao seu mundo pessoal. Queremos mudar o mundo. Sim e quem não quer?

Mas sabe aquela história de “essa culpa eu não carrego”? Bom talvez não seja bem assim.

Pensemos no nosso atual momento. A crise que o país está passando não começou hoje. Sem contar a pandemia, as outras situações como desemprego, falta de segurança, economia, já vem de uma série de erros anteriores.

Você pode não apoiar o atual governo, o presidente, seus ministros e demais componentes dos governos atuais. Mas talvez apoie os que estavam antes, que, se não são tão ruins quanto estes, também não são tão melhores assim.

Hoje, o país vive um momento de crise que a atual geração não vai esquecer. Podemos dizer que estamos vivendo um momento importante na nossa história.

E a história está aí para nos ensinar que situações de crise geram problemas ainda maiores quando fechamos os olhos para certos sinais. A ascensão do Nazismo foi um exemplo. A partir de uma crise econômica, um grupo, liderados por uma pessoa, chegou ao poder com um certo apoio e criou um dos piores momentos da história mundial.

A chegada do atual presidente brasileiro ao poder se deu por um motivo: o governo passado gerou uma crise em vários níveis que possibilitou a abertura para que uma pessoa sem nenhum preparo chegasse ao poder.

E aqui não estou nem falando das barbaridades que o atual mandatário nacional fala, me refiro a sua total incompetência em estar onde está. Os sinais vinham aparecendo, mas quem permitiu de fato que ele chegasse lá, foram as pessoas que contribuíram para um dos maiores escândalos de corrupção que vimos.

E aí você soma, crises econômicas, escândalos de corrupção, país indo ladeira abaixo, isso contribui para aparecer aqueles “revolucionários”, “mitos”, ou qualquer outro ser messiânico que possa surgir. Os supostos heróis que darão um jeito em tudo, porque são diferentes. E são esses que encontram vozes similares e começam a fazer barulho.

Mas então vemos que tudo não passou de retórica. Na verdade, eles não são tão diferentes assim. Pode mudar o lado ou a cor, mas no final do dia, só se importam com seus pares, amigos, parentes. E o resto que se vire.

A esquerda criou o seu pior inimigo. Mas isso devido aos seus próprios erros.

Por que temos um governo atual assim? Porque os anteriores foram tão ruins quanto.

Por que sua vida não vai adiante da forma como você gostaria? Talvez porque em algum momento você relaxou, se acostumou e chegou em uma zona de conforto que agora não consegue sair.

Reflita sobre o seu momento e o que você quer mudar. Reflita sobre os atuais governantes, aqueles que estão no poder e aqueles que querem voltar a ele. Será que todos eles são o que você gostaria?

Se nada estiver como você gostaria, marque um ponto de virada.

Pense: “Vocês não me representam!!”.


Se não há tempo, como achar tempo?

tempo
 

Por: Vagner Melo

Como você passa o seu tempo?

Não pergunto sobre como você gasta o seu tempo, pois “gastar” poderia significar estragar ou reduzir o tempo de alguma forma.

O tempo é um dos assuntos mais intrigantes da ciência. Como ele funciona, o que ele é, por que para alguns passa mais rápido do que para outros, enfim, perguntas sobre o tempo são inúmeras.

E mesmo os grandes filósofos da nossa história já buscaram entende-lo, mas estamos longe de encontrar uma resposta satisfatória.   

Hoje, temos a sensação de que o tempo está passando cada vez mais rápido. E ficamos com a sensação de não termos tempo suficiente e se não há tempo, como achar tempo?

Como diria Cazuza: “O tempo não para”.

O dia, como sabemos tem 24h. isso é igual para todos, sem negociação. Mas sempre reclamamos da sua falta.

Não será isso falta de planejamento?

Talvez estejamos fazendo mais coisas do que deveríamos. Acumulamos funções, algumas, diria até que desnecessárias.

Cuidar da casa, filhos, namoro, trabalhar, estudar, sair com os amigos, maratonar séries, ler um livro, enfim, situações das quais vivenciamos no dia a dia.

Queremos fazer muitas coisas ao mesmo tempo e ficamos ansiosos para acabar o que estamos fazendo, para logo começar outra atividade.

O maratonar séries é um bom exemplo disso. Queremos chegar rapidamente ao fim, saber o que acontece no final e não aproveitamos o caminho trilhado. E assim que acaba, nem refletimos sobre o final, já vamos para a próxima.

E assim vamos levando a vida também. Sem aproveitar o caminho, reclamando que não temos tempo. Que tudo está passando mais rápido.

Levantamos de manha pensando em chegar no trabalho. No trabalho pensamos em chegar em casa ou talvez, se for o caso, ir para a faculdade. Na faculdade não vemos a hora de chegar em casa e descansar.

É sempre o futuro e nunca o presente. Talvez seja isso que mude nossa percepção.

E acontece também, em muitos casos, de estarmos fazendo mais de uma coisa ao mesmo tempo. Como estar escrevendo um texto e ouvindo música ou olhando o celular. Este (celular), aliás é o nosso maior “ladrão” de tempo.

O aparelho celular se tornou uma extensão do nosso braço. E possivelmente, você que está lendo esse texto, se não estiver lendo através da tela do seu mobile, está com ele a menos de um metro de distância de você.

Queremos nos conectar com quem está longe, mas quando estamos perto focamos em quem está longe, e assim vai indo.

 Mas o que fazer então?

Pare e reflita se você não está acumulando muitas funções. Veja o que de fato é importante. O que precisa ser feito agora e o que pode esperar.

Se for um trabalho curto, como lavar uma louça, faça! Não espere para depois. Dependendo da situação, dívida suas tarefas em etapas ou com outras pessoas. Você não precisa carregar o mundo nas costas.

Planeje-se. Escolha as atividades que serão feitas nos próximos três ou quatro dias. Quem sabe assim você não adianta alguma coisa. E aquilo que não tem importância, exclua da sua vida.

Nossa percepção de falta de tempo é o que vem aumentando nossa ansiedade, ainda mais com essa pandemia. Queremos passar logo por ela. E isso pode até transformar um problema mínimo em “situações de fim de mundo”

Divida o que é urgente, importante e prioridade, saiba qual das suas atividades se encaixa em um desses três elementos referentes a gestão de tempo.

Seu tempo é precioso, não o desperdice.

 Afinal, O tempo não para!

Soul, uma animação para adultos

 

capa do filme/imagem google


Por: Vagner Melo


Filmes de animação costumam focar o público infantil, mas buscam agradar aos adultos para que estes levem os filhos ou sobrinhos ao cinema e assim poder curtir um bom entretenimento.

Entretanto, a animação Soul da Disney/Pixar parece querer alterar esse modelo. Soul é mais do que um filme para crianças, ele é na verdade uma animação para adultos.

Divertida Mente (2015) já possuía um pouco desse conceito de alcançar o público adulto, abordando os aspectos mentais que direcionam e constituem o dia a dia das pessoas.  Mas Soul (2020), trata das angustias e medos de muitos adultos.

Através de reflexões existencialistas o personagem central da história se depara com conceitos discutidos por anos dentro da filosofia. O existir.

Para onde vamos? O que fazemos? Qual o nosso propósito? Estou no trabalho certo? São perguntas que todos fazemos e por não existir uma resposta exata, tendemos a refletir sobre nossos caminhos e escolhas.

A palavra Soul em inglês significa alma, porém pode se referir também ao estilo musical surgido nos Estados Unidos no final dos anos 50 e começo dos anos 60.

A Soul music combina elementos do R&B, do jazz e da música gospel, e se originou através dos grupos afro-americanos, que buscavam maiores espaços na sociedade americana.

Não à toa o personagem principal do filme é um musico negro. Aliás o primeiro protagonista negro dos filmes Pixar. Fator extremante importante no atual momento.

A representatividade exercida no filme não fica apenas no personagem central, quase todos os personagens apresentados são negros, dando um protagonismo pouco visto em outras animações, sejam elas em séries ou filmes.

Isso mostra como a Pixar está atenta ao que acontece na sociedade como um todo e se preocupa em transmitir os bons valores ao público infantil, demonstrando que não importa a cor da pele da pessoa e sim a sua capacidade.

O soul é uma das contribuições culturais existentes originados através dos afro-americanos, inclusive salientado no filme, e é a forma de expressão que os negros encontraram para mostrar o seu orgulho e lutar contra o racismo, que era ainda mais forte no Estados Unidos dos anos 60.

E ainda que seja o jazz o estilo musical mais citado no filme, a escolha do soul como título do filme provavelmente não foi à toa. Cantores como Ray Charles, James Brown, Aretha Franklin, Marvin Gaye e Nina Simone são grandes clássicos desse gênero musical.

Proposito e missão de vida


Mas falando sobre o filme, o personagem central do filme é Joe Gardner. Joe é apaixonado por música e acredita ser ela a sua missão de vida. O seu maior sonho é tocar em uma banda de jazz.

Após um acidente sofrido, justamente quando ele consegue o emprego dos seus sonhos, sua alma se desprende do corpo e ele passa por uma viagem através dos reinos cósmicos. Tudo trabalhado de forma bem elegante e com uma sensibilidade que as animações Pixar costumam apresentar.

Joe se recusa a creditar que pode estar morto e busca formas de voltar ao seu corpo. No plano do pré vida, ele por acaso se torna o tutor da alma batizada de 22 e que precisa encontrar seu propósito antes de poder descer para a terra e viver uma vida humana.

Unindo esses dois personagens temos a música como elemento que motiva Joe a viver a vida, é e ela a motivação central do personagem e que leva o expectador a refletir sobre temas como proposito e missão de vida.

Quantas pessoas não se perguntam isso diariamente? O que motiva alguém a levantar da cama cedo e enfrentar as dificuldades que a vida apresenta?

Muitos tem sonhos, desejos e se encontram naquilo que fazem. Mas existem milhares de outros que não sabem bem o que fazer, e ficam esperando que algo simplesmente aconteça para que possam se sentir realizados.

As nossas crises existenciais, que muitas vezes se fazem presentes em datas de aniversário ou viradas de ano, e nos fazem questionar sobre a vida que estamos vivendo, se apresenta de forma diferente para os dois personagens.

Enquanto a 22 busca um motivo que faça valer a pena viver na terra, Joe acredita que apenas quando conseguir tocar em uma banda estará de fato realizado.

Escolhas


Somos os responsáveis por escolher a forma como devemos levar a nossa vida. Na filosofia esses aspectos estão ligados ao filosofo dinamarquês Soren Kierkegaard, considerado o pai do existencialismo.

Dentro do existencialismo cabe ao indivíduo escolher a forma como deseja viver sua vida. Se é ficar esperando que algo aconteça, como uma oportunidade de tocar em uma banda, ou aproveitar cada momento que temos de forma única.

Na maioria das vezes são as coisas mais simples que fazem a vida valer a pena. Joe e 22 passam por essas questões antes de se encontrarem como indivíduos e poder seguirem suas vidas.

Não dá para saber como as nossas escolhas irão se desdobrar no futuro, por isso a vida é tão complexa e cheia de dúvidas. Mas vale a pena viver na expectativa de esperar por algo que talvez nunca aconteça?

O importante de fato é viver o momento, aproveitar o que conquistamos e não ficar se apegando no que pode ou não acontecer.

A vida é apenas uma. Aproveite!!



O dilema do porco espinho

O dilema do porco espinho - arquivo pessoal

 

por: Vagner Melo

O dilema do porco espinho é um conceito criado pelo filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860) e ganhou uma releitura através do raciocino do professor e historiador Leandro Karnal.

Karnal tem uma capacidade explicativa bem interessante. É simples e ao mesmo tempo sofisticado. Explicar a complexidade de forma clara é uma capacidade para poucos, ainda mais no mundo acadêmico, cheio de jargões e frases técnicas.

O dilema do porco espinho procura explicar a dificuldade da convivência humana em toda a sua complexidade. Assim como um porco espinho, que no inverno necessita de aproximação dos demais para sobreviver, porém percebe que ao se aproximar demais dos outros pode se machucar devido aos espinhos, temos a necessidade de estarmos rodeados e próximos de outras pessoas, mas essa aproximação pode gerar atritos.

O ser humano é um ser gregário, necessita do outro para evoluir. O desenvolvimento humano é um exemplo claro disso. Se o homem fosse único e não aprendesse ou não dependesse de outros homens, possivelmente não teria alcançado o topo do domínio terrestre.

Entretanto, ainda que essa necessidade de estar em grupo ou em dupla seja necessária para o aprendizado e desenvolvimento, estar sozinho também é fundamental para que o homem se descubra como indivíduo.

E é nesse aspecto que as considerações do professor Karnal se fazem relevantes. Ele aponta pontos importantes da história o do conhecimento popular que demonstram como a solidão pode ser cultivada e trazer bons resultados.

Sabemos que a maioria das pessoas sente dificuldades em estar sozinho e tem a necessidade de estar com alguém. Muitas são carentes e precisam estar com, no mínimo, a sensação de ter um outro para se apoiar.

Mas se engana quem acredita que só por estar com alguém é estar acompanhado. Quantas vezes você já ouviu sobre relacionamentos que não dão certo porque um dos lados nunca está presente?

E o não estar presente não significa fisicamente, mas mentalmente e até espiritualmente.

Solitude

Dentro das religiões existentes no mundo, é comum os relatos que contam com personagens que em algum momento se isolaram do restante do seu povo e conseguiu naquele momento encontrar o seu significado. Jesus se recolheu no deserto por 40 dias. Buda se isolou até encontrar a iluminação. Maomé estava sozinho no monte Hira quando teve a visão de que ele era o enviado de Deus.

Religiões diferentes, tempos diferentes e ensinamentos de certa forma parecidos, porém os relatos históricos são os mesmos: a solidão como fator para uma descoberta.

O momento da solitude, que seria a solidão voluntária, é importante por ser o momento da reflexão profunda, do momento de se entender como pessoa e quando boa parte das grandes criações acontecem.

Quadros, livros, músicas e esculturas que se tornaram referencias no mundo foram criados por artistas ou escritores quando estes se encontravam sozinhos. O cinema é mestre em mostrar situações assim.

As aventuras de PI, O Naufrago, A Ghost Story, Taxi Driver, Wall-E são alguns exemplos cinematográficos que tratam da solidão e de como aprendemos a conviver com nós mesmos e nos descobrimos como pessoas em um período de isolamento.

Outro exemplo bem simples e de conhecimento popular, mas que pode ajudar nessa temática é o Super-Homem.

Seu planeta natal explode enquanto ele é enviado para a Terra. E ainda que tenha sido adotado por uma família humana e, com o passar do tempo outros kriptonianos tenham surgido, ele sempre esteve, de certa forma, sozinho.

A literatura também já tratou desse tema com escritores como Franz Kafka e Gabriel Garcia Marquez. Aliás a literatura é um dos pontos em que mais podemos destacar a solidão como um ótimo momento.

Primeiro pelo lado do escritor, que se senta sozinho na hora de escrever a sua história. Segundo pelo lado do leitor, que também está solitário enquanto acompanha a narrativa. 

Viver bem com você mesmo

Durante a pandemia que assolou o planeta em 2020 e vai se estender ainda por um bom tempo em 2021, o tema solidão se tornou o centro dos debates.

O que fazer em períodos de isolamento? Aprender novas habilidades? Ler vários livros? Fazer cursos on-line? Tudo precisou ser a distância ou respeitando o isolamento.

Buscamos formas de passar o tempo em casa sem poder sair e assim aproveitar melhor essa “solidão” forçada na qual vivemos.

Uma das ferramentas que talvez tenha encontrado o equilíbrio para o dilema do por espinho são as redes sociais redes sociais, fato que o professor Karnal cita em seu livro.

Com as redes sociais estamos perto o suficiente para conversar com quantas pessoas quisermos, e longe o bastante para evitar conversas ou pessoas desagradáveis.

Para quem é filho único, meu caso, a solidão já não é nenhum bicho de 7 cabeças. Filhos únicos aprendem cedo que, por melhor que sejam as interações humanas e muitas vezes elas são importantes, é mais do que o normal os momentos de buscar em você mesmo a saída para aqueles momentos.

Seja ele através da escrita, da música, assistindo filmes e obviamente através da leitura.

Mas em todos os casos, o importante é você estar bem com você mesmo. A solidão traz a reflexão interna. O silêncio é importante para você acalmar a mente e se ouvir.

Por isso aproveite a sua solidão!!

O ódio nosso de cada dia

 

ódio nosso de cada dia

por: Vagner Melo

Ódio pode ser considerada uma palavra forte quando nos referimos a não gostar de uma situação ou de alguém, mas basta dar uma passeada por aí e perceber que parece ser esse o sentimento que move as pessoas.

Veja as discussões no trânsito, brigas de torcida, violência doméstica, ofensas via internet, vizinhos e todo espaço onde pessoas convivem.

Redes sociais que deveriam servir para conectar e aproximar as pessoas se tornaram um terreno fértil para ofensas, muitas delas feitas através de avátares que não existem. 

O que hoje é considerada a geração Mi MI MI, é na verdade a geração que não tinha a oportunidade de espalhar sua frustração, seus pré-julgamentos e sua pobreza de ideias e visam atacar o que é diferente ou o que vai contra as suas ideias.

E olha que temos muitas pessoas que possuem níveis acadêmicos consideráveis e que dentro de um aspecto social coerente, deveriam, no mínimo, tentar ouvir o outro lado.

Se tornou comum transferir as responsabilidades para os outros, ao invés do diálogo para resolver as diferenças, observamos o baixo nível que parece tomar conta das pessoas ultimamente.

Reagimos mal ao que é diferente


A humanidade sempre possuiu um comportamento avesso ao que é diferente.

O professor e escritor israelense Yuval Noah Harary levanta uma questão interessante em seu primeiro livro, Sapiens – Uma breve história da humanidade.  Ao longo do desenvolvimento humano outras espécies de homens também andaram pela face da terra além do sapiens, e possivelmente ambos se encontraram em algum momento.

Entretanto, por algum motivo esses outros humanos não chegaram à atualidade, sendo extintos há muitos e muitos anos atrás. A julgar pela quantidade de animais que entraram em extinção pela mão humana, e vendo como hoje são tratados negros e gays, não é difícil imaginar o que pode ter acontecido.

Reagimos mal ao que é diferente. E basta que o diferente seja apenas uma simples opinião, crença, torcida ou lado político.

Lado politico que se tornou o foco de uns anos para cá. Com o auxilio da internet e das redes sociais surgiu um campo de discussões e ofensas. O que deveria ser um debate de ideias, é na verdade o desejo de opinar sobre tudo, através de achismos e negacionismo.

E isso dos dois lados. Da mesma forma que torcedores se matam em arredores de estádios por acreditar que o seu time é melhor, direita e esquerda se digladiam para defender seus “políticos de estimação”.

E é aqui que as discussões ficam pior. Ninguém debate ideias, apenas ofendem e desmerecem as possíveis ações que o outro lado poderia ter. Vencer o debate se tornou mais importante do que encontrar soluções viáveis para todos.

É basicamente igual com as discussões religiosas. Os religiosos mais fanáticos tendem a acreditar a sua crença é superior as demais. E isso não acontece apenas em país do oriente médio, no mundo ocidental sabemos o que aconteceu com grupos ou pessoas que não seguiam os preceitos da maioria.

Olhar para dentro


Temos enormes dificuldades em olhar para dentro e observar o nosso mal comportamento. Caso duvide, basta perceber como muitas pessoas costumam transferir responsabilidades.

A culpa é sempre do outro. Em relacionamentos, por exemplo, é comum colocarmos a culpa no outro. Quando algo não vai bem, um parceiro tende a culpar os problemas do casal na outra parte.

É sempre que o outro não entende. Que não sabe conversar. Quer uma prova? Você por acaso já viu alguém comentar “Ela terminou comigo porque eu sou muito chato e folgado”? Acho que não né.

No mundo corporativo é a mesma coisa. É comum acreditar que alguém que tenha sucesso em um cargo é por que tem sorte ou por que tem um contato forte. Não que isso de fato não aconteça, mas são poucos os que admitem que as vezes não tem preparo necessário.

Da mesma forma é sempre o governo o culpado pelos problemas sociais. Sim existe muita incompetência e corrupção no meio político, mas é comum a atuação do “jeitinho brasileiro”.

Jogar lixo na rua, pagar um policial para não levar multa, driblar a receita federal, fazer o chamado “gato” na TV paga, enfim para tudo haverá uma desculpa do qual eu não tenho culpa.

Perfeito não somos, mas cabe a nós olhar para dentro e observar como nossa vaidade afeta os demais e o mundo como um todo. 

Ver em que podemos melhorar e como chegar a um consenso para tentar diminuir o ódio que impera na nossa sociedade nos últimos anos.